Novo CPC Comentado
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DisciplinaIntrodução ao Direito I88.321 materiais534.393 seguidores
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e réu se 
serviram do processo para praticar ato simulado 
ou conseguir fim proibido por lei, o juiz proferirá 
sentença que obste aos objetivos das partes.
Art. 130. Caberá ao juiz, de ofício ou a 
requerimento da parte, determinar as provas 
necessárias à instrução do processo, indeferindo as 
diligências inúteis ou meramente protelatórias.
Art. 131. O juiz apreciará livremente a prova, 
atendendo aos fatos e circunstâncias constantes 
dos autos, ainda que não alegados pelas partes; 
mas deverá indicar, na sentença, os motivos que Ihe 
formaram o convencimento.
 Art. 132. O juiz, titular ou substituto, que 
concluir a audiência julgará a lide, salvo se estiver 
convocado, licenciado, afastado por qualquer motivo, 
promovido ou aposentado, casos em que passará os 
autos ao seu sucessor.
Parágrafo único. Em qualquer hipótese, o 
juiz que proferir a sentença, se entender necessário, 
poderá mandar repetir as provas já produzidas.
Art. 123. O juiz responderá por perdas e danos 
quando:
I \u2013 no exercício de suas funções, proceder 
com dolo ou fraude;
II \u2013 recusar, omitir ou retardar, sem justo 
motivo, providência que deva ordenar de ofício ou a 
requerimento da parte.
Parágrafo único. As hipóteses previstas no 
inciso II somente serão verificadas depois que a parte 
requerer ao juiz que determine a providência e o 
pedido não for apreciado no prazo de dez dias.
Art. 133. Responderá por perdas e danos o 
juiz, quando:
I - no exercício de suas funções, proceder 
com dolo ou fraude;
II - recusar, omitir ou retardar, sem justo 
motivo, providência que deva ordenar de ofício, ou a 
requerimento da parte.
Parágrafo único. Reputar-se-ão verificadas 
as hipóteses previstas no no II só depois que a 
parte, por intermédio do escrivão, requerer ao juiz 
que determine a providência e este não Ihe atender 
o pedido dentro de 10 (dez) dias.
89Artigos 112 a 153 
Dos impedimentos e da suspeição (artigos 124 a 128)
Poucas são as modificações realizadas pelo Projeto de Lei 166/2010, que nos aprece bastante 
tímido e carente de originalidade ao regrar a matéria. Duas serão as modificações objeto de destaque 
no presente eis que as demais tão somente repetem o já previsto.
De forma bastante simples, estas são algumas das inovações praticadas, as quais não 
receberão grande ênfase: a) prever a figura do companheiro, adequando-o a figura já prevista em 
nossa legislação Cível e Constituição Federal; b) alargamento da relação de parentesco colateral, 
que passa a ser motivo de impedimento até o terceiro grau, e não mais somente até o segundo; 
c) estabelecer, junto aos incisos VI e VII do artigo 124, que a condição de credor ou devedor de 
alguma das partes sobre o cônjuge, companheiro ou parente do Juiz, bem como a condição do 
Julgador de herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de alguma das partes passa a ser causa 
de impedimento, e não mais de suspeição. d) declarar o impedimento do Juiz para julgamento da lide 
quando instituição na qual o mesmo exerça ou tenha exercido magistério figure na condição de parte;
As hipóteses de suspeição permanecem mantidas, junto ao artigo 125 do Substitutivo, exceto 
naqueles que passam a constituir as causas de impedimento, já mencionadas. Nesse espectro, 
verificamos falha do ordenamento ao não prever, como hipótese de suspeição do Magistrado, o 
desafeto ou amizade entre juiz e advogado de uma das partes. Ora, sabe-se que também entre 
advogados e juízes existem relações próximas (inclusive, com maior frequência do que relação entre 
parte-magistrado), que certamente afetam a condição de imparcialidade necessária ao julgador, 
motivo pelo qual manifestamos crítica ao dispositivo.
Grande destaque é dado à redação do artigo 126 do Projeto, que possibilita a argüição de 
suspeição e impedimento na forma de simples petição ou preliminar de defesa, retirando-lhe caráter 
de exceção, e possibilitando sua alegação a qualquer tempo do processo, desde que respeitado 
prazo de 15 dias a contar da ciência da causa de suspeição e impedimento. O processamento dá-se 
de idêntica forma. Protocolada a petição alegando algumas situações mencionadas, suspende-se 
o feito, remetendo-se à conclusão, na qual o juiz, reconhecendo sua suspeição ou impedimento, 
remeterá o feito ao seu substituto, para processamento do feito. Negando-a, autuará a petição em 
autos apartados, apresentando suas razões, bem como elementos probatórios (inclusive indicação 
de rol de testemunhas), remetendo ao Tribunal de Justiça, para resolução.
As figuras de mediador e conciliador judicial restaram albergados pelo artigo 128 do Projeto 
8.046/2010, que estende as causas de impedimento e suspeição aos Membros do Ministério Público, 
serventuário de justiça, perito, intérprete e demais sujeitos imparciais do processo, repetindo o atual 
artigo 138 do Código de Processo Civil.
90 Walter Tierling Neto
PROJETO CÓDIGO VIGENTE
Art. 124. Há impedimento do juiz, sendo-lhe 
vedado exercer suas funções no processo:
I \u2013 em que interveio como mandatário da parte, 
oficiou como perito, funcionou como membro do Ministério 
Público ou prestou depoimento como testemunha;
II \u2013 de que conheceu em primeiro grau de 
jurisdição, tendo-lhe proferido sentença ou decisão;
III \u2013 quando nele estiver postulando, como 
defensor, advogado ou membro do Ministério Público, 
seu cônjuge ou companheiro , ou qualquer parente, 
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o 
terceiro grau , inclusive;
IV \u2013 quando ele próprio ou seu cônjuge, 
companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em 
linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive, for 
parte no feito;
V \u2013 quando for órgão de direção ou de 
administração de pessoa jurídica parte na causa;
VI \u2013 quando alguma das partes for sua credora 
ou devedora, de seu cônjuge ou companheiro ou 
de parentes destes, em linha reta até o terceiro 
grau, inclusive;
VII \u2013 herdeiro presuntivo, donatário ou 
empregador de alguma das partes;
VIII \u2013 em que figure como parte instituição de 
ensino com a qual tenha vínculo empregatício ou para 
a qual já tenha exercido o magistério.
§ 1o No caso do inciso III, o impedimento só 
se verifica quando advogado, defensor ou membro do 
Ministério Público já estavam exercendo o patrocínio 
da causa antes do início da atividade judicante 
do magistrado.
§ 2o É vedado criar fato superveniente a fim de 
caracterizar o impedimento do juiz.
§ 3o O impedimento a que se refere o inciso 
III também se verifica no caso de mandato conferido 
a membro de escritório de advocacia que tenha em 
seus quadros advogado que individualmente ostente 
a condição nele prevista, mesmo que não intervenha 
diretamente no processo.
Art. 134. É defeso ao juiz exercer as suas 
funções no processo contencioso ou voluntário:
I \u2013 de que for parte;
II \u2013 em que interveio como mandatário da 
parte, oficiou como perito, funcionou como órgão 
do Ministério Público, ou prestou depoimento como 
testemunhas;
III \u2013 que conheceu em primeiro grau de 
jurisdição, tendo-lhe proferido sentença ou decisão;
IV \u2013 quando nele estiver postulando, como 
advogado da parte, o seu cônjuge ou qualquer 
parente seu, consanguíneo ou afim, em linha reta; 
ou na linha colateral até o segundo grau;
V \u2013 quando cônjuge, parente, consanguíneo 
ou afim, de algumas das partes, em linha reta ou, na 
colateral, até o terceiro grau;
VI \u2013 quando for órgão de direção ou de 
administração de pessoa jurídica, parte na causa.
Parágrafo único. No caso do n. IV, o 
impedimento só se verifica quando o advogado já 
estava exercendo o patrocínio da causa; é, porém, 
vedado ao advogado pleitear no processo a fim de 
criar o impedimento do juiz.
91Artigos 112 a 153 
Art. 125. Há suspeição do juiz:
I \u2013 amigo íntimo ou inimigo de qualquer 
das partes;
II \u2013 que receber, das pessoas que tiverem