Novo CPC Comentado
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DisciplinaIntrodução ao Direito I88.292 materiais532.295 seguidores
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salvação para os problemas de ineficácia processual. Muito antes, se faria eficaz uma 
reforma nas questões atinentes ao direito material (questão patrimonial), ou então, uma mitigação/
flexibilização das hipóteses de impenhorabilidade. Arriscamo-nos a afirmar que a previsão de dita 
multa tão somente prejudicará, ainda mais, a eficácia do processo, sendo inclusive verdadeiro vetor 
para sua ineficácia.
O inciso IV motiva a adoção de medidas voltadas à composição do litígio, com auxílio de 
conciliadores e mediadores judiciais, os quais encontram regras próprias no novo ordenamento. Já 
em 1995, com a edição da Lei de n. 9.099, buscava-se enfatizar a conciliação como melhor forma de 
resolução dos conflitos, e facilitador de um acesso à justiça. Desde então, o movimento em prol da 
composição amigável foi ganhando espaço, tornando-se comum e utilizado em diversas campanhas 
do Poder Judiciário, dada sua celeridade e eficácia na resolução da lide. Atendendo a necessidade 
de acompanhamento social, o anteprojeto do novo código não se mostrou alheio a propagação da 
composição amigável, criando as figuras do mediador e do conciliador, as quais serão enfrentadas 
em tópico próprio.
Também o artigo 118 inova ao prever no inciso V, a possibilidade de que o magistrado dilate 
prazos processuais, adequando a ordem de produção dos meios de prova conforme a necessidade 
de resolução do conflito. Somente o magistrado, a quem é dirigida a prova, mostra-se dotado da 
sensibilidade necessária à prever quais são as provas necessárias para formular seu convencimento, 
e qual a melhor forma de sua produção.
No inciso VI, questão ainda não pacífica em nossa jurisprudência e doutrina parece encontrar 
descanso. Conforme previsto no novo código, é permitido ao magistrado determinar o pagamento ou 
do depósito de multa cominada liminarmente, desde o dia em que se configure o descumprimento 
de ordem judicial. Restando descumprida a ordem, a multa que lhe estimulava o cumprimento se 
torna exigível imediatamente, pouco importando a procedência final da demanda ou existência de 
seu trânsito em julgado, eis que a mesma decorre do descumprimento da decisão que a fixar. E 
nesse aspecto ousamos discordar, por acreditar que se ao fim resolver-se pela improcedência da 
lide, o destinatário da ordem equivocadamente prolatada não pode ter seu patrimônio agredido. A 
exemplificar, destacamos que, se fixada multa coercitiva para motivar o cumprimento de qualquer 
tutela de urgência, e, ao final, verificar-se a improcedência do pleito autoral, a sentença que declarar 
a improcedência da lide, por possuir um provimento declaratório negativo e efeitos retroativos ex 
tunc, também alcançará a multa outrora fixada, como se nunca o fosse. Em sentido análogo, todavia 
reportando-se ao mandado de segurança, é a redação da Súmula de n.º 405 do Supremo Tribunal 
Federal, que assim dispõe: \u201cdenegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento 
do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão 
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contrária\u201d. Assim, defendemos ser equivocada a concessão de exeqüibilidade da obrigação quando 
comprovado seu descumprimento, sendo necessária a decisão terminativa para torná-la exeqüível. 
Ademais, vê-se, que nos termos do artigo 522 do Substitutivo, o autor permanece como beneficiário 
de multa (até o valor da obrigação), mantendo argumentação de lhe ser indevido qualquer proveito 
de improcedência de demanda.
Em nosso atual ordenamento verificamos junto ao artigo 445 do Código de Processo Civil 
a possibilidade de que, durante a audiência, o Juiz exerça o poder de polícia, com fito de manter 
a ordem e o decoro na solenidade, que ordene que se retirem da sala da audiência os que se 
comportarem inconvenientemente, e que requisite, quando necessário, a força policial. Referido 
regramento é absorvido pelo inciso VII do artigo 118, cumprindo a promessa de melhor sistematização 
do ordenamento.
Medida comumente praticada em nosso cotidiano, é estabelecida no inciso VIII, que possibilita 
ao julgador determinar, a qualquer tempo, o comparecimento pessoal das partes com fito instrutório, 
sem que a sua ausência importe nas penas de confesso. Da mesma forma ocorre com a previsão 
do inciso IX, que possibilita ao juiz o suprimento de pressupostos processuais e o saneamento de 
outras nulidades.
Os demais artigos relativos aos deveres, poderes e responsabilidade do juiz, de números 
119/123, equiparam-se aos de números 126/133 do atual ordenamento, não agregando qualquer 
inovação a qual mereça ser dado especial destaque.
87Artigos 112 a 153 
PROJETO CÓDIGO VIGENTE
Art. 118. O juiz dirigirá o processo conforme as 
disposições deste Código, incumbindo-lhe:
I \u2013 promover o andamento célere da causa;
II \u2013 prevenir ou reprimir qualquer ato contrário 
à dignidade da justiça e indeferir postulações 
impertinentes ou meramente protelatórias, aplicando 
de ofício as medidas e as sanções previstas em lei;
III \u2013 determinar todas as medidas indutivas, 
coercitivas, mandamentais ou sub- rogatórias 
necessárias para assegurar o cumprimento de ordem 
judicial, inclusive nas ações que tenham por objeto 
prestação pecuniária; 
IV \u2013 tentar, prioritariamente e a qualquer tempo, 
compor amigavelmente as partes, preferencialmente 
com auxílio de conciliadores e mediadores judiciais;
V \u2013 dilatar os prazos processuais e alterar a 
ordem de produção dos meios de prova adequando-
os às necessidades do conflito, de modo a conferir 
maior efetividade à tutela do bem jurídico;
VI \u2013 determinar o pagamento ou o depósito da 
multa cominada liminarmente, desde o dia em que se 
configure o descumprimento de ordem judicial;
VII \u2013 exercer o poder de polícia, requisitando, 
quando necessário, força policial, além da segurança 
interna dos fóruns e tribunais;
VIII \u2013 determinar, a qualquer tempo, o 
comparecimento pessoal das partes, para ouvi- las 
sobre os fatos da causa, caso em que não incidirá a 
pena de confesso;
IX \u2013 determinar o suprimento de pressupostos 
processuais e o saneamento de outras nulidades 
processuais.
Art. 125. O juiz dirigirá o processo conforme 
as disposições deste Código, competindo-lhe:
I \u2013 assegurar às partes igualdade de 
tratamento;
II \u2013 velar pela rápida solução de litígio;
III \u2013 prevenir ou reprimir qualquer ato 
contrário à dignidade da justiça;
IV \u2013 tentar, a qualquer tempo, conciliar 
as partes.
Art. 119. O juiz não se exime de decidir 
alegando lacuna ou obscuridade do ordenamento 
jurídico, cabendo-lhe, no julgamento, aplicar os 
princípios constitucionais, as regras legais e os 
princípios gerais de direito, e, se for o caso, valer-se 
da analogia e dos costumes.
Art. 126. O juiz não se exime de sentenciar 
ou despachar alegando lacuna ou obscuridade da lei. 
No julgamento da lide caber-lhe-á aplicar as normas 
legais; não as havendo, recorrerá à analogia, aos 
costumes e aos princípios gerais de direito.
Art. 120. O juiz só decidirá por equidade nos 
casos previstos em lei.
Art. 127. O juiz só decidirá por eqüidade nos 
casos previstos em lei.
88 Walter Tierling Neto
Art. 121. O juiz decidirá a lide nos limites 
propostos pelas partes, sendo-lhe vedado conhecer 
de questões não suscitadas a cujo respeito a lei exige 
a iniciativa da parte.
Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites 
em que foi proposta, sendo-lhe defeso conhecer de 
questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige 
a iniciativa da parte.
Art. 122. Convencendo-se, pelas circunstâncias 
da causa, de que autor e réu se serviram do processo 
para praticar ato simulado ou conseguir fim vedado por 
lei, o juiz proferirá sentença que obste aos objetivos 
das partes, aplicando, de ofício, as penalidades da 
litigância de má-fé.
Art. 129. Convencendo-se, pelas 
circunstâncias da causa, de que autor