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APOSTILA DE DIREITO CIVIL II

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(CCB 1916 - artº 74, par. único). Ex. se alguém faz uma doação de uma 
casa sob a condição deste se casar, o seu direito sobre o imóvel dependerá 
da realização do casamento, que poderá ocorrer ou não. 
• DIREITOS FUTUROS NÃO DEFERIDOS - DIVISÃO: Dentro dos direitos 
futuros não deferidos, faz-se necessário uma distinção entre Expectativa de 
Direito, Direito Eventual e Direito Condicional: 
a) Na Expectativa de Direito há uma mera possibilidade ou esperança de 
adquirir um direito e, embora a pessoa reuna os requisitos de capacidade e 
legitimidade, o direito só surge e se adquire ao se verificar o fato ou ato 
capaz de produzi-lo ou de lhe conferir aperfeiçoamento e vida. Ex. a 
situação do herdeiro testamentário que aguarda a abertura da sucessão 
(com a morte do autor da herança) não gozando de qualquer proteção 
jurídica. 
b) O Direito Eventual é um direito concebido, mas não nascido, por lhe 
faltar um elemento básico, sendo mais que uma expectativa de fato, porque 
algumas das circunstâncias de que depende o seu aperfeiçoamento já se 
produziram. Para Vicente Ráo, tratando do direito eventual, diz: “os 
direitos eventuais, pois que tendem a transformar-se em direitos 
verdadeiros e próprios, são protegidos pela ordem jurídica por preceitos de 
direito material e por meio de processos preventivos, ou conservatórios, 
porque, como dizem os autores, ‘seu titular pode pretender que outrem não 
obste, a seu arbítrio, a superveniência do elemento que falta’ (Messineo, 
Manuale) e a violação desse dever, pode mesmo constituir justa causa de 
reparação do dano sofrido pelo sujeito do direito eventual”. Ex. Herdeiro 
Legítimo. 
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c) Finalmente, Direito Condicional é o que só se perfaz pelo advento de um 
acontecimento futuro e incerto, de modo que seu titular só o adquire se 
sobrevier a condição. É a cláusula que subordina o efeito do ato a 
acontecimento futuro e incerto, de forma que o titular de um direito 
condicional só o adquire em definitivo se sobrevier a condição suspensiva. 
Ex. um advogado oferece sociedade ao seu estagiário se ele se formar em 
direito, ficando este com a possibilidade de adquirir aquele direito, se 
conseguir colar grau. 
 
3) MODIFICAÇÃO DOS DIREITOS: 
 
• MODIFICAÇÕES DOS DIREITOS: Sem que haja alteração em sua substância, 
os direitos podem sofrer modificações em seu conteúdo, objeto e em seus 
titulares, a saber: 
a) MODIFICAÇÃO OBJETIVA: tem-se a modificação objetiva quando 
atingir a qualidade ou quantidade do objeto ou conteúdo da relação jurídica. 
Será qualitativa a modificação quando o conteúdo do direito se converte em 
outra espécie; e será quantitativa a modificação se o seu objeto aumentar ou 
diminuir no volume, sem alterar a qualidade do direito, em virtude de “fato 
jurídico stricto sensu”, ou em virtude de ato jurídico do titular ou de outrem. 
b) MODIFICAÇÃO SUBJETIVA: é a pertinente ao titular, subsistindo a 
relação jurídica, hipótese em que se pode ter a substituição do sujeito de 
direito “inter vivos” ou “causa mortis”. Outrossim, tem-se, ainda, a 
modificação subjetiva quando houver multiplicação dos sujeitos. 
 
 
4) DEFESA DOS DIREITOS: 
 
DEFESA DOS DIREITOS: A defesa dos direitos vinha insculpida no artº 75 do 
CCB de 1916, pois não há direito sem ação. Numa interpretação do termo 
ação, podemos afirmar que há no direito pátrio dois tipos de defesa dos 
direitos: a autodefesa e a ação judicial. A autodefesa está garantida pelos 
artºs 188, nº I, 1210 pár. 1º e 1283 do CCB de 2002, além do direito de 
retenção e do penhor legal. Essa autodefesa, entretanto, é excepcional, porque 
pode conduzir a excessos. O meio normal para tutelar e fazer respeitar o 
direito violado, ou simplesmente ameaçado, é a ação judicial, por via da qual 
se recorre à autoridade judiciária competente para restabelecer o direito 
violado, ou proteger o direito ameaçado. Assim, para resguardar seus direitos, 
o proprietário deve praticar atos conservatórios, como o protesto, retenção, 
arresto, interpelação judicial, notificação, etc. Mas, quando sofrer ameaça ou 
violação, o direito subjetivo é protegido por ação judicial (artº 5º, XXXV, 
CF). Outrossim, além da defesa direta de seus direitos, o titular do direito 
lesado pode recorrer à defesa preventiva, que poderá ser judicial (interdito 
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proibitório - artº 1210 pár. 1º do CCB de 2002) ou extrajudicial (cláusula 
penal, arras, fiança, etc.), que visam impedir a violação do direito. De outra 
forma, para se propor uma ação judicial, necessário se faz ter interesse, 
qualidade e capacidade, nos termos dos artºs 76 do CCB de 1916 e 2º e 3º do 
Código de Processo Civil. Outrossim, o CCB de 2002 absteve-se de repetir 
noções indispensáveis, mas próprias de direito processual. Desta forma, são 
condições essenciais para o exercício da ação o direito, o interesse, a qualidade e a 
capacidade. Não basta ter direito para propor ou contestar ação. Indispensável 
é também o interesse de agir, que é a medida das ações. Aparece esse interesse 
quando ameaçado o direito, ou já lesado. Ordinariamente, o interesse é 
econômico, apreciável em dinheiro, compreendida tanto a defesa do direito 
pessoal como do direito real. Mas o interesse também pode ser moral, por 
dizer respeito à honra, à liberdade, ao estado da pessoa, ao decoro e à 
profissão, quando tocar diretamente ao autor ou à sua família. O interesse 
deve ser legítimo, direto e imediato. Se ilícito ou imoral, extinguir-se-á o 
processo sem julgamento do mérito (artº 267 do CPC). Responde por perdas 
e danos aquele que pleitear de má fé como autor, réu ou interveniente, 
considerando-se como litigante de má fé aquele que deduzir pretensão ou 
defesa cuja falta de fundamento não possa razoavelmente desconhecer, bem 
como quem alterar intencionalmente a verdade dos fatos ou usar do processo 
com o intuito de conseguir objetivo ilegal (artºs 16 e 17 do CPC). 
 
 
5) EXTINÇÃO DOS DIREITOS: 
 
• Nos termos do que previa os artigos 77 e 78 do CCB de 1916, os direitos 
extinguem-se quando ocorrer: 
1) Perecimento do objeto sobre o qual recaem (artºs 77 e 78, I, II e III) se 
ele perder suas qualidades essenciais (campo invadido pelas águas) ou valor 
econômico (cédulas recolhidas) (artº 78, inc. I); se confundir com outro de 
modo que se não possa distinguir (confusão, mistura de líquidos, comistão de 
sólidos, e adjunção, justaposição de uma coisa à outra) (artº 78, inc. II); e 
ainda se cair em lugar onde não pode mais ser retirado (anel que cai no mar) 
(artº 78, inc. III); 
2) Alienação, que é ato de transferir o objeto de um patrimônio a outro, 
havendo perda do direito para o antigo titular; 
3) Renúncia, que é ato jurídico pelo qual o titular de um direito dele se 
despoja, sem transferi-lo a quem quer que seja, renunciáveis os direitos 
atinentes ao interesse privado de seu titular, salvo proibição legal. 
Insuscetíveis de renúncia são os direito públicos e os que envolvem interesses 
de ordem pública, como os de direito de família (pátrio poder, poder marital, 
etc.) e os de personalidade (vida, honra, liberdade, etc.); 
 
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4) Abandono, que é a intenção do titular de se desfazer da coisa, porque não 
quer mais continuar sendo seu dono; 
5) Falecimento do titular, sendo o direito personalíssimo e por isso 
intransmissível (artºs 114 e 115 da Lei 9.610/98, 520 e 560 do CCB de 2002); 
6) Prescrição, que extingue o direito de ação; 
7) Decadência, que extingue o próprio direito; 
8) Abolição de uma instituição jurídica, como aconteceu com a 
escravidão; 
9) Confusão, se numa só pessoa se reúnem as qualidades de credor e de 
devedor (CCB 2002, artºs 381, 1410, VI e 1436, IV);