Novo CPC Comentado
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advocatícia, observando-se o disposto nos §§ 2o 
e 3o e o limite total de vinte e cinco por cento para a fase de conhecimento.\u201d
Já o parágrafo 10, determina: \u201cOs honorários constituem direito do advogado e têm natureza 
alimentar, com os mesmos privilégios dos créditos oriundos da legislação do trabalho, sendo vedada 
a compensação em caso de sucumbência parcial.\u201d
O referido parágrafo, portanto, vem expressamente de encontro ao atual entendimento da 
instância superior, com a previsão da súmula 306 do STJ, que diz: \u201cOs honorários advocatícios 
devem ser compensados quando houver sucumbência recíproca, assegurado o direito autônomo 
do advogado à execução do saldo sem excluir a legitimidade da própria parte.\u201d
Atualmente, na prática, apesar da discussão anteriormente mencionada, tem se 
aplicado a súmula 306 do STJ, embora alguns magistrados entendam pela impossibilidade 
de compensação dos honorários sucumbenciais quando uma das partes é beneficiária da 
Assistência Judiciária Gratuita.
Ora, se os honorários são das partes, a compensação dos honorários sucumbenciais, 
quando uma das partes é beneficiária da AJG, gera enriquecimento indevido a esta que, ao 
não compensar os ônus sucumbenciais, acaba recebendo integralmente tal verba honorária, 
sem qualquer contraprestação.
 Já no caso de prevalecer o entendimento de que os honorários são do advogado, 
incabível a compensação, por não se tratar de crédito e débito entre as partes, não cabendo 
a respectiva compensação.
O artigo 97 do substitutivo prevê o rateio da remuneração do perito, quando a perícia for 
determinada de ofício ou requerida por ambas as partes. No atual CPC, o autor é responsável por 
tal pagamento: \u201cCada parte pagará a remuneração do assistente técnico que houver indicado; a do 
perito será paga pela parte que houver requerido a perícia, ou será rateada quando a perícia for 
determinada de ofício ou requerida por ambas as partes.\u201d
Já no artigo 99, que trata da gratuidade da justiça, inclui a possibilidade de ser concedido tal 
benefício também às pessoas jurídicas.
Entende-se que o parágrafo segundo desse dispositivo é desnecessário, porque remete a 
questão para o recurso de agravo de instrumento, cabível contra as decisões proferidas sobre a 
gratuidade da justiça, já que existe espaço próprio no Projeto tratando desse recurso.
Dos procuradores
O capítulo 4, \u201cdos procuradores\u201d, é dividido em duas seções:
A seção 1, \u201cdas disposições gerais\u201d, não trouxe inovações, apenas alterando a redação de 
alguns dispositivos.
Já a seção 2, \u201cda advocacia pública\u201d, trata-se de novas disposições que não eram ou não 
são contempladas no Código vigente, até porque a figura da Advocacia Pública, caracterizando-
se como instituição que, diretamente ou através de órgão vinculado, representa a União, 
judicial e extrajudicialmente, a ser regulada por lei complementar conforme dispõe o art. 131 da 
Constituição Federal.
 Nesse fio, o art. 105 do Projeto estende a sua previsão, até por força do disposto no art. 132 
da Constituição Federal, para as unidades federativas, aí incluídos os Municípios. Aliás, nesse último 
caso, naqueles entes municipais em que não houver Procuradoria Jurídica, o texto autoriza que as 
respectivas funções sejam exercidas por advogados com procuração.
 Ainda nesta seção, prevê-se o prazo em dobro para todas as manifestações processuais, 
com contagem a iniciar quando da vista pessoal \u2013 e, portanto, não pelas intimações via nota de 
66 Mauricio Schuch
expediente \u2013, dos autos, no caso de a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem 
como suas respectivas autarquias e fundações de direito público intervirem no feito.
O capítulo 5, \u201cda sucessão das partes e dos procuradores\u201d, não trouxe inovações, apenas 
alterando a redação de alguns dispositivos.
PROJETO CÓDIGO VIGENTE
TÍTULO IV
DAS PARTES E DOS 
PROCURADORES
TÍTULO II
DAS PARTES E DOS 
PROCURADORES
CAPÍTULO I
DA CAPACIDADE PROCESSUAL
CAPÍTULO I
DA CAPACIDADE PROCESSUAL
Art. 70. Toda pessoa que se acha no exercício 
dos seus direitos tem capacidade para estar em juízo.
Art. 7o Toda pessoa que se acha no exercício 
dos seus direitos tem capacidade para estar em juízo.
Art. 71. Os incapazes serão representados 
ou assistidos por seus pais, tutores ou curadores, na 
forma da lei.
Art. 8o Os incapazes serão representados ou 
assistidos por seus pais, tutores ou curadores, na 
forma da lei civil.
Art. 72. O juiz nomeará curador especial: Art. 9o O juiz dará curador especial:
I \u2013 ao incapaz, se não tiver representante legal 
ou se os interesses deste colidirem com os daquele;
I - ao incapaz, se não tiver representante legal, 
ou se os interesses deste colidirem com os daquele;
II \u2013 ao réu preso, bem como ao revel citado 
por edital ou com hora certa.
II - ao réu preso, bem como ao revel citado por 
edital ou com hora certa.
Parágrafo único. A função de curador especial 
será exercida pela Defensoria Pública, salvo se não 
houver defensor público na comarca ou subseção 
judiciária, hipótese em que o juiz nomeará advogado 
para desempenhar aquela função.
Parágrafo único. Nas comarcas onde houver 
representante judicial de incapazes ou de ausentes, a 
este competirá a função de curador especial.
Art. 73. O cônjuge necessitará do 
consentimento do outro para propor ações que 
versem sobre direitos reais imobiliários, salvo 
quando o regime for da separação absoluta de bens.
Art. 10. O cônjuge somente necessitará do 
consentimento do outro para propor ações que versem 
sobre direitos reais imobiliários.
§ 1o Ambos os cônjuges serão 
necessariamente citados para as ações:
§ 1o Ambos os cônjuges serão necessariamente 
citados para as ações:
67Artigos 70 a 111
I \u2013 que versem sobre direitos reais 
imobiliários, salvo quando casados sob o regime de 
separação absoluta de bens;
I - que versem sobre direitos reais imobiliários;
II \u2013 resultantes de fatos que digam respeito 
a ambos os cônjuges ou de atos praticados por eles;
II - resultantes de fatos que digam respeito a 
ambos os cônjuges ou de atos praticados por eles;
III \u2013 fundadas em dívidas contraídas por um 
dos cônjuges a bem da família;
III - fundadas em dívidas contraídas pelo 
marido a bem da família, mas cuja execução tenha 
de recair sobre o produto do trabalho da mulher ou os 
seus bens reservados;
IV \u2013 que tenham por objeto o reconhecimento, 
a constituição ou a extinção de ônus sobre imóveis 
de um ou de ambos os cônjuges.
IV - que tenham por objeto o reconhecimento, 
a constituição ou a extinção de ônus sobre imóveis de 
um ou de ambos os cônjuges.
§ 2o Nas ações possessórias, a participação 
do cônjuge do autor ou do réu somente é 
indispensável nos casos de composse ou de atos 
por ambos praticados.
§ 2o Nas ações possessórias, a participação do 
cônjuge do autor ou do réu somente é indispensável 
nos casos de composse ou de ato por ambos 
praticados.
§ 3o Aplica-se o disposto no § 1o à união 
estável comprovada por prova documental da qual 
tenha ciência o autor.
Art. 74. A autorização do marido ou da 
mulher pode suprir-se judicialmente quando um 
cônjuge a recuse ao outro sem justo motivo ou lhe 
seja impossível concedê-la.
Art. 11. A autorização do marido e a outorga 
da mulher podem suprir-se judicialmente, quando um 
cônjuge a recuse ao outro sem justo motivo, ou lhe 
seja impossível dá-la.
Parágrafo único. A falta, não suprida pelo 
juiz, da autorização, quando necessária, invalida 
o processo.
Parágrafo único. A falta, não suprida pelo juiz, 
da autorização ou da outorga, quando necessária, 
invalida o processo.
Art. 75. Serão representados em juízo, ativa 
e passivamente:
Art. 12. Serão representados em juízo, ativa e 
passivamente:
I \u2013 a União, os Estados, o Distrito Federal e 
os Territórios, por seus procuradores;
I - a