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e´ realmente isolante, o ideal e´ ligar os
pontos \ud434 e \ud435 na borda superior deste recipiente vazio. Ele sera´ isolante caso a
la\u2c6mpada na\u2dco acenda.
O recipiente pla´stico e´ enta\u2dco preenchido com o l´\u131quido que se quer testar.
Apo´s o recipiente ter sido preenchido, afundam-se os terminais \ud434 e \ud435 neste
l´\u131quido. Na Figura 6.28 ilustramos o que ocorre no caso da a´gua.
A B
+
-
Figura 6.28: Ao ligar as duas pontas \ud434 e \ud435 atrave´s da a´gua, observa-se que a
la\u2c6mpada na\u2dco acende.
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Como a la\u2c6mpada na\u2dco acende, conclui-se que a´ a´gua e´ uma substa\u2c6ncia isolante
quando esta´ sob a ac¸a\u2dco de uma diferenc¸a de potencial de 1,5 volt.
6.6.1 Corpos que se Comportam como Condutores e Iso-
lantes para Baixas Diferenc¸as de Potencial
Realizam-se testes com va´rios materiais utilizando procedimentos ana´logos a`s
Experie\u2c6ncias 6.17 ate´ 6.20. O resultado que se obte´m e´ o seguinte:
\u2219 Corpos que se comportam como condutores quando esta\u2dco sob a
ac¸a\u2dco de uma diferenc¸a de potencial de 1,5 V:
Todos os metais.
\u2219 Corpos que se comportam como isolantes quando esta\u2dco sob a
ac¸a\u2dco de uma diferenc¸a de potencial de 1,5 V:
Ar seco, ar u´mido, a\u2c6mbar, pla´stico, seda, madeira, vidro aquecido, vidro
a` temperatura ambiente, na´ilon ou poliamida sinte´tica, PVC, polie´ster,
la\u2dc, cabelo humano, tubo de acr´\u131lico, pano de acr´\u131lico, isopor, barra de
chocolate, cafe´ em po´, papel, cartolina, papel de \u201cseda,\u201d giz, porcelana,
a´gua de torneira ou de chuva, xampu, querosene, leite, refrigerante, deter-
gente, o´leo vegetal, parede, lousa, rolha, couro, farinha de trigo, fuba´, \ufb01o
de acr´\u131lico, sal, ac¸u´car, serragem, solo ou barro, tijolo, borracha, etc.
Comparando-se o resultado desta experie\u2c6ncia com as Experie\u2c6ncias 6.12 e
6.13, o que se observa e´ que os conceitos de condutores e isolantes sa\u2dco relativos.
Isto e´, substa\u2c6ncias como a madeira e o vidro que se comportam como condutores
nas experie\u2c6ncias usuais de eletrosta´tica, passam a se comportar como isolantes
quando esta\u2dco sob a ac¸a\u2dco de uma diferenc¸a de potencial de 1,5 V. Na\u2dco vamos
entrar em detalhes aqui, mas e´ comum gerar-se nas experie\u2c6ncias de eletrosta´tica
uma diferenc¸a de potencial da ordem de 1.000 V ate´ 10.000 V entre um canudo
pla´stico atritado e a Terra, entre um eletrosco´pio carregado e a Terra, ou entre as
extremidades de um corpo (quando se quer testar se este corpo se comporta como
um condutor ou como um isolante). Para estas altas diferenc¸as de potencial, vem
da experie\u2c6ncia que a madeira e o vidro comum se comportam como condutores.
Por outro lado, para baixas diferenc¸as de potencial como aquelas geradas pelas
pilhas, de 1 V ate´ 10 V, vem que estes materiais se comportam como isolantes.
Isto indica que deve se tomar cuidado ao classi\ufb01car os materiais em isolantes e
condutores. A\ufb01nal de contas, o comportamento das substa\u2c6ncias depende na\u2dco
apenas de suas propriedades intr´\u131nsecas, mas tambe´m da diferenc¸a de potencial
externa a que esta\u2dco submetidas. Este e´ um aspecto muito importante que na\u2dco
deve ser esquecido.
Existe uma gradac¸a\u2dco entre as experie\u2c6ncias usuais de eletrosta´tica e as ex-
perie\u2c6ncias nas quais existem diferenc¸as de potencial de poucos volts. Em outras
palavras, ha´ uma gradac¸a\u2dco entre os comportamentos dos corpos como condu-
tores ou como isolantes, quando passamos de uma diferenc¸a de potencial de
milhares de volts para uma diferenc¸a de potencial de poucos volts.
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Devido a isto, talvez fosse mais apropriado uma mudanc¸a de linguagem.
Normalmente dizemos que um certo corpo \ud434 e´ um condutor e que um outro
corpo \ud435 e´ um isolante. Pore´m, o mais correto seria dizer que sob um conjunto
de condic¸o\u2dces o corpo \ud434 se comporta como um condutor, enquanto que sob
um outro conjunto de condic¸o\u2dces ele passa a se comportar como um isolante. O
mesmo valeria para o corpo \ud435. Mas como isto tornaria as frases muito longas
e complicadas, vamos manter as expresso\u2dces de que os corpos sa\u2dco condutores ou
isolantes, mas sempre tendo em mente que estes sa\u2dco conceitos relativos, que
dependem na\u2dco apenas das propriedades intr´\u131nsecas destes corpos, mas tambe´m
das condic¸o\u2dces externas a que esta\u2dco submetidos.
6.7 Outros Aspectos que In\ufb02uenciam no Com-
portamento Condutor ou Isolante de um Cor-
po
Na Subsec¸a\u2dco 6.3.1 os condutores foram de\ufb01nidos como sendo os corpos que
descarregam um eletrosco´pio eletrizado ao entrarem em contato com ele. Ja´
os isolantes foram de\ufb01nidos como sendo os corpos que na\u2dco descarregam um
eletrosco´pio eletrizado ao entrarem em contato com ele. Na Sec¸a\u2dco 6.6 viu-se
que estas de\ufb01nic¸o\u2dces sa\u2dco relativas, ja´ que dependendo da diferenc¸a de potencial
ele´trico que existe entre as extremidades de um corpo, ele pode se comportar
como um condutor ou como um isolante. Nesta Sec¸a\u2dco mencionaremos breve-
mente outros tre\u2c6s aspectos que in\ufb02uenciam nestas de\ufb01nic¸o\u2dces.
6.7.1 O Tempo Necessa´rio para Descarregar um Eletros-
co´pio Eletrizado
Experie\u2c6ncia 6.21
Carregamos um eletrosco´pio e o deixamos sobre a mesa em um dia seco.
Observa-se que a tirinha permanece levantada por va´rios segundos ou ate´ mesmo
por alguns minutos. Pore´m, se esperarmos por um tempo su\ufb01cientemente longo,
como por exemplo uma hora, veremos que o eletrosco´pio se descarrega.
Isto signi\ufb01ca que a de\ufb01nic¸a\u2dco de condutor ou de isolante da Subsec¸a\u2dco 6.3.1
depende do tempo de observac¸a\u2dco. Para um intervalo de tempo de alguns se-
gundos vem que o ar seco e´ um bom isolante. Ja´ para um intervalo de tempo
de uma hora vem que o ar seco pode ser classi\ufb01cado como um condutor por
permitir a descarga do eletrosco´pio.
De\ufb01nic¸o\u2dces: Vamos nos referir aqui aos procedimentos experimentais des-
critos na Sec¸a\u2dco 6.3. Para os objetivos deste livro, podemos de\ufb01nir os bons
condutores como sendo as substa\u2c6ncias que, ao entrarem em contato com um
eletrosco´pio eletrizado, o descarregam em um intervalo de tempo menor do que
5 segundos. Os maus condutores ou maus isolantes sa\u2dco as substa\u2c6ncias que o
descarregam durante um intervalo de tempo que vai de uns 5 segundos ate´ uns
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30 segundos. Estes corpos tambe´m sa\u2dco chamados de condutores imperfeitos ou
de isolantes imperfeitos. Ja´ os bons isolantes sa\u2dco as substa\u2c6ncias que necessitam
de um intervalo de tempo maior do que 30 segundos para descarregar um ele-
trosco´pio eletrizado. Neste livro vamos em geral nos referir aos bons condutores
simplesmente como condutores, enquanto que os bons isolantes sera\u2dco chamados
normalmente de isolantes.
6.7.2 O Comprimento do Corpo que Entra em Contato
com um Eletrosco´pio Eletrizado
Experie\u2c6ncia 6.22
Recortam-se va´rias tiras de papel com larguras de 2 cm e comprimentos
indo de 10 cm ate´ 1 m. Carregamos um eletrosco´pio e o deixamos sobre a mesa
em um dia seco. Segura-se uma extremidade da tira de 10 cm entre os dedos e
encosta-se a outra extremidade na cartolina do eletrosco´pio carregado. Observa-
se que o eletrosco´pio descarrega rapidamente. Pela de\ufb01nic¸a\u2dco da Subsec¸a\u2dco 6.7.1,
vem que esta tira de papel pode ser considerada como boa condutora.
Carregamos novamente o eletrosco´pio e repete-se a experie\u2c6ncia com uma
tira de 30 cm. Segura-se uma extremidade da tira entre os dedos e encosta-se a
outra extremidade na cartolina do eletrosco´pio carregado. Agora ja´ se percebe
claramente o intervalo de tempo de alguns segundos que sa\u2dco necessa´rios ate´ que
ele descarregue. Dependendo do tipo de papel, vem que esta tira de 30 cm por
2 cm pode ser considerada como mau condutora.
Esta experie\u2c6ncia mostra tambe´m visivelmente que, com a passagem do tempo,
vai aumentando a quantidade de carga que o eletrosco´pio eletrizado vai per-
dendo, ver a Subsec¸a\u2dco 6.7.1. Neste caso a perda principal e´ pela tira de papel e
na\u2dco pelo ar.
Carrega-se novamente o eletrosco´pio e repete-se a experie\u2c6ncia com a tira de
1 m por 2 cm. Observa-se que o eletrosco´pio permanece carregado por va´rios
segundos.