Novo CPC Comentado
604 pág.

Novo CPC Comentado


DisciplinaIntrodução ao Direito I88.292 materiais532.295 seguidores
Pré-visualização50 páginas
na forma da lei e às entidades que prestam 
assistência jurídica gratuita em razão de convênios firmados com a Ordem dos Advogados do Brasil 
ou com a Defensoria Pública.
O artigo 162, por sua vez, reproduz o artigo 159 do próprio substitutivo e o atual artigo 85 no 
que se refere ao Ministério Público, estendendo a responsabilidade civil ao membro da Defensoria 
Pública quando, no exercício de suas funções, agir com dolo ou fraude.
3 LORENZETTI, Ricardo Luis. Teoria da Decisão Judicial: fundamentos de direito; Título original: Teoría de la decisión judicial: fundamentos 
de derecho. Bruno Miragem, tradução; Cláudia Lima Marques, notas \u2013 São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. P. 234 e ss.
4 Conforme entendimento de Ada Pellegrini Grinover[3]: \u201cO art. 134 da CF não coloca limites às atribuições da Defensoria Pública. O 
legislador constitucional não usou o termo exclusivamente, como fez, por exemplo, quando atribuiu ao Ministério Público a função institucional 
de \u201cpromover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei\u201d (art. 129, inc. I). Desse modo, as atribuições da Defensoria podem 
ser ampliadas por lei, como, aliás, já ocorreu com o exercício da curadoria especial, mesmo em relação a pessoas não economicamente 
necessitadas (art. 4º, inc. VI, da Lei Complementar n. 80/94). O que o art. 134 da CF indica, portanto, é a incumbência necessária e precípua 
da Defensoria Pública, consistente na orientação jurídica e na defesa, em todos os graus, dos necessitados, e não sua tarefa exclusiva (in 
GRINOVER, Ada Pellegrini. Parecer referente a legitimidade da Defensoria Pública juntado à Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 3.943 
promovida pela Associação Associação Nacional dos Membros do Ministério Público \u2013 CONAMP \u2013 São Paulo. 2008).
5 \u201cPor uma interpretação sistemática, na ótica preconizada, entende-se a operação que consiste em atribuir, hierarquicamente, a melhor 
significação, dentre várias possíveis, aos princípios, às regras ou normas estritas e aos valores jurídicos, fixando-lhes o alcance e 
superando antinomias em sentido amplo, tendo em vista solucionar casos de conflito (objetiva ou subjetivamente considerados).\u201d (in 
FREITAS. Juarez. A interpretação sistemática do direito. 5 Ed. São Paulo. Malheiros Editores. 2010, p.101). 
101Artigos 154 a 162
PROJETO CÓDIGO VIGENTE
 Art. 154. O Ministério Público atuará na 
defesa da ordem jurídica, do regime democrático e 
dos interesses sociais e individuais indisponíveis.
 
 Art. 155. O Ministério Público exercerá, em 
todos os graus, o direito de ação em conformidade 
com suas atribuições constitucionais.
 Art. 81. O Ministério Público exercerá o 
direito de ação nos casos previstos em lei, cabendo-
lhe, no processo, os mesmos poderes e ônus que 
às partes.
Art. 156. O Ministério Público será intimado 
para, no prazo de trinta dias, intervir como fiscal da 
ordem jurídica:
I \u2013 nas causas que envolvam interesse 
público ou social;
I \u2013 nas causas que envolvam o estado das 
pessoas e o interesse de incapazes;
III \u2013 nas causas que envolvam litígios 
coletivos pela posse de terra rural; 
IV \u2013 nas demais hipóteses previstas em lei 
ou na Constituição da República.
Parágrafo único. A participação da Fazenda 
Pública não configura por si só hipótese de 
intervenção do Ministério Público.
Art. 82. Compete ao Ministério Público intervir:
I - nas causas em que há interesses 
de incapazes;
II - nas causas concernentes ao estado da 
pessoa, pátrio poder, tutela, curatela, interdição, 
casamento, declaração de ausência e disposições 
de última vontade;
III - nas ações que envolvam litígios coletivos 
pela posse da terra rural e nas demais causas em 
que há interesse público evidenciado pela natureza 
da lide ou qualidade da parte. (Redação dada pela 
Lei nº 9.415, de 23.12.1996)
Art. 157. Nos casos de intervenção como 
fiscal da ordem jurídica, o Ministério Público: I 
\u2013 terá vista dos autos depois das partes, sendo 
intimado de todos os atos do processo; II \u2013 poderá 
produzir provas, requerer as medidas processuais 
pertinentes e recorrer.
 
Art. 83. Intervindo como fiscal da lei, o 
Ministério Público:
I - terá vista dos autos depois das partes, 
sendo intimado de todos os atos do processo;
II - poderá juntar documentos e certidões, 
produzir prova em audiência e requerer medidas ou 
diligências necessárias ao descobrimento da verdade.
Art. 158. O Ministério Público, seja como 
parte, seja como fiscal da ordem jurídica, gozará de 
prazo em dobro para se manifestar nos autos, que 
terá início a partir da sua intimação pessoal.
Parágrafo único. Findo o prazo para 
manifestação do Ministério Público sem o 
oferecimento de parecer, o juiz requisitará os autos 
e lhe dará andamento. 
Art. 84. Quando a lei considerar obrigatória a 
intervenção do Ministério Público, a parte promover-
lhe-á a intimação sob pena de nulidade do processo.
102 Larissa Pilar Prado
Art. 159. O membro do Ministério Público 
será civilmente responsável quando, no exercício de 
suas funções, agir com dolo ou fraude.
Art. 85. O órgão do Ministério Público será 
civilmente responsável quando, no exercício de suas 
funções, proceder com dolo ou fraude.
 Art. 160. A Defensoria Pública exercerá 
a orientação jurídica, a promoção dos direitos 
humanos e a defesa, em todos os graus, dos direitos 
individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, 
aos necessitados.
Parágrafo único. A representação processual 
pela Defensoria Pública gera a presunção relativa de 
hipossuficiência da parte.
Art. 161. A Defensoria Pública gozará de 
prazo em dobro para todas as suas manifestações 
processuais.
§ 1o O prazo tem início com a intimação 
pessoal do defensor público.
§ 2o Quando necessário, a intimação a 
que se refere o §1o será acompanhada da vista 
pessoal dos autos.
§ 3o O juiz determinará a intimação pessoal 
da parte patrocinada, a requerimento da Defensoria 
Pública, no caso de o ato processual depender de 
providência ou informação que somente por ela 
possa ser prestada.
§ 4o O disposto no caput deste artigo se aplica 
aos escritórios de prática jurídica das faculdades de 
direito reconhecidas na forma da lei e às entidades 
que prestam assistência jurídica gratuita em razão 
de convênios firmados com a Ordem dos Advogados 
do Brasil ou com a Defensoria Pública.
 Art. 162. O membro da Defensoria Pública 
será civilmente responsável quando, no exercício de 
suas funções, agir com dolo ou fraude.
ARTIGOS 163 A 166
Francisco M. Moreira
Walter Tierling Neto
As diversas modificações realizadas na legislação material cível, bem como o 
desenvolvimento de novas tecnologias, desafiam uma adequação do sistema processual aos 
dias atuais. A criação de mecanismos digitais que busquem imprimir maior celeridade ao trâmite 
processual, presentes na proposta de substitutivo para o Código de Processo Civil, caracteriza-
se como um novo conceito de jurisdição, na qual seus participantes obtêm e compartilham 
informações de forma instantânea e rápida, possibilitando a aproximação com uma almejada 
prestação célere. De forma obrigatória, nosso sistema judiciário desafia a eliminação de práticas 
meramente burocráticas, mantidas até hoje em razão do temor de alguns para com o \u201cnovo 
mundo\u201d, bem como inserção de novos conceitos oriundos do direito substantivo. E, atendendo 
referidos anseios, destaca-se que o Projeto de Lei n. 8046/2010 é bastante eficaz ao adequar a 
disciplina atinente aos atos processuais ao tempo atual.
É o artigo de n. 163 do anteprojeto quem responde pela inauguração da matéria, copiando 
em seu caput e parágrafos de números 1 e 2 a disciplina já presente no atual ordenamento. 
Como inovações, são inseridos os parágrafos 3 e 4 junto ao referido, versando, respectivamente, 
sobre a obrigatoriedade de que os tribunais mantenham página própria