Novo CPC Comentado
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Novo CPC Comentado


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é omisso quanto ao fato de se tratar de prazo legal ou judicial, presumindo-se, 
portanto, tratar-se de todo e qualquer prazo processual a semelhança da Defensoria Pública, na 
forma da Lei Complementar n. 80/94 com as alterações da Lei Complementar n. 132/2009.1
Ressalta-se que a Instituição teve, dessa forma, ampliada suas prerrogativas, a teor do vigente 
artigo 188 que determina apenas que se compute em quádruplo o prazo para contestar e em dobro 
para recorrer. 
Atribui, outrossim, o substitutivo, no parágrafo único do artigo 158, uma espécie de penalidade 
para o caso de restar extrapolado o prazo institucional, caso em que o juiz requisitará os autos e lhe 
1 Art. 128. São prerrogativas dos membros da Defensoria Pública do Estado, dentre outras que a lei local estabelecer: I \u2013 receber, inclusive 
quando necessário, mediante entrega dos autos com vista, intimação pessoal em qualquer processo e grau de jurisdição ou instância 
administrativa, contando-se-lhes em dobro todos os prazos;________________________________________
99Artigos 154 a 162
dará andamento, independentemente do parecer ministerial, caso em que a ausência de manifestação 
do Ministério Público não configurará nulidade.
Trata-se, pois, de uma adaptação dos artigos 196 e 197 da legislação vigente que determina 
que é lícito a qualquer interessado cobrar os autos que exceder o prazo legal, sendo que nesta 
hipótese poderá haver a imposição de multa pela falta verificada.
O artigo 159 do substitutivo reproduz o atual artigo 85, lembrando que o membro do Ministério 
Público será civilmente responsável quando, no exercício de suas funções, agir com dolo ou fraude, 
não se verificando qualquer alteração, portanto.
Da Defensoria Pública
Novidade e inovação no substitutivo se verifica no que se refere ao título VIII que dispõe sobre 
a Defensoria Pública, haja vista que até então nosso Código Processual Civil era omisso quanto às 
disposições institucionais, alheio ao artigo 134 da Constituição Federal, à Lei Complementar n. 80/94 
com as alterações da Lei Complementar n. 132/2009 e eventuais lei extravagantes, como é o caso 
da ação civil pública.
O artigo 160 prescreve que a Defensoria Pública exercerá a orientação jurídica, a promoção 
dos direitos humanos e a defesa, em todos os graus, dos direitos individuais e coletivos, de forma 
integral e gratuita, aos necessitados. A seguir, em seu parágrafo único, esclarece que a representação 
processual pela Defensoria Pública gera a presunção relativa de hipossuficiência da parte.
Observa-se que o legislador ordinário, ao contrário do constitucional, optou por descrever 
expressamente as atribuições da Instituição quantos aos direitos individuais e coletivos e inovando, 
ainda, quanto à presunção de hipossuficiência da parte.
Ressalta-se, nesse ponto, que a hipossuficiência expressa no texto legal, a exemplo do texto 
constitucional, diz com toda aquela que dificulte o acesso à justiça e ao exercício da cidadania, não 
estando adstrita somente à eventual carência financeira. 
É cediço que a Defensoria Pública tem origem no próprio direito de defesa, mas também e 
principalmente decorre do exercício da cidadania2 viabilizada pelo acesso à justiça proporcionada 
pela Instituição essencial à função jurisdicional do Estado.
Assim que a hipossuficiência a que se refere o texto constitucional diz não apenas com os 
economicamente necessitados, mas também com os necessitados do ponto de vista organizacional, 
ou seja, com os socialmente vulneráveis.
É o que se vislumbra na atuação da Instituição, em cumprimento ao mandamento constitucional, 
quando atua nas áreas judicial e extrajudicial, no crime, no cível, na infância, na família, na execução 
criminal e na tutela dos direitos coletivos.
Tais atribuições independem da comprovação de renda para legitimar o exercício da 
Instituição, justamente para preservar as garantias fundamentais, que restariam cerceadas aos 
que nela não se enquadrassem.
Com efeito, imagine-se o caso de um acusado criminal ou de um apenado com padrão de 
renda que somente lhe permitisse a assistência por um advogado constituído e que este viesse a lhe 
faltar em uma audiência ou dentro do presídio, por exemplo.
Na curadoria especial e na tutela dos direitos coletivos não é, e nem poderia ser diferente.
Veja-se que os fundamentos da atribuição da Instituição, por se fulcrar, fundamentalmente, 
no direito ao contraditório e à ampla defesa e no exercício da cidadania através da viabilização do 
acesso à justiça, não se limitam e nem poderiam se limitar, portanto, ao aspecto puro e simples da 
pobreza para exercício das garantias fundamentais.
2 Paulo Cesar Ribeiro Galliez defende que a exemplo do que ocorre com a magistratura em relação à jurisdição e o Ministério Público em 
face da ação penal, pode-se afirmar que a Defensoria Pública detém a indisponibilidade da defesa da cidadania (GALLIEZ, Paulo César 
Ribeiro. Princípios institucionais da defensoria pública. 4 Ed. Rio de Janeiro. Lumen Juris. 2010, p. 49).____________________________
100 Larissa Pilar Prado
Não se pode olvidar que o movimento de acesso à justiça se concentrou nos obstáculos 
enfrentados por grandes grupos populacionais de excluídos para chegar à justiça, agrupando-os 
em econômico, pelo qual as pessoas não têm acesso, em decorrência de sua baixa remuneração, 
organizativo, pelo qual os interesses coletivos ou difusos não são eficazmente passíveis de tutela e 
processual, pelo qual os procedimentos tradicionais são ineficazes para contemplar esses interesses.3
Se a Constituição Federal limitasse o direito à assistência jurídica pela Defensoria Pública aos 
necessitados que comprovassem a insuficiência de recursos financeiros, estaria limitando a atuação 
da Instituição aos economicamente pobres em detrimento aos demais grupos populacionais.
Mas a Constituição Federal é omissa ao termo \u201cpobreza\u201d e tampouco utilizou, na norma do 
artigo 134, o termo exclusivamente ou privativamente, como bem observou Ada Pellegrini Grinover,4 
o que se aplica ao texto legal em comento. 
Assim que, em uma interpretação sistemática,5 a atribuição da Instituição, por não ficar 
adstrita à carência de recursos financeiros, permite que a áreas de atuação da Instituição sejam 
ampliadas independentemente da condição financeira, desde que para preservar o pleno exercício 
da cidadania, através da viabilização do acesso à justiça, do contraditório e da ampla defesa, 
princípios preconizados pela Carta Constitucional e agora expressamente observados na parte 
introdutória do novo ordenamento processual, como forma de forçar o intérprete à observância do 
espírito constitucional.
A tentativa de limitação, de tornar exclusivo o que não restou restringido pela disposição 
constitucional em detrimento de garantias fundamentais significaria ir de encontro ao espírito do 
legislador ao arrepio do Estado Democrático de Direito.
O artigo 161 do substitutivo inova no que se refere à inclusão do texto legal nas disposições 
do Código de Processo Civil, mas em relação à legislação vigente, apenas reproduz o texto 
institucional no que se refere aos parágrafos primeiro e segundo, que estabelece o prazo em dobro 
e a intimação pessoal, já anteriormente previsto na Lei Complementar n. 80/94 com as alterações da 
Lei Complementar n. 132/2009.
Inovador e atento ao inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal é sim o parágrafo terceiro 
que dispõe que o juiz determinará a intimação pessoal da parte patrocinada, a requerimento da 
Defensoria Pública, no caso de o ato processual depender de providência ou informação que 
somente por ela possa ser prestada, viabilizando o contraditório e a ampla defesa, contribuindo para 
a efetividade do processo.
O parágrafo quarto do artigo 161 estende a prerrogativa do prazo em dobro aos escritórios de 
prática jurídica das faculdades de direito reconhecidas