Guia de Aves da Planicie Alagável do Alto Rio Paraná
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Guia de Aves da Planicie Alagável do Alto Rio Paraná


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próxima à extremidade da asa, contrastando
com a cor preta predominante.
Os urubus, de forma geral, colocam seus ovos junto ao
chão próximo a raízes de árvores, ou em paredões de rocha,
como no caso do urubu-da-cabeça-preta e do urubu-da-
cabeça-vermelha. Outras espécies, como o urubu-rei e o
urubu-da-cabeça-amarela, podem optar pela nidificação em
árvores altas ou em buracos existentes em seu tronco,
respectivamente. Normalmente os urubus põem de 2 a 3 ovos,
que variam a em coloração conforme a espécie.
GAVIÕES, FALCÕES E CORUJAS
Os gaviões, falcões e corujas são conhecidas como aves
de rapina. Pertencem às famílias Pandionidae (águia-
pescadora, Pandion haliaetus), Accipitridae (gaviões e águias),
Falconidae (falcões), Tytonidae (coruja-da-igreja ou
suindara, Tyto alba) e Strigidae (corujas). Todas elas
caracterizam-se pelo bico adunco e garras afiadas, sendo
caçadoras eficientes que possuem importante papel na
regulação de presas, inclusive controlando alguns tipos de
animais que causam prejuízos ao homem. A diferença mais
notória entre os accipitrídeos e falconídeos está na morfologia
das asas. Os primeiros possuem asas mais largas e
arredondadas, propiciando que várias espécies tenham o
hábito de planar no ar. Os falconídeos apresentam forma
mais aerodinâmica, com as asas estreitas e pontudas, sendo
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Alguns grupos de aves encontrados na Planície
menos adequadas para planar, mas permitindo um vôo mais
rápido e ágil. A águia-pescadora, migratória da América
do Norte, é espécie única em sua família e comumente
avistada na região no final do segundo semestre de cada
ano.
As corujas possuem vôo silencioso graças à estrutura
de suas penas, uma adaptação à vida crepuscular-noturna
apresentada pela grande maioria das espécies. Outra
adaptação fundamental ao hábito de caçadoras noturnas é
a audição excepcionalmente desenvolvida. Já, as aves de
rapina diurnas têm a visão como principal sentido na
localização das presas, embora a audição também seja bem
desenvolvida. Os sexos são semelhantes na maioria das
espécies de aves de rapina, sendo a fêmea normalmente
maior, o que seria uma adaptação visando a segurança
destas, já que os machos deste grupo de aves tendem a ser
muito agressivos.
Dentre as 29 espécies de aves de rapina registradas na
planície alagável do alto rio Paraná, certamente a águia-
cinzenta (Harpyhaliaetus coronatus) é a mais imponente e
corresponde a um importante registro, já que consta na Lista
Nacional das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de
Extinção. Foi registrada em apenas duas oportunidades: um
indivíduo adulto sobrevoando a região e um imaturo
pousado na margem do canal Curutuba, se alimentando
de um filhote de capivara bem pequeno. Três espécies
também de porte avantajado são freqüentemente
observadas empoleiradas na vegetação florestal às margens
dos corpos d\u2019água, principalmente dos rios: a águia-
pescadora, o gavião-belo (Busarellus nigricollis) e o gavião-
preto (Buteogallus urubitinga). As duas primeiras se
alimentam principalmente de peixes vivos, enquanto o
gavião-preto tem alimentação mais diversificada,
apanhando peixes mortos ou moribundos e vários outros
animais, costumando também ser registrado em outros
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Aves da planície alagável do alto rio Paraná
hábitats.
O gavião-caramujeiro (Rostrhamus sociabilis) e o gavião-
do-banhado (Circus buffoni) também estão associados aos
ambientes aquáticos, porém aos locais de águas mais calmas,
como campos e várzeas alagados, lagoas e brejos. O primeiro
é muito sociável (característica incomum entre as aves de
rapina), agrupando-se nos locais de dormitório e se
deslocando em bandos aos locais de alimentação.
Com registros escassos e associados aos ambientes
florestais estão o gavião-miúdo (Accipiter striatus), o falcão-
relógio (Micrastur semitorquatus) e o gavião-pernilongo
(Geranospiza caerulescens). Este último possui adaptações
peculiares, que permitem ágeis deslocamentos nos troncos e
galhos de árvores, conseguindo capturar presas até em ocos.
O cauré ou falcão-morcegueiro (Falco rufigularis) também
habita as florestas e suas bordas, sendo muito ativo no
crepúsculo, já que tem os morcegos como um dos seus itens
alimentares prediletos. Outro habitante das bordas de
florestas, assim como de áreas abertas, o acauã (Herpetotheres
cachinnans), é bastante conhecido pela sua vocalização de
demarcação de território, que corresponde a um grito longo,
seqüenciado, semelhante ao seu nome popular, que pode se
estender por vários minutos. Já o gavião-de-cauda-curta
(Buteo brachyurus), com um único registro, é um habitante
de bordas de florestas e áreas abustivas próximas à água.
Outro gavião relacionado aos ambientes florestais é o gavião-
tesoura (Elanoides forficatus), uma espécie migratória e com
poucos registros na planície.
Entre as espécies mais comumente registradas na região
estão o sovi (Ictinia plumbea) e o gavião-carijó (Rupornis
magnirostris), que utilizam vários ambientes, desde que com
alguma vegetação arbórea. Nas áreas abertas, o caracará
(Caracara plancus) e o carrapateiro (Milvago chimachima) são
as espécies mais comuns e apresentam alimentação bastante
diversificada. Ambos comem até carniça, sendo o primeiro
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Alguns grupos de aves encontrados na Planície
às vezes registrado disputando grandes carcaças com os
urubus. O carrapateiro também tem o hábito de caminhar
sobre o gado deitado retirando carrapatos e bernes.
O gavião-caboclo (Heterospizias meridionalis), habitante
das áreas abertas, é bastante conhecido por seu hábito de
freqüentar áreas com incêndios, onde captura pequenos
animais que estão fugindo das chamas, além daqueles mortos
ou moribundos. Já o gavião-peneira (Elanus leucurus) é
facilmente reconhecido pelo seu hábito de caçar através da
técnica de peneirar, onde fica batendo as asas rapidamente
no ar, sem sair do lugar, procurando a presa nas áreas abertas
da planície. Ao localizá-la, deixa-se cair sobre ela, freando
com uma batida de asa quando chega próximo a ela,
apanhando-a em seguida.
Outra ave de rapina registrada nas áreas abertas, o
gaviãozinho (Gampsonyx swainsonii), destaca-se por ser o
menor dos gaviões brasileiros. O quiriquiri (Falco sparverius),
outra espécie de pequeno porte, é comum nas áreas abertas
da região e bastante conhecido pelos moradores locais. O
falcão-de-coleira (Falco femoralis), também freqüentemente
registrado na região, chama a atenção pela estratégia de caça
cooperativa por vezes aplicada pelos casais, principalmente
quando a presa é uma pequena ave.
Dentre as espécies de corujas registradas, certamente a
coruja-buraqueira (Athene cunicularia) é a mais conhecida.
Pode ser facilmente observada durante o dia pousada no solo,
em áreas abertas, junto aos seus ninhos quando estes estão
ativos. Porém, é durante a noite que se tornam mais ativas
na procura por alimento.
A corujinha-do-mato (Megascops choliba) permanece
escondida em ocos de árvores durante o dia, mas à noite é a
espécie do grupo mais comumente ouvida vocalizando na
região. Outra espécie comum na região, com vocalização
bastante característica, é o caburé (Glaucidium brasilianum),
que pode ser ouvido também durante o dia.
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Aves da planície alagável do alto rio Paraná
A coruja-orelhuda (Rhinoptynx clamator) é menos comum
na região. Foi registrada apenas em uma oportunidade,
escondida em um galpão na sede do Parque Estadual das
Várzeas do Rio Ivinhema. Habitantes das bordas e interior
de florestas, o caburé-miudinho (Glaucidium minutissimum)
e o murucututu-de-barriga-amarela (Pulsatrix koeniswaldiana)
são espécies raramente observadas na planície e pouco
conhecidas pelos moradores da região. A coruja-da-igreja,
por sua vez, habita desde as bordas de florestas até as áreas
abertas e semi-abertas, naturais ou antropizadas, incluindo
construções humanas como telhados de celeiros, prédios e
torres