GUIA PRÁTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA ASSESSORES E ESTAGIÁRIOS DE MAGISTRADOS
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DisciplinaIntrodução ao Direito I88.274 materiais530.956 seguidores
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que(,) ATUALMENTE(,) a situação de risco não 
subsiste. 
É importante considerar que, A DESPEITO DAS INFORMAÇÕES TRAZIDAS 
NO ESTUDO SOCIAL DE FLS 145/148, a situação de risco não subsiste. 
 
No primeiro, o termo intercalado (em destaque) é curto e poderia vir com vírgulas 
ou sem nenhuma, a critério do autor do texto. No segundo, o termo intercalado é 
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extenso e, por essa razão, é fundamental que venha isolado pelas vírgulas, para 
que não se comprometa a clareza da frase. 
 
8) Antes do e nunca haverá vírgula? 
 
Estamos habituados a nunca pôr a vírgula antes da conjunção e, mas existem 
casos (bastante comuns, por sinal) em que ela deve existir. Exemplo: 
 
Muitos sofreram, e poucos ganharam. 
 
Aqui a vírgula é perfeita. Por quê? Porque o e introduz uma oração de sujeito 
diferente do da anterior. Perceba que, nessa frase, há dois verbos; logo, dois 
sujeitos: quem sofreu? Muitos é o primeiro sujeito; quem ganhou? Poucos é o 
segundo sujeito. Viu só? A segunda oração tem sujeito diferente do da primeira. 
Outros exemplos: 
 
Há muitos problemas neste país, e temos que nos esforçar para mudá-lo (quem 
há? O verbo haver no sentido de existir não tem sujeito; quem tem que se 
esforçar? Nós é o sujeito); 
 
ONU oferece ajuda, e Brasil recusa (quem oferece ajuda? ONU é o sujeito; quem 
recusa? Brasil é o sujeito); 
 
Inúmeras pessoas só cantam e dançam nas férias (nessa frase, não caberia a 
vírgula antes do e, já que os dois verbos - cantar e dançar - compartilham o 
mesmo sujeito. Quem canta? Inúmeras pessoas; quem dança? Inúmeras 
pessoas). 
 
Há outra situação em que a vírgula antes do e é obrigatória. Repare neste 
exemplo: 
 
Floriano, muito cansado da viagem, e sua esposa deitaram cedo. 
 
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O termo muito cansado da viagem está atribuindo uma qualificação a Floriano e 
vem isolado por duas vírgulas. Veja que as vírgulas isolam esse termo. 
Obrigatoriamente deve haver duas vírgulas. Ou duas, ou nenhuma. Veja este outro 
exemplo: 
 
As roupas, sujas como pau de poleiro, e a barba por fazer denunciavam-lhe a 
algazarra noturna. 
 
A vírgula antes do e faz par com a antes de sujas. Elas isolam o termo sujas como 
pau de poleiro. Tanto isso é verdade que, se eliminarmos o termo isolado, a frase 
continuará a ter sentido: As roupas \uf066 e a barba por fazer (...). 
 
9) \u201cOi Fernando!\u201d Essa frase está certa? 
 
Não! O termo Fernando é, segundo a Gramática, um vocativo, termo que serve 
para invocar, chamar, pedir a presença de qualquer ente, real ou imaginário. E, 
por ser um vocativo, deve ser isolado por vírgula(s). Logo, o certo seria Oi, 
Fernando! Com vírgula! Um detalhe: se o vocativo estiver acompanhado da 
interjeição ó, os dois serão isolados. Exemplos: Veja só, caros amigos, o que foi 
feito; Ó Maria, será que não me vês?; Venha logo aqui, rapaz! 
 
10) E vírgula antes do mas? Existe? 
 
É de praxe separar por vírgula as orações que indicam ideias contrárias (como é o 
caso da oração introduzida por mas). Exemplos: Contestou, mas não provou; O 
réu afirma a inépcia da inicial, porém exerceu plenamente seu direito de defesa. 
 
Quanto às orações subordinadas introduzidas por conectivos que indicam tempo, 
causa, finalidade, lugar, explicação, condição, consequência, modo, 
conformidade e proporção, a vírgula torna-se mais importante quando essas 
orações aparecem antes de outras. Vindo depois, a vírgula deve ser usada somente 
se sua omissão comprometer a clareza da frase ou se a oração da esquerda (a 
principal) for extensa. Exemplos (as vírgulas entre parênteses são dispensáveis): 
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Eu fiquei deveras feliz quando cheguei a casa (a oração grifada indica tempo; não 
é necessária a vírgula, porque a oração da esquerda, principal, não é extensa); 
 
Quanto mais se aprende, menos se sabe (a oração grifada indica proporção e vem 
antes da outra); 
 
Cheguei perto dela a fim de que me contasse todos os seus segredos (a oração 
grifada indica finalidade); 
 
Sem se cuidar, penará muito! (a oração grifada indica condição e vem antes da 
outra). 
 
Em síntese: 
 
a) ORAÇÃO PRINCIPAL + ORAÇÃO SUBORDINADA: vírgula somente se a 
primeira oração for extensa e houver pausa. 
 
b) ORAÇÃO SUBORDINADA + ORAÇÃO PRINCIPAL: vírgula em regra. 
 
11) Antes do porque a vírgula também é facultativa? 
 
Existem dois porquês que merecem atenção: o causal e o explicativo. Antes do 
explicativo, sempre use a vírgula; antes do causal, use quando a oração que vier 
antes do porque for extensa. 
 
Você deve querer saber como reconhecer o causal e o explicativo, não é? Vamos 
aos exemplos: 
 
1) Não corra, porque o chão está molhado; 
 
2) Ela não veio porque está doente. 
 
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Todo porque explicativo pode ser substituído pela palavrinha que (Não corra, 
QUE o chão está molhado); já o causal não pode (Ela não veio PORQUE está 
doente). Notemos que em 1 a pausa é marcada pela fala, o que não acontece em 2. 
 
Vamos a outros exemplos, adotando a seguinte regra prática: vírgula necessária 
antes de porque substituível por que; caso contrário, usemos o sinal de pontuação 
somente se a oração da esquerda for extensa. 
 
3) Não era muito fã de trabalho(,) porque a família lhe ensinou assim (não cabe 
que no lugar desse porque - causal; a vírgula é facultativa, já que a oração da 
esquerda não é tão grande); 
 
4) É bom ela vir logo, porque não tenho muita paciência (cabe que no lugar desse 
porque - explicativo; usemos a vírgula); 
 
5) O Governo insistiu em não assinar o acordo com os demais países, porque 
julgou improcedentes as acusações (não cabe que no lugar desse porque - causal; 
apesar disso, é interessante usarmos a vírgula, haja vista a grande extensão da 
oração da esquerda). 
 
12) Como se comporta a vírgula com conjunções como pois, entretanto e 
todavia? 
 
Vamos começar pelo pois. Essa conjunção pode ser explicativa (tendo o mesmo 
valor de porque) ou conclusiva, com o sentido de logo, portanto, dessa maneira. 
Quando ela introduz uma explicação, geralmente há vírgula antes, separando-a 
da oração anterior. Vírgula depois, só se houver um elemento intercalado, 
\u201catrapalhando\u201d a sequência da frase. 
 
O pois pode, ainda, introduzir uma conclusão. Nesse caso, vem entre vírgulas. 
Exemplos: 
 
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As garotas se portaram bem, [pois as portas ficaram abertas] (o pois introduz 
uma explicação; a vírgula vem antes); 
 
As garotas se portaram bem, [pois, como já era combinado, as portas ficaram 
abertas] (o pois também introduz uma explicação, tendo vírgula antes. A vírgula 
que vem depois serve para isolar a oração intercalada, em negrito); 
 
[O argumento, pois, não procede] (aqui o pois não está no começo da oração; tem 
valor conclusivo e deve ser isolado por vírgulas). 
 
As conjunções porém, contudo, todavia, entretanto e no entanto - que 
introduzem ideias contrárias, assim como o mas - obedecem à mesma regra do 
pois. A diferença é que no pois, dependendo de sua posição, há mudança de 
sentido (explicativo ou conclusivo); as outras sempre conservam o valor 
adversativo (ideias contrárias), independentemente de aparecerem no início da 
oração (com uma vírgula antes, separando-a da anterior) ou no meio dela (isoladas 
por vírgulas). Exemplos: 
 
Esperei bastante, [contudo não desanimei]; 
 
Esperei bastante. [O desânimo, contudo, não tomou conta de mim]; 
 
Aquele garoto come muito, [no entanto continua magro]; 
 
Aquele garoto come muito. [Continua, no entanto, magro]. 
 
Obs.: As conjunções porém, contudo, todavia, entretanto