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de um basta\u2dco de vidro na\u2dco atritado e
ela cai ao solo.
(b)
F
F
F
(a)
F
F
F
(c).
F
F
F
Figura 4.10: Experie\u2c6ncia de Gray mostrando uma penugem sendo atra´\u131da por
um vidro atritado.
Segunda experie\u2c6ncia. Se, quando a pena tiver vindo ao vidro, ela
for mantida [junto com o vidro] ao redor de 6 ou 8 polegadas [15 ou
6[Chi54], [Haub], [RR57, pa´gs. 570 e 584-585], [Hom81, pa´g. 13] e [Hei99, pa´gs. 235-236].
7[Chi54].
8[Hei81c] e [Hei99, pa´g. 236].
9[Chi54, pa´gs. 34-35].
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20 cm] distante de uma parede, de uma borda de mesa, do brac¸o
de uma cadeira, ou de algo semelhante, ela sera´ atra´\u131da para este
corpo, e dele para o vidro novamente, ocorrendo isto por 10 ou 15
vezes seguidas sem cessar; ela voa para um corpo a uma dista\u2c6ncia
maior mas enta\u2dco na\u2dco retorna ta\u2dco frequentemente. [Uma ilustrac¸a\u2dco
desta experie\u2c6ncia aparece na Figura 4.11.]
(b)
C
F
F
F
(a)
F
F
F
(c).
F
F
F
(d)
F
F
F
(e)
F
F
F
C
C
C
C
C
Figura 4.11: Experie\u2c6ncia de Gray mostrando uma penugem oscilando entre um
vidro atritado e uma parede.
Terceira experie\u2c6ncia. Quando a pena esta´ sobre o vidro e metade de
suas \ufb01bras esta\u2dco estendidas em direc¸a\u2dco a ele, com a outra [metade]
divergindo dele em dois cones, [a parte das \ufb01bras] mais afastada do
vidro e´ muito mais obtusa do que a outra [parte]; se, quando a pena
estiver nesta posic¸a\u2dco, voce\u2c6 apertar suas \ufb01bras entre seu deda\u2dco e seu
dedo [afastando-a um pouco do vidro], elas voltara\u2dco [ao vidro] ta\u2dco
logo sejam soltas e se dividira\u2dco imediatamente no vidro e, como se
tivessem preservado alguma memo´ria do dano sofrido, di\ufb01cilmente
elas sera\u2dco persuadidas a tocar seus dedos novamente, mas isto na\u2dco
ocorre sempre assim.
Quarta experie\u2c6ncia. Quando a pena veio para o vidro e foi re\ufb02etida
por ele [isto e´, depois que a penugem foi solta no ar, atra´\u131da pelo
vidro atritado, tocou nele e enta\u2dco passou a ser repelida por ele], se
voce\u2c6 segu´\u131-la com o vidro [atritado] ela fugira´ dele e na\u2dco sera´ poss´\u131vel
de maneira alguma toca´-la [com a parte atritada do vidro], ate´ que
ela seja levada para pro´ximo de uma parede na sala ou de algum
outro corpo so´lido pelo qual sera´ atra´\u131da e enta\u2dco retornara´ livremente
para o vidro [atritado], repetindo de novo suas re\ufb02exo\u2dces como na
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segunda experie\u2c6ncia. Desta forma algumas vezes transportei a pena
ao redor da sala a` dista\u2c6ncia de 5 ou 6 polegadas [13 ou 15 cm]
sem toca´-la e pude move\u2c6-la para cima e para baixo, de maneira
inclinada ou horizontalmente, em uma linha [reta] ou em c´\u131rculo, de
acordo com o movimento do vidro [atritado]. E se, quando a pena
estava \ufb02utuando no ar, eu atritasse o vidro, a pena se afastaria mais
dele, contudo, responderia ao movimento da minha ma\u2dco com um
movimento vibrato´rio que na\u2dco pode ser explicado pelo movimento
do ar.
4.3 Du Fay Reconhece a Repulsa\u2dco Ele´trica como
um Feno\u2c6meno Real
As experie\u2c6ncias que descrevemos nestas Sec¸o\u2dces trazem algo novo e extremamente
importante. Ate´ o momento so´ hav´\u131amos observado a atrac¸a\u2dco ou a falta de
atrac¸a\u2dco entre um corpo atritado e va´rias substa\u2c6ncias leves. Agora estamos
observando que existe tambe´m uma repulsa\u2dco ele´trica.
Embora algumas vezes a repulsa\u2dco ele´trica tivesse sido observada ao longo
da histo´ria, ela era em geral interpretada como um efeito colateral. A`s vezes
o feno\u2c6meno observado era interpretado apenas como uma repulsa\u2dco aparente.
Citamos aqui algumas interpretac¸o\u2dces alternativas: (a) Algumas pessoas acre-
ditavam que a aparente repulsa\u2dco fosse de fato devida a um \ufb02uxo de ar que
afastasse os corpos leves do a\u2c6mbar atritado. (b) Ou enta\u2dco a aparente repulsa\u2dco
era interpretada como sendo de fato uma atrac¸a\u2dco causada por outros corpos
vizinhos. Ou seja, de acordo com esta interpretac¸a\u2dco, na\u2dco era o a\u2c6mbar atritado
que tivesse passado a repelir o corpo leve, mas o corpo leve e´ que estaria sendo
atra´\u131do por outros corpos vizinhos que tivessem \ufb01cado carregados de alguma
maneira. Consequentemente, o corpo leve se afastaria do a\u2c6mbar atritado, sendo
que o a\u2c6mbar atritado estaria atraindo este corpo leve mais fracamente do que
os corpos vizinhos. (c) Uma outra interpretac¸a\u2dco que a`s vezes se dava a` aparente
repulsa\u2dco era que o corpo era inicialmente atra´\u131do pelo a\u2c6mbar, colidia com ele,
sendo enta\u2dco re\ufb02etido de volta para longe dele. Ou seja, teria havido um rebote
ou uma colisa\u2dco meca\u2c6nica e na\u2dco uma repulsa\u2dco ele´trica real.
O reconhecimento da repulsa\u2dco como um feno\u2c6meno leg´\u131timo e caracter´\u131stico
das interac¸o\u2dces ele´tricas so´ ocorreu com a publicac¸a\u2dco dos trabalhos de Char-
les Franc¸ois de Cisternay Du Fay (1698-1739) em 1733 e 1734,10 Figura 4.12.
Uma biogra\ufb01a muito bem escrita de Du Fay e´ a de Heilbron.11 Ao dar prossegui-
mento aos trabalhos iniciais de Stephen Gray, Du Fay publicou alguns trabalhos
nota´veis contendo descobertas fundamentais relacionadas com a eletricidade.12
Citamos aqui as palavras do Du Fay mencionando como concluiu que a
10[Hei99, pa´gs. 5 e 255-258].
11[Hei81b].
12[DF33a], [DF33c], [DF33d], [DF33b], [DF] (com traduc¸a\u2dco para o portugue\u2c6s em [BC07]),
[DF34a], [DF34b], [DF37b] e [DF37a].
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Figura 4.12: Du Fay (1698-1739).
repulsa\u2dco que observou era um feno\u2c6meno genuinamente ele´trico.13 As e\u2c6nfases em
ita´lico sa\u2dco nossas. E´ interessante observar que o pro´prio Du Fay inicialmente na\u2dco
considerava a repulsa\u2dco observada como sendo um feno\u2c6meno real, tendo mudado
de opinia\u2dco devido a`s evide\u2c6ncias experimentais.
Sobre a Atrac¸a\u2dco e Repulsa\u2dco dos Corpos Ele´tricos.
Ate´ hoje sempre consideramos a virtude ele´trica de forma geral, e
sobre esta palavra entende-se na\u2dco apenas a virtude que os corpos
ele´tricos possuem de atrair [corpos leves colocados perto deles, como
uma penugem ou uma pequena folha de ouro], mas tambe´m a virtude
de repelir os corpos que eles atra´\u131ram. Esta repulsa\u2dco na\u2dco e´ sempre
constante, e ela esta´ sujeita a variedades que me \ufb01zeram com que
a examinasse com cuidado, e creio ter descoberto alguns princ´\u131pios
muito simples que ainda na\u2dco haviam sido suspeitados, e que da\u2dco
sentido a todas estas variedades, de maneira que na\u2dco conhec¸o ate´ o
momento nenhuma experie\u2c6ncia que na\u2dco esteja de acordo [com estes
princ´\u131pios] de forma muito natural.
Observei que os corpos leves somente sa\u2dco normalmente repelidos pelo
tubo [de vidro eletrizado] quando se aproximam [destes corpos le-
ves] quaisquer [outros] corpos de um volume um pouco considera´vel,
e isto me fez pensar que estes u´ltimos corpos [grandes] haviam se
eletrizado pela aproximac¸a\u2dco do tubo e que, portanto, eles atra´\u131am
por sua vez a penugem, ou a folha de ouro, e que desta forma ele
[o corpo leve] era sempre atra´\u131do, seja pelo tubo, seja pelos corpos
vizinhos [grandes], mas que na\u2dco haveria jamais uma repulsa\u2dco real.
13[DF33b, pa´gs. 457-458].
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Uma experie\u2c6ncia que o Sr. de Reaumur [Rene´ Antoine Ferchault
de Re´aumur, (1683-1757)] me indicou, se opo\u2c6s a esta explicac¸a\u2dco;
ela consiste em colocar na borda de uma carta um pequeno monte
de po´lvora sobre a escrita, aproxima-se deste monte um basta\u2dco de
cera da Espanha eletrizada, e vemos muito claramente que ela ex-
pulsa para ale´m da carta as part´\u131culas de po´lvora, sem que se possa
suspeitar que elas sejam atra´\u131das por algum corpo vizinho.
Um outra experie\u2c6ncia ta\u2dco simples, e ainda mais sens´\u131vel, terminou
de me provar que minha conjectura era falsa. Se colocamos folhas de
ouro sobre um cristal, ao aproximarmos o tubo [de vidro eletrizado]
por baixo [do cristal], as folhas de ouro sa\u2dco expelidas para o alto
sem recair sobre o cristal, e certamente na\u2dco podemos explicar este
movimento pela atrac¸a\u2dco de algum corpo vizinho. A mesma coisa
ocorre atrave´s da gaze colorida e dos outros corpos que deixam passar
os escoamentos ele´tricos, de forma que na\u2dco podemos duvidar que na\u2dco
exista uma repulsa\u2dco real na ac¸a\u2dco