GUIA PRÁTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA ASSESSORES E ESTAGIÁRIOS DE MAGISTRADOS
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DisciplinaIntrodução ao Direito I88.332 materiais534.921 seguidores
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a perfeição 
gramatical, impossível de ser alcançada em virtude do grande volume de serviço a 
que estão sujeitos todos os operadores do direito. Busca-se apenas amenizar as 
principais falhas linguísticas e, com isso, otimizar a produtividade dos 
Magistrados, os quais poderão despender menos tempo com correções gramaticais 
se houver a correta utilização do manual por parte dos assessores e estagiários, 
sem prejuízo da necessária consulta a outras obras do gênero. 
Meu objetivo é manter a constante atualização e 
revisão da obra, motivo pelo qual solicito aos usuários a gentileza de me 
informarem, por e-mail (jtan@tjpr.jus.br) ou Mensageiro (jtan), todas as falhas 
encontradas, para que se aprimore o trabalho. Adianto que, pela escassez de 
tempo, vários erros poderão ser encontrados, inclusive de formatação, pelos quais 
antecipadamente me desculpo. Por meio do mesmo canal, poderão ser enviadas 
sugestões de tópicos a serem abordados na próxima edição e quaisquer críticas, 
todas muito bem-vindas. 
A seleção dos principais problemas da língua culta 
foi realizada com base em minha experiência de treze anos como professor de 
Língua Portuguesa no ensino médio, em cursos pré-vestibulares e na Universidade 
Estadual de Londrina, onde tive a honra de atuar como professor do Departamento 
de Letras. 
Recomendo, por praticidade, que os senhores 
Magistrados incentivem os assessores e estagiários a estudarem principalmente os 
tópicos mais problemáticos do idioma, a saber: concordância verbal, colocação 
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pronominal, regência verbal, uso da palavra \u201cse\u201d, ponto e vírgula, uso dos 
\u201cporquês\u201d, crase e vírgula. Caso haja um incremento no domínio de tais tópicos, 
todos abordados neste manual, certamente o número total de falhas gramaticais 
cairá muito. Mas é claro que o ideal seria a leitura de todo o conteúdo. 
Finalizando, agradeço imensamente a colaboração 
de todos os colegas Magistrados, particularmente aqueles que contribuíram com 
sugestões enviadas por meio do grupo privado de e-mails da magistratura 
paranaense, muito bem administrado pela colega Rosicler Mandorlo. 
Coloco-me à disposição para qualquer 
esclarecimento e desejo que este humilde trabalho seja útil a todos! 
De Congonhinhas, em 31 de outubro de 2014. 
 
Julio Cesar Michelucci Tanga 
Juiz de Direito 
 
 
 
 
 
 
 
 
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AAAAAAAAAAAAAAAAAA 
 
A, há 
 
Se há equivale a faz \u2013 ambos indicam, no caso, tempo decorrido \u2013, deve ser 
escrito com h, pois é conjugação do verbo haver. Exemplos: Estou em Londrina 
há (faz) vários anos; Há (faz) quanto tempo você está aqui? Usa-se o a 
(preposição) quando a referência se faz para o futuro ou quando a indicação for de 
distância. Exemplos: Estou a 15 dias de minha formatura; Daqui a pouco irei 
embora; Ela está a dois metros daqui. 
 
 
Acentuação gráfica \u2013 principais alterações promovidas pela última 
reforma ortográfica 
 
1) ditongos (vogal e semivogal na mesma sílaba) 
 
Acentuam-se os ditongos abertos e tônicos \u201céu\u201d, \u201céi\u201d e \u201coi\u201d somente em última ou 
única sílaba. Exemplos: réus, he-rói e mói. 
 
Fora das situações acima expostas, não serão acentuados. Exemplos: i-dei-a (não é 
a última sílaba), he-roi-co (não é a última sílaba), eu-ro-pei-a (não é a última 
sílaba). 
 
2) hiatos (encontro de duas vogais na palavra, cada uma em sílaba separada) 
 
Os hiatos \u201coo\u201d e \u201cee\u201d não têm mais acento. Exemplos: roo, creem, leem, deem, 
voo. 
 
3) \u201cqu\u201d e \u201cgu\u201d 
 
Não há mais quaisquer acentos (nem trema, nem agudo) nos grupos \u201cqu\u201d e \u2018gu\u201d. 
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Exemplos: consequentemente, tranquilo, frequente, sagui, argui e averigue 
(pronuncia-se o \u201cu\u201d de forma tônica nas duas últimas palavras). 
 
Observação: só haverá trema se se tratar de palavra derivada de estrangeira com o 
referido sinal. Exemplo: \u201cmülleriano\u201d (do alemão \u201cMüller\u201d). 
 
4) acentos diferenciais 
 
Com a reforma ortográfica, restaram somente os seguintes acentos diferenciais: 
 
Pode (verbo no presente) e pôde (verbo no passado); 
Por (preposição) e pôr (verbo); 
Tem (singular) e têm (plural); 
Vem (singular) e vêm (plural); 
 
Observação: em \u201cfôrma\u201d, o acento diferencial é de uso opcional. 
 
 
Acerca de, há cerca de 
 
HÁ CERCA DE (com o verbo haver \u2013 há) indica tempo passado, sem que se 
saiba a quantia exata de dias, meses, anos ou semanas. É um cálculo aproximado. 
Exemplo: O réu alegou residir nesta cidade há cerca de dez anos (não se tem a 
certeza de que tenham sido exatamente dez anos). Já ACERCA DE significa 
sobre algo, a respeito de algo: Trata-se de manifestação acerca da dosimetria da 
pena (a respeito da dosimetria da pena). 
 
À custa 
 
Prefira a forma À CUSTA DE (no singular). Exemplo: O adolescente vive À 
CUSTA do pai. 
 
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Adolescente 
 
Qualifique como adolescentes as pessoas entre 12 e 18 anos. Até doze anos 
incompletos, qualificar como criança. Evitar a expressão \u201cmenor\u201d e, 
principalmente, \u201cde menor\u201d. 
 
 
Afim, a fim 
 
Estar A FIM de algo é interessar-se por esse algo. A expressão \u201ca fim de\u201d, que 
também indica finalidade, é sempre grafada de forma separada. Exemplo: 
Requereu a concessão do alvará a fim de obter valores suficientes para a compra 
do aludido imóvel. 
 
A palavra afim indica afinidade e é bem menos utilizada que a expressão \u201ca fim\u201d. 
Exemplo: Esse estabelecimento atende a roqueiros, punks e afins. 
 
A gente 
 
A expressão a gente, tomada como nós na linguagem coloquial, exige verbo e 
qualificação no singular. Como regra geral de concordância, o verbo concorda 
com a palavra que funciona como núcleo do sujeito, e não necessariamente com a 
ideia que ela representa. Apesar de a expressão a gente referir-se a mais de uma 
pessoa, o verbo e o nome que com ela concordam devem estar no singular (a 
gente - singular; as gentes - plural). Logo, A gente é feliz, por exemplo, seria 
exemplo de uso correto da construção, que é comum na linguagem oral, mas não 
cai bem em textos técnicos e objetivos, como costumam ser os jurídicos. 
 
Obs.: a concordância em gênero (masculino ou feminino) do nome com a 
expressão a gente faz-se, quase sempre, com a ideia, fato a que chamamos 
concordância ideológica ou silepse. Exemplo: Um membro de um grupo de 
homens diz: "A gente está muito nervoso hoje". Segundo a concordância 
tradicional (com o núcleo do sujeito), nervoso deveria estar no feminino (A gente 
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está nervosa), uma vez que gente é palavra feminina (gente nervosa). Mas a 
silepse, nesse caso, é preferível. 
 
 
À medida que (e na medida em que) 
 
À MEDIDA QUE tem o mesmo sentido de à proporção que, ao passo que. A 
ideia é de proporção. Possui uma forma parecida, mas com significado diferente: 
NA MEDIDA EM QUE (equivalente a \u201cporque\u201d, \u201cjá que\u201d, com ideia de causa). 
Exemplos: 
 
À medida que cresce, fica mais revoltada (à proporção que, quanto mais); 
 
Não procede a preliminar, na medida em que a necessidade da tutela 
jurisdicional está plenamente demonstrada (já que). 
 
Anexo 
 
Assim como a palavra incluso, anexo é adjetivo e concorda em gênero (masculino 
ou feminino) e número (singular ou plural) com o termo a que se refere: Os 
documentos estão ANEXOS ao processo; As receitas estão inclusas?; A folha 
anexa está suja; A nota fiscal segue anexa aos autos. 
 
A expressão EM ANEXO fica sempre no masculino e no singular: A folha está 
em anexo; As folhas estão em anexo. 
 
 
Aonde, onde 
 
É bastante simples distinguir as duas formas. Aonde (a + onde) deve ser usada 
com verbos que indicam movimento (andar, chegar, sair, correr,