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atritando-as com
lenc¸o de papel ou com guardanapo de papel, etc.) Observa-se enta\u2dco que elas se
repelem mutuamente, com as duas partes se afastando lateralmente da vertical,
Figura 4.1 (b).
F
F
F
(a) (b)
F
F
F
Figura 4.1: (a) Uma tira de pla´stico neutra pende verticalmente dos dois lados
de um espeto de madeira. (b) Repulsa\u2dco entre as duas metades atritadas da tira
de pla´stico.
Pode-se tambe´m pegar dois pedac¸os de canudo de pla´stico com uns 5 cm de
comprimento cada um. Amarra-se a extremidade de um dos canudos em uma
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ponta de um \ufb01o de seda ou de na´ilon com uns 10 ou 20 cm de comprimento,
amarrando-se a outra ponta do \ufb01o em uma das extremidades do outro canudo.
Dependura-se a parte central do \ufb01o de seda em um suporte horizontal tal que
os dois canudos \ufb01quem lado a lado verticalmente, com suas extremidades livres
apontando para baixo. Atrita-se agora os dois canudos com o mesmo material
(por exemplo, com papel). Observa-se que eles se repelem. Quanto mais \ufb01no
for o suporte horizontal, melhor se visualiza o feno\u2c6meno.
Uma terceira alternativa e´ com bexigas de borracha utilizadas em aniversa´rios
de crianc¸as. Enche-se duas ou tre\u2c6s destas bexigas e elas sa\u2dco dependuradas por
\ufb01os que se unem na extremidade superior. No estado normal elas \ufb01cam encos-
tadas umas a`s outras. Atrita-se todas as bexigas no cabelo e elas sa\u2dco dependu-
radas no mesmo suporte. Observa-se que agora elas passam a se repelir, \ufb01cando
afastadas umas das outras.
Em todos estes casos estamos observando a repulsa\u2dco entre corpos feitos da
mesma substa\u2c6ncia (duas tiras de pla´stico, dois canudos ou duas bexigas) que
\ufb01caram carregados por atrito com materiais do mesmo tipo (os dois corpos
foram atritados com papel, por exemplo). Este e´ um feno\u2c6meno novo, que na\u2dco
havia aparecido nas experie\u2c6ncias anteriores.
Experie\u2c6ncia 4.2
Com a utilizac¸a\u2dco de dois verso´rios feitos de tiras r´\u131gidas obtidas do mesmo
pla´stico pode-se observar a orientac¸a\u2dco ele´trica devida a uma repulsa\u2dco entre cor-
pos. Atrita-se uma das pernas de cada um destes verso´rios de pla´stico com
o mesmo material, por exemplo, com um guardanapo de papel. Coloca-se os
verso´rios de pla´stico lado a lado, paralelos entre si, com as partes atritadas apon-
tando para o mesmo lado. Eles sa\u2dco enta\u2dco liberados em repouso mas podendo
girar ao redor de seus eixos verticais. Observa-se que as pernas atritadas se re-
pelem mutuamente, fazendo com que os verso´rios de pla´stico girem ate´ pararem
alinhados entre si, com as pernas atritadas \ufb01cando o mais afastadas poss´\u131vel
entre si, Figura 4.2.
O efeito e´ mais vis´\u131vel se os dois verso´rios estiverem bem pro´ximos. Para
evitar que as pernas na\u2dco atritadas toquem uma na outra quando eles comec¸am
a girar, pode-se colocar um dos verso´rios em uma altura um pouco menor do
que a altura do outro em relac¸a\u2dco ao solo, tal que ao \ufb01carem alinhados a perna
de um deles possa \ufb01car sobre a perna do outro.
Tambe´m deve ser observado que cada verso´rio de pla´stico gira em um sentido
apo´s serem soltos em repouso. Ou seja, o torque exercido pelo verso´rio de
pla´stico A sobre o verso´rio de pla´stico B ocorre no sentido oposto ao torque
exercido pelo verso´rio de pla´stico B sobre o verso´rio de pla´stico A. Se um deles
gira no sentido hora´rio ao ser solto do repouso, o outro gira no sentido anti-
hora´rio.
Para lembrar mais facilmente qual perna foi atritada, pode-se distinguir
entre as duas pernas de um mesmo verso´rio de pla´stico marcando-se uma delas
com uma gota de tinta, com uma caneta ou com um pequeno corte.
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F F F
F F F
F
F
F
F
F
F
(a) (b)
Figura 4.2: (a) Repulsa\u2dco entre as partes atritadas de dois verso´rios de pla´stico,
como vistos de cima, colocados paralelamente lado a lado. (b) Posic¸a\u2dco \ufb01nal de
equil´\u131brio dos dois verso´rios.
Experie\u2c6ncia 4.3
Uma outra variac¸a\u2dco da Experie\u2c6ncia 4.2 e´ a de atritar as duas pernas de cada
verso´rio. Os verso´rios sa\u2dco colocados pro´ximos entre si, quase que apontando um
para o outro. Ao serem liberados do repouso, eles giram em sentidos opostos,
ate´ pararem paralelos entre si, Figura 4.3.
(a) (b)
F
F
F
F
F
F
F
F
F
F
F
F
FFFF F F
FFFF F F
Figura 4.3: (a) Repulsa\u2dco entre dois verso´rios de pla´stico totalmente atritados,
como vistos de cima. (b) Posic¸a\u2dco \ufb01nal de equil´\u131brio.
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4.2 A Experie\u2c6ncia de Guericke da Penugem Flu-
tuante
Experie\u2c6ncia 4.4
Vamos agora fazer uma experie\u2c6ncia ana´loga a uma observac¸a\u2dco experimental
que teve grande importa\u2c6ncia histo´rica. Inicialmente pegamos uma penugem ou
um pedac¸o bem pequeno de algoda\u2dco, tipo alguns \ufb01apos. O importante e´ que seja
escolhida uma quantidade bem pequena que demore um longo tempo para cair
no ar, da ordem de uns 10 segundos para descer de uma dista\u2c6ncia de 2 metros
quando o algoda\u2dco e´ solto do repouso. Se ele cair mais lentamente e´ ainda melhor.
Por outro lado, se ele cair muito ra´pido, na\u2dco se consegue realizar a experie\u2c6ncia
que vamos descrever agora. Logo a quantidade apropriada de algoda\u2dco deve
ser escolhida de antema\u2dco. Esta experie\u2c6ncia tambe´m funciona muito bem uma
semente da planta dente-de-lea\u2dco, que termina em cerdas bem \ufb01nas, dando ao
conjunto um aspecto de paraquedas.
Em seguida atrita-se bem um canudo de pla´stico no cabelo. Para saber se
o canudo esta´ bem atritado pode-se utilizar o teste da parede, como descrito
na Experie\u2c6ncia 3.6. Depois que o canudo foi bem atritado, ele e´ mantido na
horizontal preso por uma das pontas entre o deda\u2dco e o indicador. Enta\u2dco solta-se
com a outra ma\u2dco o pequeno pedac¸o de algoda\u2dco um pouco acima do canudo. O
algoda\u2dco e´ atra´\u131do pelo canudo e \ufb01ca grudado nele. Se observarmos atentamente,
o algoda\u2dco comec¸a a se esticar, como se quisesse pular para fora do canudo. A`s
vezes ele de fato se solta. Quando isto na\u2dco acontece, podem ser dados alguns
petelecos no canudo para soltar o algoda\u2dco, ou enta\u2dco soprar de leve o algoda\u2dco.
Depois que o algoda\u2dco se soltou do canudo e comec¸ou a cair, pode-se aproximar
o canudo atritado por baixo do algoda\u2dco que ele vai comec¸ar a ser repelido
pelo canudo. A`s vezes isto na\u2dco acontece da primeira vez, sendo necessa´rio que o
algoda\u2dco seja atra´\u131do mais uma ou duas vezes pelo canudo, sendo solto a cada vez
com um sopro ou peteleco, antes de passar a ser repelido por ele. Quanto mais
eletrizado estiver o canudo, mais rapidamente o algoda\u2dco passara´ a ser repelido
por ele. Daqui por diante vamos supor que o algoda\u2dco ja´ esteja \ufb02utuando no ar,
sendo repelido pelo canudo atritado embaixo dele, como na Figura 4.4.
Na Figura 4.5 apresentamos a mesma experie\u2c6ncia feita com uma semente
de dente-de-lea\u2dco. A vantagem do dente-de-lea\u2dco em relac¸a\u2dco ao algoda\u2dco e´ que a
semente ja´ cai com uma velocidade bem lenta, apropriada para esta experie\u2c6ncia.
E´ fa´cil faze\u2c6-la \ufb02utuar acima de um canudo pla´stico atritado no cabelo, apo´s tocar
o canudo.
Ao movermos o canudo lentamente embaixo do algoda\u2dco \ufb02utuante, podemos
leva´-lo para onde quisermos dentro da sala. Caso o algoda\u2dco se aproxime do
nosso corpo, da parede ou de algum outro corpo, ele acaba sendo atra´\u131do por
este corpo e gruda nele. Se na\u2dco deixarmos o algoda\u2dco se aproximar do nosso corpo
nem de outros objetos, podemos facilmente mante\u2c6-lo \ufb02utuando a 10 ou a 20 cm
do canudo, dependendo da eletrizac¸a\u2dco do canudo. So´ que para isto o canudo na\u2dco
pode \ufb01car imo´vel, caso contra´rio o algoda\u2dco acaba se afastando dele e indo ao
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(a) (b) (c).
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Figura 4.4: (a) Uma penugem ou \ufb01apo de algoda\u2dco e´ inicialmente atra´\u131da por
um canudo atritado. (b) A penugem toca na parte atritada do canudo. (c)
Depois disto a penugem passa a ser repelida pelo canudo atritado, podendo ser
mantida \ufb02utuando sobre ele, apesar da atrac¸a\u2dco gravitacional da Terra!
(a) (b) (c).
F F F F F F F F F F F F F F F
Figura 4.5: A Experie\u2c6ncia 4.4 pode