Brasil e os BRICS
608 pág.

Brasil e os BRICS


DisciplinaOrganizações Internacionais104 materiais1.437 seguidores
Pré-visualização50 páginas
como EUA e MERCOSUL.
Observa-se deste modo que, em termos quantitativos, o comér-
cio brasileiro com os demais BRICS segue em movimento satisfatório 
de expansão, mas a diversidade e a qualidade da pauta exportadora 
brasileira ainda deixam a desejar. As exportações brasileiras para 
esses países são concentradas em commodities agrícolas e minerais. 
Considerando o período de janeiro a setembro de 2011, 80% da pau-
ta brasileira para os demais integrantes dos BRICS foram compos-
tos por bens primários. Os semimanufaturados representaram 13% 
do total e as manufaturas, apenas 7%, conforme os gráficos 1 e 2, 
a seguir. No mesmo período de 2011, para as exportações totais 
do Brasil, os básicos representaram 44,7%; os semimanufaturados, 
13,7%; e os manufaturados, 39,4%.
191
O Brasil, os demais BRICS e a agenda do setor privado
Em relação aos produtos exportados pelo Brasil, nota-se que 
minério de ferro, soja em grãos e petróleo respondem por 71,3% 
do total exportado entre janeiro e setembro de 2011. Além disso, 
a participação de outros produtos industrializados importantes 
encontra-se em declínio. Como exemplo, podem ser citados: óleo 
de soja (redução de cerca de 6,0% no valor exportado de janeiro a 
setembro de 2010 comparado ao período entre janeiro e setembro 
de 2011), laminados planos (redução de 30% no mesmo período), 
bombas e compressores (redução de cerca de 9,0%) e chassis com 
motor (redução de 13,6%).
análise do PerFil ComerCial dos 
demais BriCs Com o Brasil
Cada um dos demais membros dos BRICS possui sua própria 
característica na relação comercial com o Brasil. Entre janeiro e se-
tembro de 2011, a China foi responsável por 79,6% da corrente de 
comércio brasileira entre os parceiros dos BRICS. Em 2001, esse 
país respondia por apenas 3,3% das exportações brasileiras e 2,4% 
das importações. Atualmente, a China é destino de cerca de 15% 
das exportações brasileiras e fornecedora de 14,1% das nossas 
importações. Todos os outros países dos BRICS apresentam par-
ticipação no comércio exterior brasileiro significativamente mais 
reduzida que a da China. Índia participa com 9,7%5, Rússia com 
5 Mesmo com o Acordo de Preferências Tarifarias assinado entre o MERCOSUL e a Índia, em vigor desde 2009, 
ainda não foi possível incrementar o comércio bilateral. Talvez a Índia seja o país dos BRICS em que o comércio 
esteja mais abaixo do potencial. O Acordo ainda é tímido, limitado a cerca de 500 produtos de ambos os lados, 
e sua eventual ampliação poderá significar um importante passo para o incremento das trocas de lado a lado.
192
João Augusto Baptista Neto, Gustavo Cupertino Domingues e Alisson Braga de Andrade
8,0%6 e África do Sul7 com apenas 2,7% da corrente de comércio 
com o Brasil.
Outro relevante fator de comparação no comércio do Brasil 
com os demais membros dos BRICS é a composição da pauta. Entre 
janeiro e setembro de 2011, 83,7% das exportações para a China 
foram produtos básicos. Já os semimanufaturados e manufatu-
rados representaram 11,8% e 4,5% do total expedido para o país 
asiático. O principal produto exportado é o minério de ferro, que, 
em 2010, representou 43,3% das vendas do Brasil para a China. 
Da mesma forma, as exportações brasileiras para Índia e Rússia 
são concentradas em produtos básicos ou de pouco valor agregado: 
açúcar e carnes respondem por 83% das exportações para a Rússia 
e petróleo e açúcar, por 65,9% das exportações para a Índia.
Em termos gerais, pode-se dizer que o comércio com os russos 
se faz pela troca de carnes e açúcar por fertilizantes, e, com a Índia, 
pela troca de petróleo e açúcar por combustíveis (grande capacida-
de de refino indiana). 
Por fim, cabe analisar o comércio entre Brasil e África do Sul. 
À exceção dos demais países, o intercâmbio bilateral apresenta par-
ticipação elevada de produtos de maior valor agregado, 67,8% das 
exportações brasileiras e 60,4% das importações são de manufa-
turados. Os principais produtos exportados para a África do Sul 
no período de janeiro a setembro de 2011 foram: carne de fran-
go (12,3% do total), autopeças (8,0%), tratores (6,9%), veículos 
6 A participação da Rússia no comércio exterior brasileiro mantém-se estável nos últimos anos. Considerando 
o ano de 2001, ano da criação do acrônimo BRICS e referência para as análises deste artigo, as exportações 
brasileiras com destino à Rússia mais que triplicaram e as importações quadruplicaram. Esse foi um ano difícil 
principalmente para os exportadores brasileiros de carne. O embargo imposto por Moscou às exportações 
brasileiras de carne e as questões relacionadas à acessão da Rússia à OMC restringiram o comércio desses 
produtos. Desde junho de 2011, as exportações brasileiras de Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso estão 
proibidas, por questões sanitárias.
7 Brasil e África do Sul possuem um Acordo de Preferências Tarifárias por meio de suas Uniões Aduaneiras \u2013 
MERCOSUL e SACU \u2013, mas o acordo ainda não está em vigor. Espera-se que o comércio bilateral ganhe 
um novo impulso com sua entrada em vigência, já que ele contempla cerca de 2.000 códigos.
193
O Brasil, os demais BRICS e a agenda do setor privado
de carga (6,5%) e chassis com motor para automóveis (5,6%). Os 
produtos mais relevantes na importação foram: hulhas (11,4%), 
motores (9,6%), laminados de ferro (10%) e barras de alumínio 
(7,7%).
investimentos
A participação dos países em desenvolvimento como recepto-
res de Investimento Estrangeiro Direto (IED) tem crescido conti-
nuamente. De acordo com a Conferência das Nações Unidas para 
Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), em 2010, os países em 
desenvolvimento receberam 52% do fluxo global de IED, superan-
do, assim, as economias desenvolvidas8. No mesmo ano, as econo-
mias emergentes da Ásia, América Latina, África e a Rússia foram 
destino de US$ 574,3 bilhões em investimento. Entre os países 
em desenvolvimento, os BRICS foram destaque, com US$ 302,1 
bilhões de fluxo de IDE9.
8 UNCTAD. World Investment Report 2011. Disponível em: <http://www.unctad-cs.org/files/UNCTAD-
WIR2011-Full-en.pdf>. 
9 The World Bank. Disponível em: <http://search.worldbank.org/all?qterm=BRIC+FDI&intitle=&as_
sitesearch=&as_filetype=>.
194
João Augusto Baptista Neto, Gustavo Cupertino Domingues e Alisson Braga de Andrade
O Brasil, por exemplo, em 2010, passou da 15ª posição para a 
5ª no ranking dos principais destinos de IDE \u2013 com um total US$ 48 
bilhões. O país é o mais internacionalizado dentre os membros dos 
BRICS em termos de estoque de IED em relação ao seu PIB (18%), 
seguido por Rússia (13%), Índia (10%) e China (9%)10.
Além de terem se tornado destino privilegiado para investi-
mentos, os BRICS também têm intensificado o processo de inter-
nacionalização produtiva de suas empresas e ampliaram os inves-
timentos no exterior. Em relação ao total mundial, os fluxos de 
IED oriundos dos BRICS saltaram de 1,38%, no período de 1992 a 
1999, para 3,48% entre 2000 a 200811.
No entanto, cabe registrar que os demais BRICS ainda pos-
suem pouca relevância, em termos relativos, como investidores 
no Brasil. No triênio 2007-2009, os investimentos chineses no 
país totalizaram US$ 226,1 milhões (0,13% do total); os da África 
do Sul, US$ 9,7 milhões (0,01%); os da Rússia, US$ 6,7 milhões 
(0,01%); e os da Índia, US$ 64,4 milhões (0,06%)12.
10 IPEA. Disponível em: <http://desafios2.ipea.gov.br/003/00301009.jsp?ttCD_CHAVE=14313>.
11 IPEA. Disponível em: <http://desafios2.ipea.gov.br/sites/000/17/edicoes/60/pdfs/rd60art07.pdf>.
12 Banco Central do Brasil. Disponível em: <http://www.bcb.gov.br/rex/IED/Port/Ingressos/planilhas/ 
DivulgacaoPaises07.xls>.
195
O Brasil, os demais BRICS e a agenda do setor privado
A China, principal investidor do bloco no Brasil, vem cons-
truindo uma base internacional de fornecimento de matérias-pri-
mas