Guia de Aves da Planicie Alagável do Alto Rio Paraná
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Guia de Aves da Planicie Alagável do Alto Rio Paraná


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migrações em escala variável
e sobre as quais se sabe muito pouco, praticamente não sendo
registrados na região durante alguns meses. O chorão
(Sporophila leucoptera) e o caboclinho (Sporophila bouvreuil)
foram registrados apenas esporadicamente, sendo que o
primeiro não costuma se aproximar das áreas brejosas e o
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Alguns grupos de aves encontrados na Planície
segundo o faz por vezes. Assim como o coleiro-do-brejo, o
chorão vive aos casais e não costuma se agregar às outras
espécies de aves granívoras.
Durante a estação reprodutiva, formam casais e
defendem energicamente um território que pode variar de
tamanho de uma espécie para outra. O ninho é uma tigela
aberta e rala, sendo construído geralmente a pouca altura,
mas podendo ainda ser construído a vários metros do chão.
Ambos os pais participam da construção do ninho e da
criação do filhote, sendo que os machos dedicam-se
principalmente a impedir a aproximação de outros machos,
através de uma constante vocalização na área. Depois de
saírem do ninho, os filhotes ainda são alimentados pelos pais
por alguns dias, para só então se tornarem independentes.
CHOPINS, GUAXES, GRAÙNAS E AFINS
São aves pertencentes à família Icteridae, exclusivos do
continente americano. O bico cônico, liso e pontiagudo e suas
pernas e dedos muito fortes são características típicas do
grupo. O negro é a cor predominante na plumagem, havendo
em muitas espécies manchas amarelas, laranjas ou vermelhas
localizadas geralmente nas coberteiras superiores e médias
das asas, embora se estendam por outras partes do corpo em
algumas espécies.
A cor da íris, que pode ser amarelada, azul ou vermelha,
pode variar entre os sexos e muda com a idade. Em algumas
espécies, os sexos apresentam coloração diferente. Naquelas
espécies em que machos e fêmeas têm coloração semelhante,
normalmente o macho é bem maior. Há algumas espécies
muito parecidas vivendo próximas umas as outras, o que
pode tornar difícil a identificação, principalmente daquelas
totalmente negras.
A voz da maioria das espécies consiste em assovios,
podendo compor cantos muito complexos. O joão-pinto
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Aves da planície alagável do alto rio Paraná
(Icterus croconotus) e a graúna ou pássaro-preto (Gnorimopsar
chopi) estão entre as aves cujo canto é mais apreciado no
Brasil, razão pela qual sofrem forte pressão de captura pelos
criadores. É comum imitarem vozes de outras aves, inclusive
das noturnas, assim como de alguns mamíferos. Em várias
espécies a fêmea também canta, mas nem sempre com a
mesma desenvoltura dos machos, embora a fêmea do
encontro ou melro (Icterus cayanensis) às vezes até supere o
macho. O alimento é misto e varia dependendo da época do
ano, incluindo néctar, flores, frutos e artrópodes que
localizam demonstrando grande habilidade. Exibem uma
formidável técnica de localizar comida oculta: a ave introduz
seu bico em um substrato, como frutas, brotos, folhas
enroladas, flores, favos ou pau podre e depois abre a
mandíbula forçando o material, fazendo um buraco, por onde
a ave pode inspecionar o seu interior para encontrar uma
presa ou chupar o sumo.
Algumas das espécies do grupo são habitantes típicos dos
brejos e da vegetação alagada circundante aos corpos d\u2019água
da planície alagável do alto rio Paraná, como o cardeal-do-
banhado (Amblyramphus holosericeus), o carretão (Agelasticus
cyanopus), o garibaldi (Chrysomus ruficapillus) e o chopim-do-
brejo (Pseudoleistes guirahuro), embora o último seja por vezes
também registrado em pastagens secas. Nas áreas abertas, a
espécie mais comum é o vira-bosta ou chopim (Molothrus
bonariensis), normalmente registrado em bandos que variam
bastante de tamanho. Muito semelhante a ele e ocupando o
mesmo ambiente é o vira-bosta-picumã ou chopim-de-axila-
vermelha (Molothrus rufoaxillaris), espécie bem menos comum
na região. Outra espécie que pode ser confundida com estas
duas por um observador mais desatento é a graúna.
Entretanto, esta espécie apresenta uma vocalização bastante
peculiar, que pode diferenciá-la das demais.
As outras espécies da região típicas das áreas abertas são
a polícia-inglesa-do-sul (Sturnella superciliaris), habitante
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Alguns grupos de aves encontrados na Planície
dos campos úmidos, e a iraúna-grande (Molothrus oryzivorus),
com poucos registros na região, alguns deles em bordas de
florestas. O encontro, o joão-pinto e o guaxe (Cacicus
haemorrhous) habitam principalmente as bordas das florestas,
enquanto o tecelão (Cacicus chrysopterus) vive principalmente
no interior destas, sendo a espécie do grupo com menor
número de registros na região.
Há grande variação na estratégia reprodutiva dentro deste
grupo de aves. O vira-bosta, o vira-bosta-picumã e a iraúna-
grande são parasitas de ninho, colocando seus ovos em ninhos
de outras aves para que estas os incubem e criem seus filhotes.
Mais de 50 espécies de aves já foram registradas sendo
parasitadas pelo vira-bosta, enquanto os outros dois são mais
seletivos, parasitando apenas algumas espécies da própria
família. O filhote da ave parasita geralmente se desenvolve
mais rápido e pede comida com mais insistência, diminuindo
as chances de sobrevivência dos filhotes do hospedeiro.
O joão-pinto também não constrói ninhos, apossando-se
principalmente daqueles feitos de gravetos por espécies da
família Furnaridae, sobretudo do gênero Phacellodomus.
Porém, diferente das três espécies anteriores, o joão-pinto
incuba seus ovos e cria os filhotes. As demais espécies do
grupo registradas na região constroem seu próprio ninho. O
tecelão, o encontro e o guaxe constroem ninhos em forma
de uma bolsa pendente em um galho de árvore, muitas vezes
às margens de corpos d\u2019água. Nas duas primeiras espécies,
o casal nidifica solitariamente, enquanto o guaxe nidifica em
colônias, onde normalmente todos os casais utilizam uma
única árvore. Os ninhos do carretão, do garibaldi e do
chopim-do-brejo têm a forma de uma cestinha aberta, funda
e bem forrada, podendo ser construídos em forquilhas de
arbustos sobre os brejos ou em árvores. O cardeal-do-
banhado faz um ninho de formato elipsóide, com uma
pequena entrada lateral, sendo fixado à vegetação alagada
circundante aos corpos d\u2019água, cerca de um metro acima da
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Aves da planície alagável do alto rio Paraná
superfície da água. A polícia-inglesa-do-sul constrói uma
cestinha aberta, no chão, escondida embaixo do capim,
enquanto a graúna constrói o ninho entre o emaranhado de
folhas de plantas epífitas, em buracos (até mesmo em
paredões rochosos) e também utiliza ninhos de joão-de-barro.
RHEIDAE 53
6 ESPÉCIES REGISTRADAS
A seguir, são apresentadas as 295 espécies registradas
na planície. Dentre as espécies listadas, aquelas que não
constavam nos levantamentos anteriores a esta obra para a
área de estudo estão sinalizadas com um asterisco (*) e
aquelas até então não registradas nem mesmo em áreas
adjacentes à planície estão indicadas com dois asteriscos (**).
As fotos apresentadas são representativas das espécies, mas
não distinguem entre machos, fêmeas, adultos e imaturos.
Rhea americana
Ema
(Greater Rhea)
Tamanho: 127-180 cm, 20-34 kg
Subsistema: Baía e Ivinhema
Hábitat: várzeas e áreas abertas,
preferencialmente com manchas
de vegetação mais alta
Alimentação: brotos, raízes,
folhas, frutos, sementes,
invertebrados e pequenos
vertebrados, como cobras, lagartos,
anfíbios, aves e roedores
RHEIDAE
Ema. São substitutas americanas dos avestruzes, não voam,
mas são grandes corredores. São gregárias e polígamas.
Nidificam no solo, geralmente com muitos ovos de várias
fêmeas no mesmo ninho. Pouco dimorfismo sexual.
Onívoras. Uma espécie registrada.
Aves da planície alagável do alto rio Paraná
TINAMIDAE54
TINAMIDAE
Codornas, inhambus e perdiz. Aves terrícolas quase sem
cauda; voam pouco; muito perseguidas por caçadores.
Caminham entre a vegetação e são