Guia de Aves da Planicie Alagável do Alto Rio Paraná
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Guia de Aves da Planicie Alagável do Alto Rio Paraná


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Argentina e Uruguai. Reúne-se em grandes
bandos nesses deslocamentos e sua identificação é facilitada
pela cauda bifurcada.
Os ninhos são construídos em cavidades nos barrancos
de rios (andorinha-do-rio, andorinha-de-sobre-branco e
andorinha-serradora; a última também nos barrancos de
estradas), em cavidades de construções humanas e no forro
das casas (andorinha-pequena-de-casa e andorinha-
doméstica-grande), além de nidificarem em cupinzeiros e
ninhos do joão-de-barro (andorinha-do-campo).
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Alguns grupos de aves encontrados na Planície
SANHAÇUS E SAÍRAS
Os sanhaços e as saíras são aves da família Thraupidae,
caracterizada pelas belas plumagens de vários de seus
representantes. Algumas espécies de saíras, por exemplo,
reúnem uma considerável variedade de cores. Os sexos são
semelhantes em várias espécies, enquanto em outras, as
fêmeas têm colorido diferente e mais modesto que o dos
machos. A forma do bico varia bastante entre os gêneros
em tamanho, robustez, proporções e curvatura,
aparentemente estando relacionada ao comportamento
alimentar.
Em geral, a voz é chiada, pouco atraente e às vezes tão
fina como ruídos de insetos, embora sejam bastante
comunicativos. É comum a fêmea também cantar, porém
seu canto é menos desenvolvido. Alimentam-se
principalmente de matéria vegetal, como: frutos pequenos,
pedaços de frutos maiores e seus sucos, folhas, botões e
néctar. Freqüentemente consomem também invertebrados,
como complemento da dieta. Em geral, são aves que habitam
principalmente a copa das árvores, sendo comum vários
thraupídeos encontrarem-se em árvores floridas,
juntamente com beija-flores, para sugar néctar e/ou
capturar insetos atraídos pelas flores. Grande parte das
espécies participa de bandos mistos, onde várias espécies
se associam em busca de alimento. Evidências sugerem que
o tempo de permanência das espécies nestes bandos pode
estar relacionada à proporção da dieta destas que é
composta por itens de origem animal.
Das onze espécies da família registradas na planície
alagável do alto rio Paraná, o sanhaçu-cinzento (Thraupis
sayaca) certamente é a espécie mais conhecida na região,
por habitar ambientes abertos e a freqüentemente visitar
pomares, mesmo nos quintais das casas de áreas urbanas.
De porte e hábitos semelhantes ao anterior, o sanhaçu-do-
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Aves da planície alagável do alto rio Paraná
coqueiro (Thraupis palmarum) caracteriza-se pela cor verde e
pela íntima relação que possui com as palmeiras, praticamente
só sendo registrado em áreas onde estas estão presentes. Ele
tem o hábito de passar longos períodos se deslocando entre as
folhas desta árvore, onde caça invertebrados. O saí-andorinha
(Tersina viridis) e o saí-azul (Dacnis cayana) chamam a atenção
por suas belas colorações em tons azulados e também
costumam visitar pomares, embora menos freqüentemente do
que os sanhaçus. Indivíduos de saí-azul são registrados
comumente junto com os figuinhas-de-rabo-castanho
(Conirostrum speciosum), formando bandos bastante agitados
nas copas de árvores nas florestas em busca de alimento.
A saíra-de-chapéu-preto (Nemosia pileata) também habita
a copa das árvores e normalmente vive aos casais. A pipira-
vermelha (Ramphocelus carbo) é uma típica habitante das
florestas ciliares da região, sendo o macho adulto inconfundível
devido à base branca brilhante de seu bico, contrastando com
sua coloração predominantemente negra, com tons
avermelhados na frente. Vive em bandos de cerca de 20
indivíduos. O saí-canário (Thlypopsis sordida) e a saíra-amarela
(Tangara cayana) estão entre as espécies da família menos
registradas na região, sendo a primeira habitante das clareiras
no interior de florestas, suas bordas e áreas de vegetação
arbustiva, enquanto a segunda ocupa áreas mais abertas. As
outras espécies com poucos registros na região são a saíra-de-
papo-preto (Hemithraupis guira), habitante do interior e bordas
das florestas e a tietinga (Cissopis leverianus), que ocorre
também nas zonas arbustivas e áreas abertas com árvores.
Os ninhos dos sanhaçus e saíras geralmente são cestos
abertos e bem elaborados colocados na ramagem em
diferentes alturas, seja dentro de florestas ou em áreas mais
abertas. Também podem construir os ninhos em buracos de
árvores. O saí-andorinha nidifica em buracos de barrancos,
podendo ser na beira de rios, debaixo de pontes ou muros
em ruínas.
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Alguns grupos de aves encontrados na Planície
PAPA-CAPINS
O termo papa-capins é utilizado para as aves do gênero
Sporophila, pertencentes à família Emberizidae. O bico curto
e grosso, uma das características mais diagnósticas do gênero,
permite uma alimentação baseada em sementes de
gramíneas. O tamanho e a coloração do bico podem,
contudo, variar de uma espécie para outra. São aves de
pequeno porte, entre 10 e 13 cm, por vezes não chegando a
10 gramas de massa. Apresentam acentuado dimorfismo
sexual na coloração, tendo os machos um colorido variado,
com padrões de cores bem definidos, predominando o branco,
o preto, o cinza e o castanho-avermelhado. As fêmeas quase
sempre apresentam coloração pardacenta, bem mais
modesta, sendo difícil de distingui-las entre as diferentes
espécies.
Todos os filhotes nascem com a coloração parda da mãe
e os machos adquirem a coloração característica da espécie
após algumas mudas de penas (geralmente três mudas). Em
geral, quando ocorre a primeira muda de penas, o filhote
macho passa a apresentar manchas da coloração do adulto,
num fundo pardo. Este tipo de mecanismo, envolvendo um
tempo de permanência de machos imaturos em plumagem
diferenciada, protege-os de adultos com territórios
estabelecidos. Ocorrem vários casos de hibridação natural
ou com a interferência humana, através da alteração ou
extinção da paisagem original, possibilitando o contato de
populações que viviam separadas. O canto do híbrido pode
pertencer a uma ou outra espécie parental, ou ainda ser um
misto entre as duas.
O canto agradável e a facilidade de adaptação ao
cativeiro fazem com que as espécies deste grupo estejam entre
as aves mais cobiçadas pelo comércio clandestino de aves
silvestres. A territorialidade exibida durante a época
reprodutiva facilita a captura das aves (sobretudo dos
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Aves da planície alagável do alto rio Paraná
machos) por caçadores que se utilizam de \u201cchamas\u201d (aves
da mesma espécie, que funcionam como chamariz, em uma
gaiola, com alçapão) para atrair as que estão soltas,
defendendo seu território contra o que acreditam ser um
intruso. A retirada dos indivíduos machos da natureza
também favorece o processo de hibridação, pois devido à
escassez destes, as fêmeas acabam por cruzarem com machos
de outras espécies. São predominantemente granívoros,
retirando a semente do próprio colmo de capim ou no solo.
Ocasionalmente alimentam-se de insetos, principalmente na
época reprodutiva, em função da maior necessidade de
proteína para os filhotes.
Por toda a planície alagável do alto rio Paraná, o coleiro-
do-brejo (Sporophila collaris) é uma espécie facilmente
encontrada nas áreas brejosas com abundante vegetação
arbustiva, sendo um bom imitador das vozes de outras aves
que vivem neste hábitat, embora geralmente misture as
vocalizações de várias espécies, sendo difícil distinguí-las. O
curió (Sporophila angolensis) também vive neste mesmo tipo
de hábitat, porém atualmente só é registrado nas áreas mais
remotas da região, longe das cidades e vilarejos. O fato se
deve à intensa pressão de captura sofrida pela espécie, devido
a esta ser uma das preferidas pelos criadores em função de
seu belo canto.
Nas áreas abertas mais afastadas da água, o coleirinho
(Sporophila caerulescens) e o bigodinho (Sporophila lineola) são
as duas espécies do grupo mais comumente registradas, com
freqüência agregando-se a outras pequenas espécies
granívoras durante o forrageamento. Entretanto, após a
época reprodutiva, executam