Novo CPC Comentado
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aplicar-se-ão desde logo 
aos processos pendentes.
 
 Art. 15. Na ausência de normas que regulem 
processos penais, eleitorais, administrativos, as 
disposições deste Código lhes serão aplicadas 
supletivamente.
 
ARTIGOS 16 A 20
José Maria Rosa Tesheiner 
Da jurisdição e da ação no Substitutivo do Projeto de Código de 
Processo Civil 
No que diz respeito à jurisdição, o que mais se nota é a ausência de menção ao princípio da 
ação, consagrado no artigo 2º do Código vigente: \u201cNenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão 
quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais\u201d. Embora não se possa por 
isso esperar qualquer mudança substancial, mesmo porque o próprio Código vigente prevê alguns 
casos, raros, de iniciativa judicial (o processo de inventário constitui o caso mais notório), é sugestiva 
a aceitação, ainda que em tese, de \u201cprocessos sem ação\u201d. Abrem-se as portas para a substituição 
da verdadeira e própria jurisdição por uma atividade que se pode denominar de \u201cadministração da 
justiça\u201d, que ressalta seu caráter administrativo.
Não há alteração no que diz respeito ao interesse e à legitimidade como condições da ação. 
Ainda nesse caso, porém, há de haver uma sentença, configurando-se, portanto, a existência de 
ação, no sentido da teoria do direito abstrato de agir.
Também não há alteração no que diz respeito à existência, como regra, de pertinência entre 
a ação e o direito que se pretenda valer, admitindo-se, porém, casos expressos de substituição 
processual. Interessante é o caso das locações contratadas por empresas imobiliárias. Com ela são 
feitas todas as negociações. Ela também é que recebe os aluguéis. Parece lógico que, havendo 
recusa, o locatário proponha ação contra a Imobiliária, como substituta processual do locador, tendo 
em vista o pacto \u201cadjectus solutionis causa\u201d. Isso admitido, como parece razoável, tem-se, aí, um 
caso de substituição processual passiva, não previsto em lei.
O parágrafo único do artigo 18 inova, estabelecendo que, havendo substituição processual, 
será dada ciência ao substituído que, intervindo no processo, fará cessar a substituição.
Não há alteração no que diz respeito à admissibilidade de ação declaratória, ainda que cabível 
pedido de condenação.
O Substitutivo extingue a ação declaratória incidental. O julgamento de questão prejudicial 
fará coisa julgada, independentemente de pedido da parte, desde que observado o contraditório. O 
texto permite interpretação no sentido de que o juiz, para evitar surpresa, deverá advertir as partes de 
que irá decidir a questão com força de coisa julgada: \u201co juiz, assegurado o contraditório...\u201d Os limites 
da coisa julgada, tão claros no sistema vigente, que praticamente não suscitam questões na prática 
forense, tornar-se-ão imprecisos, dando margem a controvérsias de difícil solução, retornando-se ao 
sistema do Código de Processo Civil de 1939, exatamente por isso abandonado pelo de 1973.
 
PROJETO CÓDIGO VIGENTE
 CAPÍTULO III
DA JURISDIçãO
Art. 16. A jurisdição civil é exercida pelos 
juízes em todo o território nacional, conforme as 
disposições deste Código.
 
Art. 1o A jurisdição civil, contenciosa e 
voluntária, é exercida pelos juízes, em todo o 
território nacional, conforme as disposições que este 
Código estabelece.
Art. 2o Nenhum juiz prestará a tutela 
jurisdicional senão quando a parte ou o interessado 
a requerer, nos casos e forma legais.
36 José Maria Rosa Tesheiner
CAPÍTULO IV
DA AçãO
Art. 17. Para propor a ação é necessário ter 
interesse e legitimidade.
Art. 3o Para propor ou contestar ação é 
necessário ter interesse e legitimidade.
Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio 
em nome próprio, salvo quando autorizado por lei.
Parágrafo único. Havendo substituição 
processual, o juiz determinará que seja dada ciência 
ao substituído da pendência do processo; nele 
intervindo, cessará a substituição.
Art. 6o Ninguém poderá pleitear, em nome 
próprio, direito alheio, salvo quando autorizado 
por lei.
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se 
à declaração:
I - da existência ou da inexistência de 
relação jurídica;
II - da autenticidade ou da falsidade de 
documento.
Parágrafo único. É admissível a ação 
declaratória ainda que tenha ocorrido a violação 
do direito. 
Parágrafo único. É admissível a ação 
declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação 
do direito.
Art. 4o O interesse do autor pode limitar-se 
à declaração:
I - da existência ou da inexistência de relação 
jurídica;
II - da autenticidade ou falsidade de 
documento.
Art. 20. Se, no curso do processo, se 
tornar litigiosa relação jurídica de cuja existência 
ou inexistência depender o julgamento da lide, o 
juiz, assegurado o contraditório, a declarará por 
sentença, com força de coisa julgada.
Art. 5o Se, no curso do processo, se tornar 
litigiosa relação jurídica de cuja existência ou 
inexistência depender o julgamento da lide, qualquer 
das partes poderá requerer que o juiz a declare por 
sentença. (Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973)
ARTIGOS 21 A 24
José Maria Rosa Tesheiner
Dos limites da jurisdição nacional no Substitutivo do Projeto de Código 
de Processo Civil 
Trata este capítulo da competência geral dos tribunais brasileiros.
Denomina-se competência geral dos tribunais de um país a que se opõe à dos tribunais 
estrangeiros, enquanto competência especial é a de certo tribunal de um país a respeito dos demais 
tribunais desse mesmo país. (...) O árduo problema da competência geral é dominado exclusivamente 
pelo direito processual internacional, ramo do direito nacional.1 
O artigo 21 do Substitutivo repete o disposto no artigo 88 do Código de Processo Civil vigente, 
apenas alterando a redação. Em vez de \u201cÉ competente a autoridade judiciária brasileira\u201d: \u201cCabe à 
autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que...\u201d.
O artigo 22 do Substitutivo acrescenta novos casos de competência da autoridade judiciária 
brasileira, entre os quais o da ação de alimentos, quando o credor tiver seu domicílio ou residência 
no Brasil, e o das ações fundadas em relação de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou 
residência no Brasil. São casos em que a eficácia da sentença brasileira dependerá de sua aceitação 
pelo Estado estrangeiro, se, como suposto, nele se encontrarem o réu e seus bens.
Observa Amílcar de Castro que
... no silêncio da lei, o exercício da jurisdição arrima-se em dois princípios: o da efetividade 
e o da submissão. O princípio da efetividade significa que o juiz é incompetente para proferir 
sentença que não tenha possibilidade de executar. É intuitivo que o exercício da jurisdição 
depende da efetivação do julgado, o que não exclui a possibilidade de ser exercida a 
respeito de pessoas que estejam no estrangeiro e portanto fora do poder do tribunal. O que 
se afirma é que, sem texto de lei, em regra, o tribunal deve-se julgar incompetente quando 
as coisas, ou o sujeito passivo, estejam fora de seu alcance, isto é, do alcance da força de 
que dispõe.2 
Sobre o princípio da submissão, a que se refere o artigo 23, III, do Anteprojeto, diz o 
mesmo autor
O princípio da submissão significa que, em limitado número de casos, uma pessoa 
pode voluntariamente submeter-se à jurisdição de tribunal a que não estava sujeita, pois se 
começa por aceitá-la não pode depois pretender livrar-se dela. Mas este princípio está sujeito 
a duas limitações: não prevalece onde se encontre estabelecida por lei a competência de 
justiça estrangeira, e não resiste ao princípio da efetividade, isto é, n~´ao funciona quando 
este deva funcionar. Por conseguinte, no silencio da lei indígena, o tribunal deve declarar-se 
incompetente quando não tenha razoável certeza de que poderá executar o julgado.3
O artigo 23 do Substitutivo,