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APOSTILA DE DIREITO CIVIL II

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forma que a lei vedava, ou o 
ato a qual foi preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para 
a sua validade, como é o caso do testamento público, que exige-se a 
presença de cinco testemunhas instrumentárias, e quando o ato jurídico é 
taxativamente declarado por lei como nulo ou lhe negar efeito, como no 
caso do artº 1.428 do CCB. 
 
 
4) DA ANULABILIDADE: 
 
• Duas são as hipóteses em que surgem o ato anulável: quando é praticado 
por pessoa relativamente incapaz, e quando, a viciar o negócio jurídico, 
encontra-se um defeito tal como o erro, o dolo, a coação, a simulação ou a 
fraude. O artº 154 do CCB proclama serem anuláveis as obrigações 
contraídas pelos menores entre 16 e 18 anos, quando atuarem sem 
autorização de seus legítimos representantes, ou sem assistência de curador 
que houvesse de intervir no ato. Outrossim, a proteção legal supra referida 
ao menor púbere cessa quando ele, para se eximir de uma obrigação, mente 
sobre sua idade, no ato de contratar (artº 180 do CCB), agindo 
dolosamente e sendo o erro da outra parte escusável; quando pratica ato 
ilícito que o sujeita ao dever de reparar o dano (artº 156 do CCB), 
equiparando-o, a lei, ao maior. A nulidade parcial de um ato não prejudica 
na parte válida, se esta for da outra separável (artº 184 do CCB). É o 
princípio tradicional segundo o qual utile per inutile non vitiatur. Assim, se um 
ato jurídico pode ser desdobrado, e apenas uma de suas partes vem afetada 
pela nulidade, a outra continua válida, porque não a contamina aquele vício 
destruidor. Ex. Se a dívida contraída é nula por ser o contratante devedor 
incapaz, nula é a hipoteca que a garante. Se o contrário ocorrer, nula 
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somente será o acessório, ou seja, a hipoteca. Finalizando, anulado o ato, 
restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam. Não 
sendo possível restituí-las, serão indenizadas com o equivalente, no termos 
do artº 182 do CCB. 
 
 
CAPÍTULO VII 
 
DOS ATOS ILÍCITOS 
 
 
 
 
1) CONCEITO: 
 
• Ato ilícito é aquele praticado com infração a um dever e do qual resulta 
dano para outrem, dever esse legal ou contratual. Se alguém descumpre 
uma obrigação contratual, pratica um ilícito contratual, devendo este 
reparar o prejuízo causado, nos termos do artº 389 do CCB. Outrossim, 
por vezes o ilícito se apresenta fora do contrato, infringindo o causador 
uma norma legal por agir com dolo ou culpa, chamando este ilícito de 
responsabilidade extracontratual ou aquiliana, nos termos do preceituado 
no artº 159 do CCB, a saber: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, 
negligência ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a 
reparar o dano”. 
 
 
2) PRESSUPOSTOS DA RESPONSABILIDADE AQUILIANA: 
 
2.1) Ação ou omissão do agente: advém de uma atitude, quer ativa, no caso 
consiste num ato doloso ou imprudente, quer passiva, via de regra, se retrata 
através da negligência, no caso da ação. A omissão só ocorre quando o 
agente, tendo o dever de agir de determinada maneira, deixa de fazê-lo; 
2.2) Relação de causalidade: entre o comportamento do agente e o dano 
causado, é necessário se demonstre relação de causalidade. Outrossim, pode 
haver ato ilícito com dano, sem que um seja a causa do outro, ou que a 
relação de causalidade não fique demonstrada, tendo em vista a culpa 
exclusiva da vítima; 
2.3) Existência de dano: é a causa de um prejuízo a outrem. Tal prejuízo ou 
dano tanto pode ser patrimonial quanto moral. Ambos são indenizáveis, 
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sendo certo que no dano moral há entendimentos doutrinários e 
jurisprudências que entendem contrariamente; 
2.4) Dolo ou culpa do agente: age com dolo aquele que , intencionalmente, 
procura causar dano a outrem, consciente das conseqüências funestas de seu 
ato, assumindo o risco de provocar o evento danoso. Outrossim, atua 
culposamente aquele que causa prejuízo a terceiro em virtude de sua 
imprudência, imperícia ou negligência. Assim, em matéria de responsabilidade 
extracontratual, a necessidade de reparar o dano advém de culpa do agente 
(de qualquer grau), onde o elemento predominante é o alcance do prejuízo 
experimentado pela vítima. Lex Achilia et levissima culpa venit. Façamos a 
distinção entre culpa in concreto e culpa in abstrato: na primeira se examina a 
imprudência ou a negligência do agente, verificando as condições que cercam 
uma espécie determinada e na segunda se compara o procedimento do agente 
ao do homem normal, isto é, ao de um tipo fictício que se tem em vista, tal 
como o diligens pater familias dos romanos. O adotado pela nossa legislação é o 
da culpa in concreto. Ademais, a culpa pode ser da vítima, podendo esta ser 
exclusiva, que exclui nesse caso a responsabilidade civil do agente, e a 
concorrente com a culpa do agente, onde esta se atenua porque a vítima 
também contribuiu para o evento danoso com sua própria negligência ou 
imprudência. Mas se fato foi provocado por força maior ou caso fortuito, 
cessa igualmente a responsabilidade, pois a presença de uma dessas 
circunstâncias elimina a idéia de culpa, nos termos do artº 1058, par. único do 
CCB. 
• Casos há em que os atos causadores de dano não são considerados ilícitos, 
como preceitua o artº 188 do CCB, a saber, a legítima defesa (ver tb. artº 
1.210 CCB), o exercício regular de um direito reconhecido e os atos 
praticados em estado de necessidade. 
 
 
 
CAPÍTULO VIII 
 
DA PRESCRIÇÃO 
 
 
 
 
1) DEFINIÇÃO: 
 
• Prescrição é a perda da ação atribuída a um direito e de toda sua capacidade 
defensiva, em consequência do não-uso delas, durante um determinado 
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espaço de tempo. A inércia do credor, ante a violação de um seu direito, 
por um período de tempo fixado na lei, conduz à perda da ação de que 
todo direito vem munido, de modo a privá-lo de qualquer capacidade 
defensiva. 
 
 
2) ESPÉCIES: 
 
• Temos, portanto, dois tipos de prescrição, a aquisitiva e a extintiva. A 
prescrição aquisitiva é o deferimento pela lei à pessoa que desfruta de um 
direito por extenso período de tempo, a prerrogativa de incorporá-lo ao seu 
patrimônio. Já a prescrição extintiva determina que o indivíduo que 
longamente deixou de exercer uma ação que resguardava um seu direito 
subjetivo, perca a prerrogativa de utilizá-la. É a que engloba nosso estudo, 
pois a aquisição aquisitiva será vista em época do usucapião. 
• Conforme Beviláqua, na prescrição extintiva, o que perece não é o direito, e 
sim a ação de que seu titular estava munido e com a qual podia defender-se, 
mas, desprovido da ação, o direito perde sua eficácia, pois não se faz 
acompanhar da força coercitiva que o Estado lhe empresta. 
• As normas sobre a prescrição são de ordem pública, insuscetíveis de serem 
derrogadas por convenção entre os particulares, mas, em virtude do caráter 
cogente das normas sobre a matéria: a) os particulares não podem ajustar 
sobre a imprescritibilidade de qualquer direito; b) não podem prorrogar os 
prazos de prescrição; c) não podem a ela renunciar, antes que se consume. 
• Dois são os requisitos elementares para que se processe a prescrição, a 
saber, a inação do titular do direito e o transcurso do tempo. 
• Diferença entre prescrição e decadência: Quanto aos efeitos, a prescrição 
é suscetível de ser interrompida e não corre contra determinadas pessoas; já 
os prazos de decadência fluem inexoravelmente contra quem quer que seja, 
não se suspendendo, nem admitindo interrupção. Quanto à natureza, na 
prescrição o que perece é a ação que guarnece o direito, enquanto que na 
decadência é o próprio direito que fenece. Quanto à origem