GUIA PRÁTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA ASSESSORES E ESTAGIÁRIOS DE MAGISTRADOS
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DisciplinaIntrodução ao Direito I88.295 materiais532.400 seguidores
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comuns: onde, quem, 
cujo, o qual, a qual. Exemplos: 
 
1) Meus parentes moram em Ribeirão Preto, onde a água é mais límpida; 
 
2) Josias é um homem a quem devo muito respeito; 
 
3) Não tenho tempo para essa garota, cujas ofensas já aturei o bastante. 
 
Em 1, onde retoma o nome Ribeirão Preto (a água é mais límpida em Ribeirão 
Preto). A oração que ele introduz - onde a água é mais límpida - é explicativa, 
porque se refere a um ser único (Ribeirão Preto). 
 
No segundo exemplo, a oração a quem devo muito respeito está ligada ao nome 
homem. E obviamente o está restringindo: de todos os homens existentes, esse é 
um a quem devo respeito. 
 
No exemplo 3, a oração cujas ofensas já aturei o bastante está ligada ao nome 
garota, que é um ser único, já delimitado pelo pronome essa (...essa garota). Pela 
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frase, supõe-se que o falante já conheça a moça. Se é um ser único, não pode ser 
especificado. A oração a ele ligada, logo, é explicativa (com vírgula). 
 
Detalhe importante: lembre-se de que, se retirarmos as orações explicativas, não 
haverá prejuízos ao sentido da frase. Imagine os exemplos 1 e 3 sem as 
explicativas: 1) Meus parentes moram em Ribeirão Preto \uf066; 3) Não tenho tempo 
para essa garota \uf066. Tudo certo, não? Porém, se retirarmos a oração restritiva de 2, 
a frase terá o sentido original prejudicado, porquanto ficará vaga: Josias é um 
homem \uf066... 
 
\uf0b7 Tudo o que for explicativo deve vir com vírgula(s)? 
 
Sim! Até agora, você só viu as orações explicativas (se são orações, possuem 
verbos). Há ainda os termos explicativos, sem verbos. Veja estes exemplos: 
 
1) E o deputado, funcionário do povo, não quis atender o povo; 
 
2) Muito aflito, o açougueiro mal podia falar; 
 
3) João Fernandes, dono de uma grande loja no centro de Curitiba, é 
considerado o maior comerciante do Estado. 
 
Os termos isolados por vírgula(s) explicam ou qualificam um nome. Chamá-los-
emos de explicativos, apesar de a Gramática tradicional distinguir o aposto 
explicativo do predicativo do sujeito, termos técnicos aos quais não nos 
reportaremos agora, a fim de que você não se confunda. Em todos eles, pode 
perceber, é possível construir uma oração com pronome relativo. Veja: 
 
1) E o deputado, que é um funcionário do povo, não quis...; 
 
2) O açougueiro, que estava muito aflito, mal podia falar; 
 
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3) João Fernandes, que é dono de uma grande loja no centro de Curitiba, é 
considerado o maior comerciante do Estado. 
 
Todos os termos entre vírgulas são explicativos porque se referem a um ser único, 
já conhecido e citado pelo texto. Não restringem, somente explicam algo essencial 
a tais nomes. Podem, inclusive, ser retirados da frase, sem grandes prejuízos a ela. 
 
\uf0b7 Essa regra também se aplica aos nomes de pessoas? 
 
Sim. Uma construção bastante frequente é a posposição de um nome de pessoa a 
um cargo ou qualificação. Chamaremos a essa estrutura de qualificação / nome, 
só para simplificar. Quando ela ocorre, o nome pode ter a mesma função 
restritiva de algumas orações, como as vistas logo acima. Ou pode, ainda, ser 
explicativo, isolado pela(s) vírgula(s). Vejamos dois exemplos bastante simples: 
 
O professor da UEL João Freitas foi considerado...; 
 
O reitor da UEL, Fulano de Tal, assinou convênio... 
 
Perceba que, em ambas as frases, há a sequência qualificação / nome (professor / 
João; reitor / Fulano de Tal). Na primeira, o nome não veio isolado pela 
pontuação, por ser um elemento restritivo. Quando se fala de professor da UEL, 
refere-se a um grupo de pessoas. Não existe somente um professor na instituição. 
Logo, o nome (João Freitas, no caso) restringe o professor de que se fala. Se é 
restritivo, não pode vir com vírgulas de modo algum. Porém, em se tratando do 
reitor, é sabido que somente uma pessoa ocupa esse cargo nas universidades. 
Dessa forma, o nome (Fulano de Tal) não pode restringir ou delimitar o sentido da 
palavra reitor, pois há somente um. O nome torna-se um elemento explicativo, 
isolado obrigatoriamente pela pontuação. 
 
É interessante reiterar que o elemento explicativo pode ser retirado da frase: O 
reitor da UEL \uf066 assinou convênio. Como só há um reitor, a ausência do nome não 
compromete o sentido. Todavia, se retirarmos o nome restritivo em O professor da 
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UEL João Freitas foi considerado... ("O professor da UEL \uf066 foi considerado"), o 
leitor simplesmente não saberá de quem se trata, uma vez que há vários 
professores na universidade, e o nome delimitaria esse grupo. Outros exemplos: 
 
1) O réu, fulano de tal, faleceu (há somente um réu no processo); 
 
2) O réu fulano de tal faleceu (há mais de um réu no processo); 
 
3) A testemunha fulano de tal faleceu (há mais de uma testemunha no processo); 
 
4) O Prefeito de Londrina, beltrano, vetou a lei... (há somente um prefeito); 
 
5) O ex-Prefeito de Londrina beltrano não concorda com... (há vários ex-
prefeitos) 
 
Se o nome da pessoa, entretanto, vier em primeiro lugar, a qualificação sempre 
estará isolada por vírgula(s), por ser termo explicativo: João Freitas, professor da 
UEL, foi considerado...; Fulano de tal, reitor da UEL, assinou...; Fulano de tal, 
Presidente da República, viajou.... 
 
Obs.: Só se usará o cargo com valor restritivo após o nome se houver em questão 
mais de uma pessoa com o mesmo nome. Exemplo: Você conhece o João dono da 
padaria (supondo que haja um João mecânico também). Esse tipo de construção, 
porém, é pouco comum na linguagem formal. 
 
14) Isto é, ou seja, ou melhor, aliás... entre vírgulas? 
 
Quando essas expressões introduzem uma explicação, um esclarecimento, 
costuma-se isolá-las por vírgulas. Exemplos: A criança mostrou-lhe a vida, isto é, 
a maneira certa de viver; Resolvi mudar de vida, ou seja, parar de fumar. 
 
15) Tanto ele, quanto ela são meus amigos \u2013 essa vírgula existe? 
 
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Não. Vamos pensar um pouco nessa frase? Você usou um verbo (são), que, 
provavelmente, tem um sujeito. Vamos achá-lo: quem são meus amigos? Tanto 
ele quanto ela. Perceba que, na verdade, há dois núcleos do sujeito: ele e ela. Eles 
são ligados por estruturas correlatas (Tanto... quanto), caso em que a vírgula é 
desnecessária. Veja alguns exemplos: Tanto ele quanto ela são meus amigos; 
Não só Carlos mas também João vieram à festa; Tanto eu como meu primo 
fomos prejudicados. 
 
16) Antes de e sim se usa a vírgula? 
 
Certamente. A expressão e sim, que introduz uma ideia contrastante, uma 
correção da anterior, deve ser precedida de vírgula. Entretanto, não se deve isolar 
o sim com vírgulas. Use somente uma, antes do e. A regra também vale para e 
não. Exemplos: Ele não fez as tarefas de que foi incumbido, e sim as que ele quis; 
Ela quis agradar-me, e não ofender-me. 
 
17) Vírgula e também 
 
Em regra, não se devem isolar por vírgulas as palavras denotativas* (como 
também, apenas, até, etc.), a não ser naqueles casos em que se queira enfatizar 
algumas delas. Exemplos: 
 
O delegado também assinou o abaixo-assinado (e não "O delegado, também, 
assinou..."); 
 
O delegado até assinou o abaixo-assinado; 
 
O delegado apenas assinou o abaixo-assinado; 
 
O delegado assinou também o abaixo-assinado... 
 
* O termo palavra denotativa refere-se a alguns vocábulos que se assemelham a 
advérbios. Como muitas vezes não exercem a função primordial dessa classe de 
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palavras (modificar verbo, advérbio, adjetivo ou oração), ganharam denominação 
especial. Exemplos: também - palavra denotativa de inclusão; apenas - palavra 
denotativa de exclusão;