GUIA PRÁTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA ASSESSORES E ESTAGIÁRIOS DE MAGISTRADOS
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DisciplinaIntrodução ao Direito I88.332 materiais534.921 seguidores
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porquanto, como... 
b) concessão (ideias contrastantes): embora, conquanto, se bem que, não obstante, 
apesar de... 
c) tempo: quando, sempre que, assim que, logo que, depois que, antes que... 
d) finalidade: a fim de que, para que, para... 
e) proporção: à medida que, à proporção que... 
f) comparação: como, tal qual... 
g) condição: se, caso, desde que... 
h) consequência: que, de modo que, de forma que... 
i) conformidade: conforme, segundo, de acordo com... 
 
i) Em orações com a preposição \u201cem\u201d, pronome \u201cse\u201d e verbo no gerúndio: 
Em se tratando de réu preso, será necessária a nomeação de curador especial. 
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j) Em frases optativas (exprimem desejo): Deus o ouça! 
 
Observação: não havendo palavra atrativa nem impedimento, é preferível a 
ênclise nos textos jurídicos formais. Exemplo: A testemunha Joana recusou-se a 
dizer a verdade. 
 
ÊNCLISE OBRIGATÓRIA 
 
a) Em início de oração: Encaminharam-se os autos à instância superior. 
 
Cuidado: uma das regras mais famosas da norma culta é a de que não se deve 
iniciar oração com pronome átono. Exemplos de ERROS: 
 
\u201cSe\u201d encaminharam os autos; (forma correta: Encaminharam-se os autos) 
 
\u201cLhe\u201d encaminhe as informações; (forma correta: Encaminhe-lhe as 
informações) 
 
\u201cSe\u201d faça justiça. (forma correta: Faça-se justiça) 
 
b) Com verbo no gerúndio: Os cônjuges viviam agredindo-se. 
 
c) Com verbo no imperativo afirmativo: Intime-o desta decisão. 
 
d) Com preposição \u201ca\u201d e verbo no infinitivo: A mulher estava a observá-lo. 
 
MESÓCLISE OBRIGATÓRIA 
 
Em início de oração, com verbo no futuro (do presente ou do pretérito). 
Exemplos: 
 
Se a parte não contestar, ser-lhe-á aplicada a pena de confesso. (SERÁ + lhe) 
 
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Far-se-ia necessário instruir melhor a inicial. (FARIA + se) 
 
COLOCAÇÃO PRONOMINAL EM LOCUÇÕES VERBAIS 
 
a) verbo auxiliar seguido de infinitivo ou gerúndio 
 
Havendo palavra atrativa, o pronome pode ficar antes do auxiliar ou depois do 
principal. Exemplos: 
 
Não o posso condenar. (antes do auxiliar) 
 
Não posso condená-lo. (depois do principal) 
 
Se não houver palavra atrativa, poderá o pronome ficar entre os dois verbos: 
 
Eu lhe posso encaminhar o ofício. 
 
Eu posso lhe encaminhar o ofício. (pronome entre os verbos) 
 
Eu posso encaminhar-lhe o ofício. 
 
Observação: na linguagem formal, como a jurídica, é preferível a última forma. 
 
b) verbo auxiliar seguido de particípio 
 
Havendo palavra atrativa, use o pronome antes do verbo auxiliar. Exemplo: 
 
O réu já a tinha visto. 
 
Se não houver palavra atrativa, qualquer colocação será correta, menos a do 
pronome após o particípio. Exemplos: 
 
O declarante se tinha ferido. 
 
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O declarante tinha se ferido. 
 
Observação: JAMAIS use o pronome depois do particípio (\u201cferido-se\u201d, 
\u201cintimado-a\u201d ou \u201ccomunicado-lhe\u201d, por exemplo)! 
 
Concordância \u2013 principais casos 
 
Nas gramáticas convencionais, estudam-se, separadamente, as concordâncias 
verbal e nominal. Neste manual, abordaremos em conjunto os principais casos das 
duas partes, observando o comportamento de verbos e nomes diante das palavras 
a que se referem, a partir de exemplos práticos. 
 
1) Foi interposto pelo executado embargos do devedor (regra geral de 
concordância com sujeito simples) 
 
Quando estiver escrevendo, tome muito cuidado com sua mente. Ela às vezes 
pode tentar \u201cenganá-lo\u201d, pois está acostumada com o sujeito geralmente antes do 
verbo (lembre-se de que, para encontrar o sujeito de um verbo, pergunta-se 
Quem? ou Quê? a este). 
 
Por exemplo, se a frase-título fosse \u201cEmbargos do devedor foi interposto pelo 
executado\u201d, muitos se sentiriam incomodados, pois a falha de concordância seria 
manifesta. A locução \u201cfoi interposto\u201d deveria concordar com o sujeito (\u201cembargos 
do devedor\u201d), que está no plural. 
 
Assim, obviamente, a frase correta seria \u201cEmbargos do devedor FORAM 
INTERPOSTOS pelo executado\u201d. Dessa forma seria observada a regra geral de 
concordância verbal, abaixo expressa: 
 
\u201cO VERBO OU LOCUÇÃO VERBAL DEVE CONCORDAR EM 
NÚMERO E PESSOA COM O NÚCLEO DO SUJEITO\u201d. 
 
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Porém, se a frase em comento fosse \u201cFoi interposto pelo executado embargos do 
devedor\u201d, nem todos conseguiriam enxergar, de plano, a inadequação. 
 
Se a observarmos com atenção, veremos que o verbo (a locução verbal) não 
concordou com o seu sujeito. Basta perguntar \u201cQuê?\u201d para a locução \u201cfoi 
interposto\u201d: \u201cQue que foi interposto?\u201d. A resposta \u2013 o sujeito, portanto \u2013 é 
EMBARGOS DO DEVEDOR. E o núcleo desse sujeito é EMBARGOS, que 
está no plural. 
 
Assim, para ficar correta a frase, deveria o verbo concordar em número com o 
núcleo do sujeito: FORAM INTERPOSTOS pelo executado EMBARGOS do 
devedor. 
 
Em síntese, não importa a ordem da oração (SUJEITO \u2013 VERBO ou 
VERBO \u2013 SUJEITO): o verbo sempre concordará com o núcleo do sujeito. 
Tome cuidado redobrado quando posicionar o verbo antes do sujeito, pois é 
nesse caso que os erros são mais frequentes. 
 
Observe mais um exemplo de erro que muitas pessoas não detectariam facilmente: 
 
Ante a possibilidade de ser atribuído efeitos infringentes aos embargos de 
declaração opostos pelo excipiente, intime-se o excepto para, no prazo de 5 
(cinco) dias, manifestar-se. 
 
Para achar o sujeito da locução grifada, façamos a pergunta clássica: \u201cQue que é 
atribuído?\u201d. A resposta (sujeito) é EFEITOS INFRINGENTES. Como está no 
plural, a locução verbal deveria respeitar a regra de concordância. Logo, a forma 
correta seria: 
 
Ante a possibilidade de serem atribuídos efeitos infringentes aos embargos de 
declaração opostos pelo excipiente, intime-se o excepto para, no prazo de 5 
(cinco) dias, manifestar-se. 
 
Veja outros exemplos, desta vez com a concordância perfeita: 
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Vários recursos foram manejados pela parte. (SUJEITO \u2013 VERBO) 
Foram manejados pela parte vários recursos. (VERBO \u2013 SUJEITO) 
 
As condutas do réu causaram surpresa à vítima. (SUJEITO \u2013 VERBO) 
Causaram surpresa à vítima as condutas do réu. (VERBO \u2013 SUJEITO) 
 
Os documentos mencionados pelo autor têm pouca relevância à causa. 
(SUJEITO \u2013 VERBO) 
Têm pouca relevância à causa os documentos mencionados pelo autor. (VERBO 
\u2013 SUJEITO) 
 
As preliminares de inépcia da inicial e litispendência foram suscitadas pelo réu. 
(SUJEITO \u2013 VERBO) 
Foram suscitadas pelo réu as preliminares de inépcia da inicial e litispendência. 
(VERBO \u2013 SUJEITO) 
 
Pleiteia que a expedição da segunda via do documento perante o Detran seja 
determinada. (SUJEITO \u2013 VERBO) 
Pleiteia que seja determinada a expedição da segunda via do documento perante 
o Detran. (VERBO \u2013 SUJEITO) 
 
Da narração da inicial extrai-se a verossimilhança das alegações, tendo em vista 
que comprovantes de pagamento do veículo foram juntados aos autos. 
(SUJEITO \u2013 VERBO) 
Da narração da inicial extrai-se a verossimilhança das alegações, tendo em vista 
que foram juntados aos autos comprovantes de pagamento do veículo. (VERBO 
\u2013 SUJEITO) 
 
ATENÇÃO REDOBRADA!!! 
 
Não custa reforçar que, na ordem indireta (VERBO \u2013 SUJEITO), a incidência de 
erros é muito maior. Por isso, lembre-se: quando perceber que o verbo está em 
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posição inicial na oração, antes do sujeito, redobre a atenção e confira a 
concordância. 
 
Além disso, como você deve ter percebido nos exemplos acima, é muito comum a 
construção de locuções verbais passivas (verbo + particípio) antes de seus 
respectivos sujeitos. E, nesses casos, além da concordância em número (singular