Guia de Vigilância Epidemiológica
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destinado a prevenir as recidivas, parti-
cularmente as que incidem a longo prazo. Sinônimo de tratamento radical.
TRATAMENTO PROFILÁTICO: tratamento de um caso clínico ou de um portador, com a finali-
dade de reduzir o período de transmissibilidade.
TUBITO: pequeno tubo usado para acondicionamento de larvas, quando da remessa ao laboratório.
VACINA: preparação contendo microrganismos vivos ou mortos ou suas frações, possuidora de 
propriedades antigênicas. São empregadas para induzir, em um indivíduo, a imunidade ativa e 
específica contra um microrganismo.
VEÍCULO: ser animado ou inanimado que transporta um agente etiológico. Não são consideradas, 
como veículos, as secreções e excreções da fonte primária de infecção, que são, na realidade, um 
substrato no qual os microrganismos são eliminados.
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VEÍCULO ANIMADO (vetor): artrópode que transfere um agente infeccioso da fonte de infecção 
para um hospedeiro suscetível.
VEÍCULO INANIMADO: ser inanimado que transporta um agente etiológico. Os veículos inani-
mados são: água, ar, alimentos, solo e fômites.
VETOR BIOLÓGICO: vetor no qual se passa, obrigatoriamente, uma fase do desenvolvimento de 
determinado agente etiológico. Erradicando-se o vetor biológico, desaparece a doença que trans-
mite.
VETOR MECÂNICO: vetor acidental que constitui somente uma das modalidades da transmissão 
de um agente etiológico. Sua erradicação retira apenas um dos componentes da transmissão da 
doença.
VIGILÂNCIA DE DOENÇA: levantamento contínuo de todos os aspectos relacionados com a 
manifestação e propagação de uma doença, importantes para o seu controle eficaz. Inclui a coleta 
e avaliação sistemática de :
\u2022 dados de morbidade e mortalidade;
\u2022 dados especiais de investigações de campo sobre epidemias e casos individuais;
\u2022 dados relativos a isolamento e noti\ufb01cação de agentes infecciosos em laboratório;
\u2022 dados relativos à disponibilidade, uso e efeitos adversos de vacinas, toxóides, imunoglobu-
linas, inseticidas e outras substâncias empregadas no controle de doenças;
\u2022 dados sobre níveis de imunidade em certos grupos da população.
Todos esses dados devem ser reunidos, analisados e apresentados na forma de informes que se-
rão distribuídos a todas as pessoas que colaboraram na sua obtenção e a outras que necessitem 
conhecer os resultados das atividades da vigilância, para fins de prevenção e controle de agravos 
relevantes à saúde pública. Esses procedimentos aplicam-se a todos os níveis dos serviços de saúde 
pública, desde o local até o internacional.
VIGILÂNCIA DE PESSOA: observação médica rigorosa, ou outro tipo de supervisão de contatos 
de pacientes com doença infecciosa, que visa permitir a identificação rápida da infecção ou doen-
ça, porém sem restringir liberdade de movimentos.
VIGILÂNCIA SANITÁRIA: observação dos comunicantes durante o período máximo de incu-
bação da doença, a partir da data do último contato com um caso clínico ou portador, ou da data 
em que o comunicante abandonou o local em que se encontrava a fonte primária de infecção. Não 
implica restrição da liberdade de movimentos.
VIRULÊNCIA: grau de patogenicidade de um agente infeccioso.
ZOOANTROPONOSE: infecção transmitida aos animais, a partir de reservatório humano.
ZOONOSES: infecção ou doença infecciosa transmissível, sob condições naturais, de homens a 
animais e vice-versa.
Caderno 1
In\ufb02uenza
In\ufb02uenza
1Secretaria de Vigilância em Saúde / MS
INFLUENZA (gripe)
CID 10: J10 a J11
Características gerais
Descrição 
A in\ufb02uenza ou gripe é uma infecção viral aguda do sistema respiratório, de elevada trans-
missibilidade e distribuição global. Um indivíduo pode contraí-la várias vezes ao longo da vida 
e, em geral, tem evolução autolimitada. Contudo, de acordo com a diversidade antigênica de seu 
agente etiológico, esta doença pode se apresentar de forma mais ou menos grave. Desse modo, 
na perspectiva da Saúde Pública, esta doença se constitui em distintos problemas que, apesar de 
interrelacionados, demandam abordagens especí\ufb01cas de vigilância e controle, dependendo da gra-
vidade das manifestações clínicas e do potencial pandêmico, razão pela qual são apresentadas, a 
seguir, as principais características das síndromes gripais, cujos agentes circulam ou circularam 
mais recentemente.
In\ufb02uenza sazonal
Classicamente, o quadro clínico da in\ufb02uenza sazonal tem início abrupto, com febre \u226538°C, 
tosse seca, dor de garganta, mialgia, dor de cabeça e prostração, com evolução autolimitada, de 
poucos dias. Sua principal complicação são as pneumonias, responsáveis por um grande número 
de internações hospitalares no país. Os vírus da in\ufb02uenza apresentam variações antigênicas que 
resultam em alterações parciais da sua estrutura genética. Esse fenômeno propicia a ocorrência 
cíclica da doença na população, motivo de absenteísmo escolar e no trabalho, e uma grande so-
brecarga de atendimento nos serviços de saúde. No Brasil, o padrão de sazonalidade varia entre as 
diversas regiões, sendo mais marcado naquelas que têm estações climáticas bem de\ufb01nidas, ocor-
rendo com maior frequência nos meses mais frios, em locais de clima temperado, ou no período 
chuvoso, em locais de clima tropical. A in\ufb02uenza sazonal pode manifestar-se por meio de surtos 
anuais de magnitude, gravidade e extensão variáveis. É também frequentemente confundida com 
outras viroses respiratórias, por isso o diagnóstico para con\ufb01rmação geralmente é feito mediante 
exame laboratorial especí\ufb01co. Para efeito de vigilância epidemiológica, utiliza-se a abordagem de 
síndrome gripal.
In\ufb02uenza pandêmica ou com potencial pandêmico
Os vírus da in\ufb02uenza A e B possuem vários subtipos que sofrem contínuas mutações, sur-
gindo novas cepas. Em geral, as novas cepas que passam a infectar humanos apresentam diferen-
tes graus de distinção em relação àquelas até então circulantes, devido ao referido processo de 
mutação, possivelmente por meio da recombinação de genes entre cepas que infectam diferentes 
espécies animais. Quando isso acontece, o risco de produção de epidemias ou pandemias é muito 
elevado, em virtude da suscetibilidade das populações aos novos subtipos. A detecção de epizoo-
tias de in\ufb02uenza aviária de alta patogenicidade \u2013 vírus A(H5N1) \u2013, principalmente em aves sil-
vestres, na Ásia, África e Europa, teve repercussões para a economia dos países afetados e para a 
saúde humana. Em abril de 2009, foi decretada pandemia provocada pelo novo vírus da In\ufb02uenza 
A(H1N1)2009 pandêmica, que está circulando em mais de 170 países, o que colocou em alerta a 
Saúde Pública mundial. Para o enfrentamento dessas situações, planos para as fases de contingên-
cia e de mitigação são elaborados e atualizados periodicamente, tanto pela Organização Mundial 
de Saúde (OMS) e suas regionais, quanto pelas autoridades de saúde envolvidas com a vigilância 
epidemiológica da in\ufb02uenza dos países atingidos ou sob risco de serem atingidos. 
Guia de Vigilância Epidemiológica | Caderno 1
2 Secretaria de Vigilância em Saúde /MS
Sinonímia
Gripe, in\ufb02uenza humana sazonal, in\ufb02uenza humana pandêmica, in\ufb02uenza A(H1N1)2009 
pandêmica, in\ufb02uenza aviária.
Agente etiológico
A doença é causada pelos vírus In\ufb02uenza, da família Ortomixiviridae. São vírus com RNA de 
hélice única, que se subdividem em três tipos antigenicamente distintos: A, B e C. 
Os vírus in\ufb02uenza A são mais suscetíveis a variações antigênicas, periodicamente sofrem alte-
rações em sua estrutura genômica, contribuindo para a existência de diversos subtipos. São respon-
sáveis pela ocorrência da maioria das epidemias de gripe. São classi\ufb01cados de acordo com os tipos 
de proteínas que se localizam em sua superfície, chamadas de hemaglutinina (H) e neuraminidase 
(N). A proteína H está associada à infecção das células do trato respiratório superior, onde o vírus 
se multiplica;