Novo CPC Comentado
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é a afirmação de uma relação subjetiva 
(formada no campo material) incindível de homogênea forma em juízo, motivo pelo qual imprescinde 
de uma decisão uniforme.
A regra de que todos os litisconsortes serão considerados como litigantes distintos em relação 
a parte diversa também é mantida junto ao artigo 116, excetuados os casos de litisconsórcio unitário, 
quando então, os atos e omissões de um não prejudicarão os demais, mas podendo, via reversa, 
beneficia-los. Assim já defendia a grande maioria da doutrina, mostrando-se acertada a modificação.
Encerrando a matéria de litisconsórcio, segue transcrito sem quaisquer alterações o artigo 49 
do atual ordenamento, para o artigo 117 do substitutivo, estabelecendo que \u201ccada litisconsorte tem o 
direito de promover o andamento do processo, e todos devem ser intimados dos respectivos atos\u201d.
PROJETO CÓDIGO VIGENTE
Art. 112. Duas ou mais pessoas podem 
litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou 
passivamente, quando:
I \u2013 entre elas houver comunhão de direitos 
ou de obrigações relativamente à lide;
II \u2013 os direitos ou as obrigações derivarem do 
mesmo fundamento de fato ou de direito;
III \u2013 entre as causas houver conexão pelo 
objeto ou pela causa de pedir;
IV \u2013 ocorrer afinidade de questões por um 
ponto comum de fato ou de direito.
§ 1o O juiz poderá limitar o litisconsórcio 
facultativo quanto ao número de litigantes, na fase 
de conhecimento ou na de execução, quando este 
comprometer a rápida solução do litígio, dificultar a 
defesa ou o cumprimento da sentença.
§ 2o O requerimento de limitação interrompe 
o prazo para manifestação ou resposta, que 
recomeça da intimação da decisão que o solucionar.
§ 3o Do indeferimento do pedido de limitação 
de litisconsórcio cabe agravo de instrumento.
Art. 46. Duas ou mais pessoas podem 
litigar, no mesmo processo, em conjunto, ativa ou 
passivamente, quando:
I - entre elas houver comunhão de direitos ou 
de obrigações relativamente à lide;
II - os direitos ou as obrigações derivarem do 
mesmo fundamento de fato ou de direito;
III - entre as causas houver conexão pelo 
objeto ou pela causa de pedir;
IV - ocorrer afinidade de questões por um 
ponto comum de fato ou de direito.
Parágrafo único. O juiz poderá limitar o 
litisconsórcio facultativo quanto ao número de 
litigantes, quando este comprometer a rápida solução 
do litígio ou dificultar a defesa. O pedido de limitação 
interrompe o prazo para resposta, que recomeça da 
intimação da decisão.
Art. 113. Será necessário o litisconsórcio 
quando, por disposição de lei ou pela natureza da 
relação jurídica controvertida, a eficácia da sentença 
depender da citação de todos que devam ser 
litisconsortes.
Art. 47. Há litisconsórcio necessário, quando, 
por disposição de lei ou pela natureza da relação 
jurídica, o juiz tiver de decidir a lide de modo uniforme 
para todas as partes; caso em que a eficácia 
da sentença dependerá da citação de todos os 
litisconsortes no processo.
Parágrafo único. O juiz ordenará ao autor 
que promova a citação de todos os litisconsortes 
necessários, dentro do prazo que assinar, sob pena 
de declarar extinto o processo.
84 Walter Tierling Neto
Art. 114. A sentença de mérito, quando 
proferida sem a integração do contraditório, será:
I \u2013 nula, se a decisão deveria ser uniforme 
em relação a todos que deveriam ter integrado a lide;
II \u2013 ineficaz, nos outros casos, apenas para 
os que não foram citados.
Parágrafo único. Nos casos de litisconsórcio 
passivo necessário, o juiz determinará ao autor 
que requeira a citação de todos que devam ser 
litisconsortes, dentro do prazo que assinar, sob pena 
de extinção do processo.
Art. 115. Será unitário o litisconsórcio 
quando, pela natureza da relação jurídica, o juiz tiver 
de decidir a lide de modo uniforme para todas as 
partes litisconsorciadas.
.
Art. 116. Salvo disposição em contrário, os 
litisconsortes serão considerados, em suas relações 
com a parte adversa, como litigantes distintos, exceto 
no litisconsórcio unitário, caso em que os atos e as 
omissões de um não prejudicarão os outros, mas os 
poderão beneficiar.
Art. 48. Salvo disposição em contrário, os 
litisconsortes serão considerados, em suas relações 
com a parte adversa, como litigantes distintos; os 
atos e as omissões de um não prejudicarão nem 
beneficiarão os outros.
Art. 49. Cada litisconsorte tem o direito de 
promover o andamento do processo e todos devem 
ser intimados dos respectivos atos.
Art. 117. Cada litisconsorte tem o direito de 
promover o andamento do processo, e todos devem 
ser intimados dos respectivos atos.
 
Do juiz e dos auxiliares da justiça \u2013 Dos poderes, dos deveres e da 
responsabilidade do juiz (artigos 118 a 123)
As alterações realizadas no presente capítulo, também substanciais, respondem por um 
considerável aumento dos poderes conferidos ao Magistrado, dando seguimento ao abandono às 
regras de um Estado Liberal, iniciado há muito tempo. Cada vez mais admitimos a necessidade de um 
Estado intervencionista, renegando a visão de um Estado dotado unicamente de \u201cmãos invisíveis\u201d, 
motivo pelo qual aqueles que o presentam devem possuir poderes para assim atuarem.
Nesse sentido, grande alteração já é notada no artigo 118 do Substitutivo, cujo equivalente 
carrega o n. de 125 no atual ordenamento. Não mais resta prescrito como dever do Magistrado o 
de assegurar às partes igualdade de tratamento, uma vez que tal previsão se faz desnecessária. O 
artigo 5º de nossa Carta Magna já estabelece a igualdade de todos (no qual também inseridas as 
partes) como um direito fundamental. Na medida em que o Magistrado (dotado de poder jurisdicional) 
presenta o Estado, a previsão de que a ele compete assegurar as partes igualdade de tratamento 
nos parece tautológica, desnecessária, uma vez que já prevista em legislação superior.
A incumbência de promover um célere andamento processual é inserida no primeiro inciso 
do artigo, dando continuidade as modificações instauradas pela Emenda constitucional de n. 45, 
responsável por estabelecer como fundamental o direito a uma prestação jurisdicional célere. Uma 
superficial leitura da exposição dos motivos do novo ordenamento já apresenta o alcance de uma 
85Artigos 112 a 153 
maior celeridade processual como o grande propósito da reformulação do código, o que justifica a 
grande parte das mudanças propostas no substitutivo.
O segundo inciso do artigo 118 absorve a previsão do artigo 130 do atual Código Processual, 
estabelece a possibilidade de aplicação, ex officio, de sanções e medidas processuais previstas em 
lei, com fito de elidir a prática de atos contrários à dignidade da justiça, ou que sejam meramente 
protelatórios. Veja-se que o artigo 18 do atual ordenamento já prevê a aplicabilidade de referidas 
sanções sem a provocação das partes, não se tratando de inovação.
A alteração contida no inciso III é aquela dotada de maior aptidão para provocar discussões. Nele, 
resta permitido que o Magistrado determine todas as medidas indutivas, coercitivas, mandamentais 
ou sub-rogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, inclusive nas ações 
que tenham por objeto prestação pecuniária. Nesse especial, respeitado o entendimento daqueles 
que defendem a possibilidade de cominação de multa coercitiva pra obtenção de soma em dinheiro, 
entendemos que tal se caracteriza como ineficaz, uma vez que a eficácia de decisão deve ser obtida 
por outro meio, que não por uma maior oneração do devedor. Se este é devedor, é porque não possui 
condições de saldar seu débito, que será gradativamente aumentado em razão de eventual multa 
fixada, podendo alcançar absurdos patamares. A experiência já comprovou, de diversas formas, que 
a multa coercitiva inserida em nosso ordenamento por meio da Lei 10.444/2002, não represente 
a grande