GUIA PRÁTICO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA ASSESSORES E ESTAGIÁRIOS DE MAGISTRADOS
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DisciplinaIntrodução ao Direito I88.315 materiais534.038 seguidores
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de substantivo, o verbo e a qualificação 
só poderão concordar com o número: 25% são analfabetos. 
 
 
15) Tudo SÃO argumentos 
 
Na maioria das construções com o verbo SER, ele liga o sujeito a um atributo 
(característica), chamado pela Gramática tradicional de predicativo do sujeito. 
Quando houver divergência de número entre sujeito e predicativo (um no singular 
e outro no plural), opte, em regra, pela concordância com o termo plural, a não 
ser que um deles seja nome de pessoa ou qualquer nome próprio (casos em que 
a concordância será obrigatória, mesmo se estiver no singular). Exemplos: 
 
A vida são alegrias para quem... (opta-se, com o verbo ser, pela concordância 
com o termo plural, que no caso é o sujeito - A vida); 
 
Pedro é várias pessoas quando trabalha (a concordância com o nome de pessoa - 
Pedro - é obrigatória, inclusive se estiver no singular). 
 
16) Um e outro COMPARECEM à firma 
 
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Se o sujeito da oração for a expressão um e outro, o verbo ficará no plural. Se a 
expressão um e outro acompanhar um nome, este ficará no singular, apesar de o 
verbo ser pluralizado. Exemplo: Um e outro funcionário comparecem à firma. 
 
17) Um ou outro COMPARECE à firma 
 
Se o sujeito da oração for a expressão um ou outro, o verbo ficará, em regra, no 
singular. Se a expressão um ou outro acompanhar um nome, este ficará no 
singular. Exemplo: Um ou outro funcionário comparece à firma. 
 
18) Nem um nem outro COMPARECE à firma 
 
Se o sujeito da oração for a expressão nem um nem outro, o verbo ficará, 
preferencialmente, no singular, apesar de haver divergências entre gramáticos. Se 
a expressão nem um nem outro acompanhar um nome, este ficará no singular. 
Exemplo: Nem um nem outro funcionário comparece à firma. 
 
19) Vossa Excelência QUER conversar com os repórteres? 
 
Todo pronome de tratamento (Vossa Excelência, Vossa Magnificência, Vossa 
Alteza, Vossa Senhoria, Vossa Reverendíssima, Vossa Majestade e outros.) 
funciona exatamente como a palavra VOCÊ (que, por sinal, vem do pronome de 
tratamento Vossa Mercê) e exige verbos e pronomes na terceira pessoa do 
singular: Vossa Excelência vai gostar do seu assessor (Você vai gostar do seu 
assessor); Vossa Alteza poderia repetir (Você poderia repetir?)? 
 
 
20) Fui eu quem FEZ isso / Fui eu que FIZ isso 
 
Com o pronome relativo quem, a concordância é mais fácil do que se imagina. O 
verbo deve ficar sempre na terceira pessoa do singular (ele). Alguns exemplos: 
 
Fui eu quem FEZ isso; 
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Fomos nós quem FEZ isso; 
 
Seremos nós quem CHEGARÁ primeiro. 
 
Quer uma prova? Basta inverter a ordem da frase: Quem fez isso fui eu; Quem fez 
isso fomos nós; Quem chegará primeiro seremos nós. 
 
Se usar o pronome que, a concordância se fará com o nome que vier antes dele: 
 
Fui eu que FIZ isso; 
 
Fomos nós que FIZEMOS isso; 
 
Seremos nós que CHEGAREMOS primeiro. 
 
21) Sou o único político que se IMPORTA com a situação... 
 
A oração que se importa relaciona-se à palavra político (antecedente do pronome 
que), que está na terceira pessoa do singular (ele): ele se importa. Assim, o verbo 
deve concordar com tal palavra, evitando-se a concordância com a primeira 
pessoa (eu ou nós), apesar de admitida por alguns gramáticos. Outros exemplos 
relacionados: 
 
Somos a única família que se reúne (a família se reúne, ela se reúne) aos 
domingos; 
 
Sou o único professor que pula (o professor pula, ele pula) de paraquedas. 
 
22) Um milhão de pessoas SAIU 
 
Se o numeral é um (singular), o verbo também permanece invariável (singular): 
 
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Um milhão de pessoas saiu de casa (Isso mesmo!); 
 
Ouvi falar que um bilhão de telespectadores assistirá ao evento. 
 
O núcleo do sujeito, com o qual o verbo deve concordar, é a palavra \u201cmilhão\u201d (ou 
\u201cbilhão\u201d). Alguns gramáticos admitem também a concordância com o termo 
plural que o acompanha. 
 
Caso esses numerais coletivos estejam sozinhos, desacompanhados de expressões 
plurais, a concordância no singular será obrigatória: 
 
Um milhão saiu de casa; 
 
Ouvi falar que um bilhão assistirá ao evento 
 
23) Nenhum dos dois COMETEU o crime 
 
Muito cuidado quando o sujeito do verbo contiver o pronome nenhum. Mesmo se 
ele acompanhar palavra no plural ou numeral maior que um (como nenhum dos 
guardas e nenhum dos dois), o verbo sempre ficará no singular, concordando com 
nenhum. Ocorre o mesmo com o pronome algum, se estiver no singular. 
Exemplo: 
 
Algum dos funcionários FACILITOU a fuga. 
 
Se algum, entretanto, estiver no plural, poder-se-á fazer a concordância com 
ALGUNS ou com o pronome \u201cnós\u201d que o acompanhar. Exemplo: 
 
Alguns de nós FACILITARAM (ou FACILITAMOS) a fuga. 
 
 
Conosco, com nós mesmos 
 
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Está certo que aprendemos no primário a usar conosco e convosco no lugar de 
com nós e com vós. O problema é que nem sempre essa regra funciona. Dizer 
Deixe \u201cconosco\u201d mesmo agride o ouvido de qualquer um. Quando houver 
qualquer palavra (ou grupo de palavras) que reforce ou especifique o sentido do 
pronome nós (ou vós, bem menos comum), não se poderá contraí-lo com a 
preposição com. Exemplos: 
 
Deixe COM NÓS mesmos (a palavra mesmos reforça nós); 
 
Ele vai COM NÓS dois (dois especifica nós); 
 
Eles estão COM NÓS professores (professores especifica nós); 
 
Deixe conosco (não há palavra reforçando nós; logo, pode juntá-lo ao com); 
 
Ele vai conosco (idem); 
 
Eles estão conosco (idem). 
 
Crase 
 
Primeiramente, crase não é o nome daquele sinal gráfico (`). O nome do acento, 
que é contrário ao agudo (´), é grave. Crase é o nome do fenômeno da junção de 
dois as. 
 
Só se usa o acento grave, em regra, antes de palavras FEMININAS. A crase é a 
junção de, geralmente, um a preposição com um a artigo (que só acompanha 
palavras femininas, é claro). Esse fenômeno ocorre, basicamente, nas expressões 
adverbiais femininas que indicam tempo, modo e lugar e nos complementos 
femininos de verbos e nomes com a preposição a. 
 
Assim, a primeira coisa que você precisa assimilar sobre o fenômeno da crase é 
que ele, em regra, NÃO OCORRE DIANTE DE PALAVRAS MASCULINAS. 
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Alguns exemplos de CRASE EQUIVOCADA (por anteceder palavras 
masculinas): 
 
À título de ilustração, poder-se-ia argumentar... (\u201ctítulo\u201d é masculina) 
 
À teor do disposto no artigo 5º da Constituição Federal... (\u201cteor\u201d é masculina) 
 
Não há que se falar, à rigor, em inépcia da inicial. (\u201crigor\u201d é masculina) 
 
A petição não foi protocolada à tempo. (\u201ctempo\u201d é masculina) 
 
Nas frases acima, o \u201ca\u201d jamais poderia ser craseado, por posicionar-se diante de 
palavra masculina. 
 
Vejamos agora exemplos em que a crase foi corretamente sinalizada, por tratar-
se de circunstâncias femininas de tempo, modo e lugar ou de complementos 
femininos introduzidos pela preposição \u201ca\u201d: 
 
Ele encontrou a esposa à uma da tarde (circunstância feminina de tempo); 
 
Ela correu à toa (circunstância feminina de modo); 
 
Permaneça à esquerda (circunstância feminina de lugar); 
 
Vamos assistir à novela (o verbo exige a preposição a; o complemento, feminino, 
exige o artigo a). 
 
Porém, identificar essas circunstâncias femininas de tempo, modo e lugar nem 
sempre é tão fácil. Para facilitar a sua vida, existe uma regra prática muito fácil. 
Quando houver dúvidas em relação à crase antes de determinada palavra 
feminina, basta substituí-la, mentalmente, por qualquer palavra masculina, 
mantendo-se a estrutura da frase.