Brasil e os BRICS
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para bloquear as que não lhes con-
vêm. Sua marca, embora nova no \u201cmercado\u201d, projeta a imagem de 
um poder emergente e confere força às suas manifestações. 
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o Brasil, os BriCs e o 
Cenário de inovação
Ronaldo Mota
Secretário Nacional de Desenvolvimento Tecnológico e Ino-
vação do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Professor 
Titular de Física da Universidade Federal de Santa Maria e Pesqui-
sador do CNPq. Atualmente preside os Comitês Gestores dos Fun-
dos Setoriais de Energia e Mineral. Bacharel em Física pela Univer-
sidade de São Paulo, Mestre pela Universidade Federal da Bahia, 
Doutor pela Universidade Federal de Pernambuco e Pós-Doutor 
pela University of British Columbia, no Canadá, e pela University 
of Utah, nos EUA. Em Física, a área principal de atuação é Modela-
gem e Simulação em Materiais Nanoestruturados, com ênfase em 
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Ronaldo Mota
Funcionalização de Nanotubos de Carbono. Na área da Educação, 
as áreas de interesse são Tecnologias Educacionais Inovadoras, 
Educação Superior em geral e Gestão da Inovação. Foi Secretário 
Nacional de Educação Superior, Secretário Nacional de Educação 
a Distância e Ministro Interino do Ministério da Educação. Con-
decorado pelo Presidente da República como Comendador da Or-
dem Nacional do Mérito Científico e promovido à ordem Grã-Cruz. 
E-mail para contato: ronamota@gmail.com.
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Contemporaneamente, o desenvolvimento econômico e so-cial dos países pertencentes aos BRICS tem na inovação o elemento estratégico para um possível crescimento susten-
tável. Em Dalian, na China, ocorreu, em setembro de 2011, um 
evento que reuniu as principais autoridades dos BRICS em Ciên-
cia, Tecnologia e Inovação, e no qual foram anunciadas uma De-
claração Conjunta e ações futuras, as quais são aqui brevemente 
apresentadas e analisadas. Respeitadas suas singularidades e espe-
cificidades, esses países demonstraram nas últimas décadas uma 
capacidade extraordinária de produzir ciência, além de atestarem, 
simultaneamente, uma notável fragilidade em transferir conheci-
mentos ao setor produtivo; nesse sentido, a China tem se mostra-
do uma exceção em relação aos outros países do grupo. Por fim, o 
papel específico do Brasil no contexto dos BRICS é discutido à luz 
das transformações rápidas do mundo atual, que alteraram as con-
dições de concorrência e competitividade.
inovação Como Centralidade nos BriCs
O desenvolvimento econômico e social dos países pertencen-
tes aos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) está as-
sentado, cada vez mais, em ciência, tecnologia e inovação (C,T&I) 
como elementos estratégicos para um crescimento sustentável. 
Assim, essas nações têm colocado a inovação e o apoio à Pesquisa 
e Desenvolvimento (P&D) como eixos centrais de suas estratégias 
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Ronaldo Mota
de enfretamento de crises e de promoção do crescimento no longo 
prazo1. 
Inovação refere-se ao desenvolvimento de um novo produto 
ou processo, bem como à funcionalidade inédita de um produto já 
existente, que atende a uma demanda específica do público consu-
midor ou que gera espaços previamente inexistentes de mercado2. 
Desta forma, assim compreendida, inovação está profundamente 
conectada à aplicação de novos conhecimentos associados ao de-
senvolvimento de ciência e tecnologia, sendo hoje o principal ele-
mento propulsor da economia mundial e diferenciador competiti-
vo essencial entre regiões e países.
Os cinco países dos BRICS têm cada qual sua especificidade, 
mas em geral se pode afirmar que eles têm se caracterizado pelas 
dificuldades históricas de produzir e transferir conhecimentos de 
ponta, ainda que tal realidade tenha se alterado recentemente de 
maneira diferenciada em cada um desses países.
O reconhecimento da necessidade de promoção da inovação 
no setor produtivo é um ponto comum entre vários países, no en-
tanto, as práticas de cada um deles explicitam diferenças significa-
tivas. Enquanto no Brasil e demais países dos BRICS \u2013 à exceção da 
China, onde a classificação entre empresas e governo é complexa 
\u2013 menos da metade (no caso do Brasil, em torno de 46%) do gasto 
1 Emerging Economies and the Transformation of International Business: Brazil, Russia, India and China 
(BRICS) (Subhash C. Jain ed. 2003). The conference and the publication by Elgar Press was hosted and 
sponsored by the University of Connecticut\u2019s Center for International Business Education and Research 
(CIBER), a program funded by the U.S. Department of Education. Id. at v, xv. Other CIBERs at Columbia 
University, University of Memphis, Thunderbird, the Galvin School of Management, and the University of 
Wisconsin co-sponsored the event. Id. at xiii.; KEDIA, Ben L., LAHIRI, Somnath & DEBMALYA, Mukherjee. 
\u201cBRIC Economies: Earlier Growth Constraints, Contemporary Transformations and Future Potential, and 
Key Challenges\u201d. In: Emerging Economies and the Transformation of International Business: Brazil, Russia, 
India and China (BRICS). Subhash C. Jain ed. 2003, pp. 47-48. Ver também SWEETWOOD, Diane M. 
\u201cIs Brazil\u2019s Economy Coming Back to Life?\u201d 10 Multinat\u2019l Bus. Rev. 54, 2002.
2 The Theory of Economic Development (Schumpter, J. A. ed. Trad. R. Opie da 2ª ed. alemã \u2013 Harvard 
University Press, Cambridge, 1934); The Economics of Industrial Innovation (Freeman C., Cambridge: 
MIT Press, 1982).
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O Brasil, os BRICS e o cenário de inovação
em P&D é feito pelas empresas, em outros países mais dinâmicos 
tecnologicamente (EUA, Alemanha, China, Coreia e Japão), essa 
proporção fica próxima de 70%, como pode ser observado no qua-
dro a seguir.
Porcentagem do gasto total em P&D realizado pelas empresas e 
pelo governo, em países selecionados
Fonte: MCTI \u2013 Assessoria de Acompanhamento e Avaliação, Coordenação Geral de Indicadores.
Como consequência da relativamente menor participação em-
presarial nas economias emergentes, à exceção da China, em geral, 
há um número extremamente baixo de pesquisadores que exercem 
atividades no âmbito das empresas, em comparação com os países 
mais tradicionais em C,T&I. Por exemplo, no Brasil, a maior parte 
dos pesquisadores (57%) está nas instituições de ensino superior, 
enquanto apenas 38% deles estão nas empresas, percentual bas-
tante abaixo dos índices correspondentes nos EUA, Coreia, Japão, 
Alemanha e França.
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Ronaldo Mota
Da mesma forma, o Brasil, em 2009, depositou 464 patentes 
no Escritório de Marcas e Patentes dos EUA, enquanto as econo-
mias mais avançadas ou aquelas de porte similar à brasileira osten-
taram valores mais elevados, como segue: EUA, 224.912; Japão, 
81.982; Alemanha, 25.163; Coreia, 23.950; Inglaterra, 10.568; 
França, 9.332; e Itália, 3.940. É importante destacar que neste 
quesito, China e Índia têm demonstrado um crescimento sustentá-
vel e significativo nos últimos anos, distanciando-se do Brasil e dos 
demais países dos BRICS, como pode ser visto no gráfico a seguir.
Concessões de patentes de invenção junto ao escritório 
norte-americano de patentes (USPTO)
Em suma, os países dos BRICS têm em comum a percepção da 
importância da inovação, ainda que a realidade de cada um deles 
apresente diferenças significativas.
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O Brasil, os BRICS e o cenário de inovação
iniCiativas dos BriCs
Recentemente, em setembro de 2011, em Dalian, China, ocor-
reu a primeira reunião entre líderes responsáveis pela Ciência, Tec-
nologia e Inovação dos países formadores dos BRICS, denominada 
Evento de Altas Autoridades em Ciência, Tecnologia e Inovação na 
área (SOM \u2013 em inglês: \u201cSenior Official Meeting\u201d). O evento foi 
motivado pela Declaração Conjunta resultante do Terceiro Encon-
tro entre os Líderes dos BRICS, ocorrido em abril deste mesmo ano 
em Sanya, China.
De acordo com as deliberações unânimes do recente Encon-
tro, as colaborações bilaterais e multilaterais entre os cinco países