Guia de Vigilância Epidemiológica
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de emergência, destacam-se 
três iniciativas: o treinamento de pro\ufb01ssionais; a avaliação e o fortalecimento de capacidades bási-
cas de vigilância e resposta às emergências de saúde pública; e a implantação da Rede CIEVS.
Programa de Treinamento em 
Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (Episus)
A partir de 2000, vem sendo desenvolvido pelo Ministério da Saúde o Programa de Treina-
mento em Epidemiologia Aplicada aos Serviços do SUS (Episus), em colaboração com os Centers 
for Disease Control and Prevention (CDC), dos Estados Unidos. Até 2009, 67 pro\ufb01ssionais foram 
formados e 21 encontram-se em treinamento. Nestes treinamentos em serviço, que vem sendo 
conduzidos no âmbito da SVS/MS, os pro\ufb01ssionais de saúde pública são habilitados para proceder 
Estrutura para Respostas às Emergências em Saúde
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a detecção, investigação, análise e resposta às emergências de saúde pública, por meio da utilização 
de atividades teóricas e em campo. Enquanto nos anos iniciais, o Episus era voltado para formação 
de técnicos que iriam compor a equipe da SVS, do Ministério da Saúde, atualmente muitos pro\ufb01s-
sionais formados compõem as equipes de outros órgãos e instâncias do SUS, tais como a Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), secretarias estaduais e municipais de saúde. 
Nos últimos anos, tem sido apoiada a descentralização deste treinamento para as secretarias 
estaduais de saúde, acompanhando a formação de unidades de respostas rápidas nos estados, com 
o objetivo de que todas as esferas de governo que compõem o SUS venham a ser contempladas com 
pro\ufb01ssionais adequadamente capacitados para detectar, investigar e responder às emergências de 
saúde pública, no seu âmbito de atuação. 
Atualmente, o Episus é coordenado pela Rede CIEVS, que gerencia a estrutura, os instru-
mentos e os pro\ufb01ssionais capacitados, elementos chaves para detecção, monitoramento e pro-
cesso de decisão-ação das emergências, ao tempo em que propicia que as investigações de campo 
sejam acompanhadas pelos alunos do curso. 
Capacidades do Sistema de Vigilância Epidemiológica do Brasil
A estratégia técnica-operacional adotada pelo Ministério e Secretarias Estaduais e Munici-
pais de Saúde tem provido o SUS de mecanismos capazes de responder a muitas das emergências 
de saúde pública. Contudo, em função da complexidade do cenário mundial no que se refere à 
ocorrência das doenças emergentes, com potencial de se expressarem sob a forma de epidemias 
e pandemias, entendeu-se ser imperativo fortalecer, cada vez mais o SNVE, de modo a atender as 
normas do RSI 2005 e às emergências de saúde pública de importância nacional. Para que as polí-
ticas de fortalecimento sejam efetivas é preciso que sejam subsidiadas por estudos avaliativos, que 
apontem as fragilidades do sistema e indiquem formas de superação. 
Nesse sentido, entre abril de 2008 a junho de 2009, foi conduzida uma avaliação da organiza-
ção e das capacidades de vigilância e resposta do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica 
do Brasil. Essa avaliação compreendeu aspectos referentes à gestão do sistema, estrutura e funções 
da VE, rede de laboratórios de saúde pública e rede de atenção e envolveu o Ministério da Saúde, as 
27 Secretarias Estaduais, todas as 27 capitais e mais 79 municípios, além da Anvisa, do Ministério 
da Agricultura e a Defesa Civil. Outro componente de avaliação, referente à vigilância de portos, 
aerportos e fronteiras internacionais, foi conduzido pela Anvisa, permitindo analisar ambas as 
dimensões da capacidade de resposta de saúde pública às emergências. No âmbito da vigilância 
epidemiológica, o processo foi conduzido mediante entrevistas presenciais com pro\ufb01ssionais e di-
rigentes que atuam, direta e indiretamente nas ações de vigilância epidemiológica, considerados 
informantes chaves (coordenadores, diretores, chefes de programas, dentre outros) dos três níveis 
do sistema, durante três reuniões convocadas para tal \ufb01m. 
Os resultados dessa avaliação evidenciaram que SNVE está relativamente bem estruturado, 
no que pese a existência de alguns nós críticos. Foi possível constatar que as três esferas de gestão 
do SUS contam com equipes destinadas à detecção e avaliação de risco de ocorrência de emergên-
cias de saúde pública. Tanto o nível central, como estaduais e as capitais dispõem de pro\ufb01ssionais 
capacitados para realizar investigações epidemiológicas e conduzir processos direcionados à redu-
ção e/ou à contenção de um problema de saúde, que se expresse sob a forma de epidemias, surtos 
ou casos isolados. Mesmo nos municípios de pequeno porte (>50.000 habitantes), foi veri\ufb01cado 
que a grande maioria (mais de 95%) já contam com pro\ufb01ssionais para desenvolver as atividades de 
VE, contudo nem todos têm capacidade de investigar e implantar respostas rápidas na vigência de 
emergências de saúde pública. No entanto, todos referiram dispor de instrumentos formais e/ou 
informais de articulação para acionar as equipes das Diretorias Regionais ou do nível central das 
Secretarias Estaduais de Saúde, para que as medidas para diagnóstico e contenção do problema 
sejam adotadas. Também foi possível concluir que o sistema de vigilância nacional permite a in-
corporação de novos eventos, assim como existe um \ufb02uxo direto de noti\ufb01cação (entre os níveis de 
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gestão do SUS) em portos, aeroportos e fronteiras, de forma articulada com a Vigilância Sanitária. 
Além de fontes formais, o sistema utiliza fontes informais, dispõe de procedimentos técnicos-ope-
racionais padronizados e critérios de\ufb01nidos para detecção de eventos. Os aspectos indicados para 
melhorar a capacidade de detecção e resposta do sistema de VE foram aqueles referentes à elevação 
da capacidade de análise das equipes, \ufb02uxo e resposta dos exames laboratoriais e capacitação dos 
recursos humanos. Dentre as di\ufb01culdades encontradas, destacou-se o não conhecimento do Ins-
trumento de Decisão do RSI/2005 (Anexo1), indicando a necessidade não só de sua divulgação, 
como também de treinamentos que orientem a sua utilização. Assim, as informações obtidas, nesta 
avaliação, trouxeram subsídios para orientar a de\ufb01nição de prioridades das ações que devem ser 
adotadas com vistas ao aperfeiçoamento do sistema de VE. 
No que se refere especi\ufb01camente à capacidade de resposta às emergências de saúde pública de 
importância nacional e internacional (ESPIN e ESPII), veri\ufb01cou-se que a criação, no SUS, de uma 
rede nacional de alerta e resposta, descrita no próximo ítem, tem sido de fundamental importân-
cia para atender a essas emergências.
Centros de Informações Estratégicas e Respostas em 
Vigilância em Saúde e Rede Nacional de Alerta e Respostas 
às Emergências em Saúde Pública (Rede CIEVS)
Os Centros de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde (CIEVS) são 
estruturas técnico-operacionais que vêm sendo implantadas nos diferentes níveis do sistema de 
saúde (SVS, estados e municípios). Essas estruturas, voltadas para a detecção e resposta às emer-
gências de Saúde Pública, são unidades que têm as seguintes funções: análise contínua de pro-
blemas de saúde que podem constituir emergências de saúde pública, para emissão de \u201csinal de 
alerta\u201d; gerenciamento e coordenação das ações desenvolvidas nas situações de emergência, sendo 
consideradas fundamentais para enfrentamento de epidemias e pandemias. Assim, os pro\ufb01ssionais 
que atuam nos CIEVS participam da tríade constitutiva da vigilância epidemiológica: informação-
decisão-ação. 
A Rede CIEVS, formada pelos Centros situados nas Secretarias de Saúde Estaduais e Munici-
pais. Até o ano de 2009, esta Rede conta com 15 unidades estaduais e mais 7 instaladas em capitais, 
além da unidade nacional, sediada e sob gestão da Secretaria de Vigilância em Saúde/MS. Essa 
última coordena