Guia de Vigilância Epidemiológica
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Internacional 
(RSI-2005) estabelece que sejam noti\ufb01cados todos os eventos considerados de Emergência de Saú-
de Pública de Importância Internacional (ESPII). O conceito e estratégia de diagnóstico de uma 
ESPII desse tipo de emergência serão descritos no capítulo Respostas a eventos de saúde de interesse 
nacional e internacional, deste Guia. 
Ocorrência de emergências de saúde pública, epidemias e surtos \u2013 são situações que impõe 
noti\ufb01cação imediata de todos os eventos de saúde que impliquem risco de disseminação de doen-
ças, com o objetivo de delimitar a área de ocorrência, elucidar o diagnóstico e de\ufb02agrar medidas 
de controle aplicáveis. Mecanismos próprios de noti\ufb01cação devem ser instituídos, com base na 
apresentação clínica e epidemiológica do evento.
No processo de seleção das doenças noti\ufb01cáveis, esses critérios devem ser considerados em 
conjunto, embora o atendimento a apenas alguns deles possa ser su\ufb01ciente para incluir determina-
da doença ou evento. Por outro lado, nem sempre podem ser aplicados de modo linear, sem consi-
derar a factibilidade de implementação das medidas decorrentes da noti\ufb01cação, as quais dependem 
de condições operacionais objetivas de funcionamento da rede de prestação de serviços de saúde.
O caráter compulsório da noti\ufb01cação implica responsabilidades formais para todo cidadão e 
uma obrigação inerente ao exercício da medicina, bem como de outras pro\ufb01ssões na área de saúde. 
Mesmo assim, sabe-se que a noti\ufb01cação nem sempre é realizada, o que ocorre por desconhecimen-
to de sua importância e, também, por descrédito nas ações que dela devem resultar. A experiência 
tem mostrado que o funcionamento de um sistema de noti\ufb01cação é diretamente proporcional à 
capacidade de se demonstrar o uso adequado das informações recebidas, de forma a conquistar a 
con\ufb01ança dos noti\ufb01cantes.
O sistema de noti\ufb01cação deve estar permanentemente voltado para a sensibilização dos pro-
\ufb01ssionais e das comunidades, visando melhorar a quantidade e a qualidade dos dados coletados, 
mediante o fortalecimento e a ampliação da rede. Todas as unidades de saúde (públicas, privadas e 
\ufb01lantrópicas) devem fazer parte do sistema, como, também, todos os pro\ufb01ssionais de saúde e mes-
mo a população em geral. Não obstante, essa cobertura universal idealizada não prescinde do uso 
inteligente da informação, que pode basear-se em dados muito restritos, para a tomada de decisões 
oportunas e e\ufb01cazes.
Aspectos que devem ser considerados na noti\ufb01cação:
\u2022 Noti\ufb01car a simples suspeita da doença ou evento. Não se deve aguardar a con\ufb01rmação do 
caso para se efetuar a noti\ufb01cação, pois isso pode signi\ufb01car perda da oportunidade de inter-
vir e\ufb01cazmente.
 \u2022 A noti\ufb01cação tem de ser sigilosa, só podendo ser divulgada fora do âmbito médico-sa-
nitário em caso de risco para a comunidade, respeitando-se o direito de anonimato dos 
cidadãos.
\u2022 O envio dos instrumentos de coleta de noti\ufb01cação deve ser feito mesmo na ausência de 
casos, con\ufb01gurando-se o que se denomina noti\ufb01cação negativa, que funciona como um 
indicador de e\ufb01ciência do sistema de informações.
Além da noti\ufb01cação compulsória, o Sistema de Vigilância Epidemiológica pode de\ufb01nir doen-
ças e agravos como de noti\ufb01cação simples. O Sistema Nacional de Agravos de Noti\ufb01cação (Sinan) é 
o principal instrumento de coleta dos dados de noti\ufb01cação compulsória, e encontra-se descrito no 
capítulo Sistemas de Informação em Saúde e Vigilância Epidemiológica, desta publicação.
23Secretaria de Vigilância em Saúde / MS
Outras bases de dados dos sistemas nacionais de informação
O registro rotineiro de dados sobre saúde, derivados da produção de serviços ou de sistemas 
de informação especí\ufb01cos, constitui valiosa fonte de informação sobre a ocorrência de doenças e 
agravos sob vigilância epidemiológica. Com a progressiva implementação de recursos informacio-
nais no setor saúde, esses dados tendem a tornar-se cada vez mais acessíveis por meios eletrônicos, 
sendo de primordial importância para os agentes responsáveis pelas ações de vigilância, em todos 
os níveis. Os principais sistemas de informação em saúde estão descritos em outro capítulo. Seu 
uso para a vigilância epidemiológica deve ser estimulado, objetivando aprimorar a qualidade do 
registro e compatibilizar as informações oriundas de diferentes fontes.
Laboratórios
Os resultados laboratoriais vinculados à rotina da vigilância epidemiológica complementam 
o diagnóstico de con\ufb01rmação de casos e, muitas vezes, servem como fonte de conhecimento de 
casos ou de eventos que não foram noti\ufb01cados. Também devem ser incorporados os dados de-
correntes de estudos epidemiológicos especiais, realizados pelos laboratórios de saúde pública em 
apoio às ações de vigilância.
Investigação epidemiológica
Os achados de investigações epidemiológicas de casos e de emergências de saúde pública, 
surtos ou epidemias complementam as informações da noti\ufb01cação, no que se referem a fontes 
de infecção e mecanismos de transmissão, dentre outras variáveis. Também podem possibilitar a 
descoberta de novos casos que não foram noti\ufb01cados. Por ser a etapa mais nobre da metodologia 
de vigilância epidemiológica, será detalhada adiante, neste capítulo.
Imprensa e população
Muitas vezes, informações oriundas da imprensa e da própria comunidade são fontes impor-
tantes de dados, devendo ser sempre consideradas para a realização da investigação pertinente. Po-
dem ser o primeiro alerta sobre a ocorrência de uma epidemia ou agravo inusitado, principalmente 
quando a vigilância em determinada área é insu\ufb01cientemente ativa. 
Fontes especiais de dados
Estudos epidemiológicos
Além das fontes regulares de coleta de dados e informações para analisar, do ponto de vista 
epidemiológico, a ocorrência de eventos sanitários, pode ser necessário, em determinado momen-
to ou período, recorrer diretamente à população ou aos serviços, para obter dados adicionais ou 
mais representativos. Esses dados podem ser coletados por inquérito, investigação ou levantamen-
to epidemiológico.
Inquérito epidemiológico
O inquérito epidemiológico é um estudo seccional, geralmente realizado em amostras da po-
pulação, levado a efeito quando as informações existentes são inadequadas ou insu\ufb01cientes, em 
virtude de diversos fatores, dentre os quais se podem destacar: noti\ufb01cação imprópria ou de\ufb01ciente; 
mudança no comportamento epidemiológico de uma determinada doença; di\ufb01culdade na avalia-
ção de coberturas vacinais ou e\ufb01cácia de vacinas; necessidade de se avaliar e\ufb01cácia das medidas de 
controle de um programa; descoberta de agravos inusitados.
Procedimentos Técnicos e Avaliação de Sistemas de Vigilância Epidemiológica
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24 Secretaria de Vigilância em Saúde /MS
Levantamento epidemiológico
É um estudo realizado com base nos dados existentes nos registros dos serviços de saúde ou 
de outras instituições. Não é um estudo amostral e destina-se a coletar dados para complementar 
informações já existentes. A recuperação de séries históricas, para análises de tendências, e a busca 
ativa de casos, para aferir a e\ufb01ciência do sistema de noti\ufb01cação, são exemplos de levantamentos 
epidemiológicos.
Sistemas sentinelas
Nem sempre o processo de decisão-ação necessita da totalidade de casos (noti\ufb01cação uni-
versal) para o desencadeamento das estratégias de intervenção, pois isso se vincula à apresentação 
clínica e epidemiológica das doenças e agravos e, principalmente, aos instrumentos de controle 
disponíveis e indicados para cada situação especí\ufb01ca. Para intervir em determinados problemas de 
saúde, pode-se lançar mão de sistemas sentinelas de informações capazes de monitorar indicado-
res chaves na população geral ou em grupos especiais, que sirvam de alerta precoce para o sistema 
de vigilância. 
Existem vários tipos desses sistemas, como, por exemplo, a organização de redes constituídas 
de