Guia de Vigilância Epidemiológica
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parte da sua crítica para um segundo momento 
\u2013 nas análises de rotina da qualidade das bases de dados efetuadas nos diversos niveis do sistema, 
conforme preconizado nas normas operacionais do Sinan.
Preconiza-se que, em todas as instâncias, os dados aportados pelo Sinan sejam consolidados e 
analisados, e que haja uma retroalimentação dos níveis que o precederam, além de sua redistribui-
ção, segundo local de residência dos pacientes, objetos das noti\ufb01cações. No nível federal, os dados 
do Sinan são processados, analisados e divulgados, em links para cada agravo disponibilizados no 
site www.saude.gov.br e tabulação de dados no www.saude.gov.br/sinanweb.
A partir da alimentação do banco de dados do Sinan, pode-se calcular a incidência, prevalência, 
letalidade e mortalidade, bem como realizar análises, de acordo com as características de 
pessoa, tempo e lugar, particularmente, no que tange às doenças transmissíveis de noti\ufb01cação 
obrigatória. Além disso, é possível avaliar-se a qualidade dos dados.
As informações da \ufb01cha de investigação possibilitam um conhecimento em maior profundi-
dade acerca da situação epidemiológica do agravo investigado, das fontes de infecção, do modo de 
transmissão, da identi\ufb01cação de áreas de risco, dentre outros, importantes para o desencadeamen-
to das atividades de controle. A manutenção periódica da atualização da base de dados do Sinan é 
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fundamental para o acompanhamento da situação epidemiológica dos agravos incluídos no siste-
ma. Dados de má qualidade, ou seja, aqueles oriundos de \ufb01chas de noti\ufb01cação ou investigação com 
campos essenciais em branco, incongruências entre dados (casos com diagnóstico laboratorial po-
sitivo, porém encerrados como critério clínico), duplicidades de registros, entre outros problemas, 
apontam para a necessidade de uma avaliação sistemática da qualidade da informação coletada e 
digitada em todos os níveis do sistema. 
O Sinan registra dados indispensáveis ao cálculo dos principais indicadores extremamente 
úteis, tais como as taxas de incidência, letalidade e mortalidade, coe\ufb01ciente de prevalência, entre 
outros.
 
Indicadores são variáveis suscetíveis à mensuração direta, produzidos com periodicidade 
de\ufb01nida e critérios constantes. Disponibilidade de dados, simplicidade técnica, uniformidade, 
sinteticidade e poder discriminatório são requisitos básicos para a sua elaboração. Os 
indicadores de saúde re\ufb02etem o estado de saúde da população de uma comunidade.
Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM)
Criado em 1975, este sistema de informação iniciou sua fase de descentralização em 1991, 
dispondo de dados informatizados a partir do ano de 1979.
Seu instrumento padronizado de coleta de dados é a declaração de óbito (DO), impressa em 
três vias coloridas, cuja emissão e distribuição, em séries pré-numeradas para os estados, são de 
competência exclusiva do Ministério da Saúde. A distribuição para os municípios \ufb01ca a cargo das 
secretarias estaduais de saúde, devendo as secretarias municipais se responsabilizar pelo controle e 
distribuição entre pro\ufb01ssionais médicos e instituições que a utilizem, bem como pelo recolhimento 
das primeiras vias em hospitais e cartórios.
O preenchimento da DO deve ser realizado exclusivamente por médicos, exceto em locais 
onde não existam esses pro\ufb01ssionais, situações nas quais poderá ser preenchida por o\ufb01ciais de 
Cartórios de Registro Civil, sendo também assinada por duas testemunhas. A obrigatoriedade 
de preenchimento desse instrumento, para todo óbito ocorrido, é determinada pela lei federal 
n° 6.015/73. Em tese, nenhum sepultamento deveria ocorrer sem prévia emissão da DO, mas, na 
prática, sabe-se da ocorrência de sepultamentos, em cemitérios clandestinos, o que afeta o conhe-
cimento do real per\ufb01l de mortalidade, sobretudo no interior do país. 
O registro do óbito deve ser feito no local de ocorrência do evento. Embora o local de residên-
cia seja a informação mais utilizada, na maioria das análises do setor saúde, a ocorrência também 
é importante no planejamento de algumas medidas de controle, como, por exemplo, no caso dos 
acidentes de trânsito e doenças infecciosas, que exijam adoção de medidas de controle no local de 
ocorrência. Os óbitos ocorridos, fora do local de residência, serão redistribuídos, quando do fecha-
mento das estatísticas, pelas secretarias estaduais e pelo Ministério da Saúde, permitindo, assim, o 
acesso aos dados, tanto por ocorrência, como por residência do falecido.
O SIM se constitui em um importante elemento para o Sistema Nacional de Vigilância 
Epidemiológica, tanto como fonte principal de dados, quando há falhas de registro de casos 
no Sinan, quanto como fonte complementar, por dispor também de informações sobre as 
características de pessoa, tempo e lugar, assistência prestada ao paciente, causas básicas e 
associadas de óbito, que são extremamente relevantes e muito utilizadas no diagnóstico da 
situação de saúde da população.
As informações obtidas através das DO possibilitam também o delineamento do per\ufb01l de 
morbidade de uma área, no que diz respeito às doenças mais letais e às doenças crônicas não 
Sistemas de Informação em Saúde e Vigilância Epidemiológica
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68 Secretaria de Vigilância em Saúde /MS
sujeitas à noti\ufb01cação compulsória, representando, praticamente, a única fonte regular de dados. 
Para as doenças de noti\ufb01cação compulsória, a utilização e\ufb01ciente dessa fonte de dados depende da 
veri\ufb01cação rotineira, da presença desses agravos, no banco de dados do Sinan.
O \ufb02uxo da declaração de óbito encontra-se apresentado na Figura 2 e o acesso às suas infor-
mações consolidadas para o nível nacional, regional, estadual e municipal é disponibilizado em 
disco compacto (CD-ROM) e via Internet pelo endereço: www.datasus.gov.br.
Figura 2. Fluxo da declaração de óbito
Fonte: SVS/MS, Portaria nº 20, de 3 de outubro de 2003
Encaminha
Médico 
acompanhante
1a via
2a via
3a via
Preenche
Encaminha
Arquivo
1a via
2a via
3a via
Hospital, Serviço de Veri\ufb01caçãoo de 
Óbitos, Instituto Médico Legal
Cartório de 
Registro Civil
Família
Secretaria 
Municipal de Saúde
Preenche
Arquivo
Cartório de 
Registro Civil
Família
Morte natural em estabelecimento 
de saúde e morte por acidentes
Morte natural fora de 
estabelecimento de saúde, com 
assistência médica
Morte natural domiciliar sem 
assistência médica
Encaminha
Cartório de 
Registro Civil
1a via
2a via
Secretaria 
Municipal de Saúde
3a via
Preenche
Arquivo
Secretaria 
Municipal de Saúde
69Secretaria de Vigilância em Saúde / MS
Uma vez preenchida a DO, quando se tratar de óbito por causas naturais, ocorrido em esta-
belecimento de saúde, a primeira via (branca) será da secretaria municipal de saúde; a segunda 
(amarela) será entregue aos familiares do falecido, para registro em Cartório de Registro Civil e 
emissão da Certidão de Óbito, \ufb01cando retida no cartório; e a terceira (rosa) \ufb01cará arquivada no 
prontuário do falecido. Nos óbitos por causas naturais ocorridos fora de estabelecimento de saúde 
e com assistência médica, o médico que fornece a DO deverá levar a primeira e terceira vias para a 
SMS, entregando a segunda para os familiares realizarem registro em Cartório. Nos casos de óbi-
tos de causas naturais sem assistência médica, em locais que disponham de serviço de veri\ufb01cação 
de óbitos (SVO), esses serão responsáveis pela emissão da DO, obedecendo o mesmo \ufb02uxo dos 
hospitais. Em lugares onde não exista SVO, um médico da localidade deverá preencher a DO, obe-
decendo ao \ufb02uxo referido anteriormente, para óbitos ocorridos fora de estabelecimento de saúde, 
com assistência médica. Nos óbitos por causas naturais em localidades sem médicos, o responsá-
vel pelo falecido, acompanhado de duas