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se aplica em uma extre-
midade o tubo [de vidro] atritado; e [chamo de] suportes aos corpos
horizontais sobre os quais se apoia o condutor.
Du Fay, antes de Desaguliers, ja´ havia usado a expressa\u2dco isolado para se
referir a um condutor apoiado ou sustentado por corpos que na\u2dco deixassem a
eletricidade escapar por eles. Em 1733 ele discutiu a transmissa\u2dco da eletricidade
atrave´s de cordas suspensas por \ufb01os de seda, fato este descoberto por Gray
anteriormente. Du Fay enta\u2dco a\ufb01rmou, nossa e\u2c6nfase em ita´lico:5
Esta experie\u2c6ncia prova como e´ necessa´rio que a corda que se utiliza
para transmitir ao longe a eletricidade, seja isolada, ou seja suspensa
apenas por corpos que sejam os menos apropriados poss´\u131veis a se
carregarem eles pro´prios de eletricidade.
Em 1737 Du Fay a\ufb01rmou o seguinte, nossa e\u2c6nfase em ita´lico:6
Portanto, estando seguro desta igualdade para as experie\u2c6ncias que
desejava realizar, me servi de uma barra de ferro com uma polegada
2[Grah].
3[Desa] (se referindo a [Desc]), [Pri66, pa´g. 82] e [Hei99, pa´gs. 292-293, nota 12].
4[Desa, pa´g. 193].
5[DF33d, pa´g. 249].
6[DF37b, pa´g. 94].
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quadrada [2,54 por 2,54 cm] e com um comprimento de quatro pe´s
[122 cm]. Ela estava, como disse, suspensa sobre cordo\u2dces de seda e
isolada, com a \ufb01nalidade de que nada pudesse desviar o turbilha\u2dco
ele´trico que lhe seria comunicado [pelo tubo de vidro atritado].
E´ prova´vel que a expressa\u2dco isolante tenha se originado destas citac¸o\u2dces de Du
Fay. No Ape\u2c6ndice B apresentaremos o trabalho de Gray em mais detalhes.
Experie\u2c6ncia 6.12
Vamos agora repetir as Experie\u2c6ncias 6.10 e 6.11 para descobrir quais corpos
sa\u2dco condutores e quais sa\u2dco isolantes. O procedimento a ser adotado e´ sempre
o mesmo. Carrega-se um eletrosco´pio raspando-o com um canudo eletrizado,
como na Experie\u2c6ncia 6.2. Afasta-se o canudo. Segura-se um certo corpo com
a ma\u2dco e se toca na cartolina com alguma parte deste corpo. Caso o corpo
descarregue o eletrosco´pio, ele sera´ chamado de condutor. Caso o corpo na\u2dco
descarregue o eletrosco´pio, ele sera´ chamado de isolante.
Esta experie\u2c6ncia pode ser feita com \ufb01os de va´rias substa\u2c6ncias, sempre en-
costando apenas um \ufb01o de cada vez no eletrosco´pio eletrizado: algoda\u2dco, seda,
polie´ster, poliamida sinte´tica, cabelo, \ufb01o de cobre, etc. Pode tambe´m ser feita
com substa\u2c6ncias so´lidas como metais, madeira, vidro, borracha, pla´stico, papel,
papel de \u201cseda,\u201d etc.
Em alguns casos e´ mais fa´cil segurar no eletrosco´pio carregado pelo canudo
pla´stico que prende a cartolina e enta\u2dco tocar com uma quina da cartolina em
alguma substa\u2c6ncia, como a parede, a lousa, um arquivo de metal, etc. O cuidado
que se deve ter nestes casos e´ o de na\u2dco tocar com nosso corpo na tirinha nem
na cartolina, para evitar de descarregar o eletrosco´pio por aterramento atrave´s
do nosso corpo.
Experie\u2c6ncia 6.13
O procedimento descrito no para´grafo \ufb01nal da Experie\u2c6ncia 6.12 tambe´m e´
adequado para veri\ufb01car quais l´\u131quidos sa\u2dco condutores ou isolantes. Antes de
comec¸ar a experie\u2c6ncia, pega-se um copo ou um pote vazio que depois sera´ pre-
enchido com o l´\u131quido a ser testado. E´ melhor que o recipiente seja condutor.
Para veri\ufb01car isto, carrega-se um eletrosco´pio e toca-se o copo ou pote na carto-
lina do eletrosco´pio. Caso a tirinha abaixe, isto vai signi\ufb01car que o copo ou pote
e´ de fato condutor. Exemplos de condutores sa\u2dco copos de metal ou de madeira.
A maioria dos copos de vidro tambe´m sa\u2dco condutores. Pode-se enta\u2dco prosseguir
a experie\u2c6ncia.
Inicialmente o copo e´ cheio ate´ a borda com o l´\u131quido que se quer testar.
Vamos ilustrar o que ocorre no caso de um l´\u131quido condutor como a a´gua.
Isto esta´ ilustrado na Figura 6.15. Neste caso temos na Figura 6.15 (a) um
eletrosco´pio carregado, seguro apenas por seu canudo, sem tocarmos em sua
cartolina ou na tirinha de papel de \u201cseda\u201d. Afunda-se uma quina do eletrosco´pio
eletrizado em um copo cheio de a´gua ate´ a borda. Deve-se evitar de tocar com
a cartolina no copo. No caso da a´gua, observa-se que a tirinha se abaixa,
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Figura 6.15 (b). Ao retirarmos o eletrosco´pio da a´gua, observa-se que a tirinha
permanece abaixada, Figura 6.15 (c).
(a) (c).(b)
Figura 6.15: (a) Eletrosco´pio inicialmente carregado. (b) Afunda-se uma quina
da cartolina em um copo cheio de a´gua, observando-se que a tirinha abaixa. (c)
Ao retirar o eletrosco´pio da a´gua, a tirinha continua abaixada.
Na Figura 6.16 ilustramos o que ocorre no caso de um l´\u131quido isolante como
o o´leo vegetal de cozinha. Na Figura 6.16 (a) temos um eletrosco´pio carregado,
seguro apenas por seu canudo, sem tocarmos em sua cartolina ou na tirinha de
papel de \u201cseda\u201d. Afunda-se uma quina do eletrosco´pio eletrizado no recipiente
cheio de o´leo ate´ a borda. Deve-se evitar de tocar com a cartolina no recipiente.
Neste caso observa-se que a tirinha permanece afastada da cartolina, Figura 6.16
(b). Ao retirarmos o eletrosco´pio do o´leo observa-se que a tirinha permanece
levantada, Figura 6.16 (c).
(a) (c).(b)
Figura 6.16: (a) Eletrosco´pio inicialmente carregado. (b) Afunda-se uma quina
da cartolina em um copo cheio de o´leo vegetal ate´ a borda, observando-se que
a tirinha permanece levantada. (c) Ao retirar o eletrosco´pio da o´leo, a tirinha
permanece levantada.
O mesmo procedimento usado para testar quais l´\u131quidos sa\u2dco condutores ou
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isolantes, pode ser usado para testar a condutividade das farinhas. Ou seja, um
recipiente condutor e´ cheio com a farinha a ser testada. Afunda-se uma quina
do eletrosco´pio carregado na farinha e e´ observado se sua tirinha abaixa ou na\u2dco.
Os cuidados principais sa\u2dco o de evitar que a quina do eletrosco´pio toque no
recipiente condutor e no nosso corpo.
6.3.2 Corpos que se Comportam como Condutores e Iso-
lantes nas Experie\u2c6ncias Usuais de Eletrosta´tica
Para que a distinc¸a\u2dco entre condutores e isolantes seja mais precisa, o ideal
seria que todos os corpos a serem testados tivessem a mesma forma e o mesmo
tamanho. Por exemplo, poder´\u131amos tocar o eletrosco´pio carregado com cilindros
de mesmo dia\u2c6metro e comprimento. Por hora vamos deixar este cuidado de lado.
O resultado das Experie\u2c6ncias 6.10, 6.11, 6.12 e 6.13 realizadas com diversas
substa\u2c6ncias e´ o seguinte:
\u2219 Condutores para experie\u2c6ncias comuns de eletrosta´tica:
ar u´mido, corpo humano, todos os metais, papel, cartolina, papel de
alum\u131´nio, papel de \u201cseda,\u201d papela\u2dco, madeira, algoda\u2dco, giz, a maior parte
dos vidros a` temperatura ambiente, porcelana, a´gua de torneira, a´lcool,
xampu, querosene, leite, refrigerante, detergente, parede, lousa, rolha, fa-
rinha de trigo, fuba´, \ufb01o de acr´\u131lico, sal, ac¸u´car, serragem, couro, terra,
tijolo, a maior parte dos tipos de borracha, etc.
\u2219 Isolantes para experie\u2c6ncias comuns de eletrosta´tica:
ar seco, a\u2c6mbar, pla´stico, PVC, seda, na´ilon ou poliamida sinte´tica, vidro
aquecido, polie´ster, la\u2dc, cabelo, tubo de acr´\u131lico, isopor, barra de chocolate,
o´leo de soja de cozinha, cafe´ em po´ e alguns poucos tipos de borracha.
Experimentalmente veri\ufb01ca-se que existe um nu´mero muito maior de subs-
ta\u2c6ncias condutoras do que de substa\u2c6ncias isolantes. A partir destas duas listas
conclui-se que a maior parte dos materiais sa\u2dco condutores, bem poucos sa\u2dco iso-
lantes. Entre os condutores alguns sa\u2dco muito bons, descarregando o eletrosco´pio
quase que instantaneamente, como e´ o caso do corpo humano, dos metais, do
algoda\u2dco ou do papel. Embora a madeira seja condutora, ela na\u2dco conduz ta\u2dco
bem quanto os metais ou o corpo humano. Isto e´ indicado pelo maior tempo
necessa´rio para descarregar o eletrosco´pio quando o tocamos com a madeira,
comparado com o tempo muito curto quando o tocamos com nosso corpo ou
com algum metal.
O vidro e´ um caso a` parte. Boa parte deles descarrega o eletrosco´pio, embora
mais lentamente do que os metais. Por outro lado, se eles forem aquecidos