Novo CPC Comentado
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Novo CPC Comentado


DisciplinaIntrodução ao Direito I88.315 materiais534.032 seguidores
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para a via jurisdicional na fase de cumprimento da sentença 
arbitral, a criação da carta arbitral pelo Substitutivo revela-se absolutamente inadequada. Dessarte, 
esta inovação ofende não só a lógica do sistema jurisdicional, como também e principalmente, o 
próprio propósito da Lei de Arbitragem.
Por essas razões, o inciso IV do art. 206 do Substitutivo deve ser revogado, extinguindo-
se assim, esta nova espécie de carta.
O Substitutivo apresenta, portanto, quatro espécies de carta: a de ordem, a rogatória, 
a precatória e a arbitral. A carta de ordem (art. 206, I), é expedida por autoridade judiciária de 
grau superior para que outra de grau inferior pratique determinado ato processual necessário ao 
julgamento de processo que se encontra no tribunal. Ambas as autoridades judiciárias devem ser, 
obrigatoriamente, do mesmo Tribunal e estado.
A carta rogatória (art.206, II) ativa (art. 237) é expedida por órgão jurisdicional nacional para 
cumprimento de atos processuais em outros países, ao passo que a passiva (art. 238) é expedida por 
autoridades judiciais estrangeiras para cumprimento no Brasil. Por fim, a carta precatória (art. 206, 
III) é expedida por um juízo para solicitar a prática de um ato processual fora dos limites territoriais 
da sua comarca ou seção judiciária. Os juízo deprecante e deprecado devem ter o mesmo nível de 
hierarquia jurisdicional ou a ausência de vinculação entre o juízo e o tribunal.
O Substitutivo altera o CPC vigente, porquanto na sequência da Seção I das Disposições 
Gerais não vem mais a Seção II das Cartas, mas sim, Seção II Da Citação. Tal alteração afigura-se 
inadequada, uma vez que a ordem das Seções no Código vigente apresenta-se mais coerente, ou 
seja: disposições gerais, das cartas, da citação, das intimações.
Seção II
Da citação 
Destarte, no Substitutivo o ato processual da citação passa a ser tratado na Seção II, 
e não mais na III, a partir do art. 207. Esse dispositivo modifica a redação do art. 213 do CPC 
vigente ao substituir as locuções \u201cse chama a juízo\u201d por \u201csão convocados\u201d, e \u201ca fim de se 
defender\u201d por \u201cpara integrar a relação processual\u201d. Ainda insere a figura do executado ao 
lado do réu e do interessado. Assim, propõe o Substitutivo a seguinte redação para o dispositivo 
122 Shana Serrão Fensterseifer
que conceitua o ato citatório: \u201cA citação é o ato pelo qual são convocados o réu, o executado ou o 
interessado para integrar a relação processual.\u201d
A troca da expressão \u201cse chama a juízo\u201d por \u201csão convocados\u201d não altera substancialmente 
o sentido do dispositivo, tratando-se, deste modo, de mera modificação redacional. Já a substituição 
da expressão \u201ca fim de se defender\u201d por \u201cpara integrar a relação processual\u201d modifica o sentido 
da disposição legal e, por isso, tem uma razão de ser.
Essa alteração se justifica no fato de que a citação do demandando não se faz apenas para 
que ele possa se defender, mas também para que possa oferecer pedido contraposto (art. 326), 
alegar impedimento ou suspeição do juiz (arts.124 e 125), impugnar o valor da causa em preliminar de 
contestação (art. 268), reconhecer o pedido total ou parcialmente (art. 474, II), denunciar em garantia 
(art. 314) e, inclusive, ser revel (art. 331). Por essa razão, acertada a substituição da expressão \u201ca 
fim de se defender\u201d por \u201cpara integrar a relação processual\u201d, na medida em que esta última abrange 
todas as possibilidades de manifestação do demandado diante da sua citação.
Nada obstante o acerto do art. 207 ao empregar a nova expressão \u201cpara integrar a relação 
processual\u201d, a doutrina entende que a Comissão poderia ter esclarecido que a integração ao processo 
é na qualidade de parte, e que ao invés de empregar os termos réu, executado e interessado, poderia 
ter aludido simplesmente a alguém, isso porque há a possibilidade de determinada pessoa ser citada 
para integrar o pólo ativo do processo nos casos de litisconsórcio ativo necessário.[2]
No que tange a inserção da figura do executado no texto do dispositivo em comento, também 
acerta o Substitutivo, porquanto o ato da citação tem por objetivo convocar para integrar a relação 
processual, não apenas o réu e os interessados nas ações cognitivas, mas também o executado nas 
ações autônomas de execução.
O art. 208 do Substitutivo disciplina a questão da ausência ou nulidade da citação, a forma como 
ela pode ser suprida e os efeitos da rejeição da alegação de nulidade da citação. Tal dispositivo altera 
o art. 214 do diploma vigente ao inserir na sua parte inicial uma exceção a indispensabilidade 
da citação para a validade do processo, que é a hipótese de improcedência liminar do pedido nas 
ações repetitivas.
Essa inserção se afigura acertada, porquanto em total consonância com a reforma esparsa 
realizada no CPC vigente através da Lei nº 11.277/2006 que inseriu o art. 285-A ao diploma processual 
vigente, isto é, a hipótese de improcedência liminar do pedido nas ações repetitivas. Significa dizer 
que é acertada a inserção desta exceção ao art. 208 porque o art. 307 do Substitutivo (art. 285-A do 
CPC vigente) dispensa a citação do réu nos casos de julgamento liminar de improcedência.
Além disso, o art. 208 acrescenta também a figura do executado ao lado do réu ao 
prescrever que é indispensável para a validade do processo a citação inicial do réu e do executado. 
Inserção pertinente, uma vez que este último também é citado para \u201cintegrar a relação processual\u201d 
nas ações autônomas de execução.
Consoante anunciado, o suprimento da falta ou da nulidade da citação vem regulado no 
Substitutivo no §1º do art. 208, que substitui e altera os §§ 1º e 2º do art. 214 do Código vigente, ao 
disciplinar que o comparecimento espontâneo do réu ou do executado supre a falta ou a nulidade 
da citação, contando-se a partir de então, e não apenas da data da intimação da decisão que 
reconhecer a nulidade, o prazo para contestação ou embargos à execução.
A alteração é adequada na medida em que ao comparecer espontaneamente ao processo o 
réu ou o executado dá-se por intimado de todos os seus termos, atos e decisões, e assim, dos prazos 
para contestar ou embargar, conforme se tratar de ação cognitiva ou executiva autônoma.
Por fim, o art. 208 inova o art. 214 do diploma vigente ao inserir no §2º uma disposição 
expressa sobre os efeitos da rejeição da alegação de nulidade da citação. Assim, dispõe que 
a rejeição da alegação de nulidade no processo de conhecimento enseja a revelia do réu, e no 
processo executivo autônomo enseja o seu prosseguimento.
Afigura-se conveniente trazer ao diploma processual uma disciplina expressa à respeito dos 
efeitos da rejeição da alegação de nulidade da citação, embora na prática sempre tenha sido estes 
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os efeitos produzidos da decisão de não reconhecimento da nulidade. Pela pertinência da inserção 
desta disciplina julga-se a mesma acertada.
Os efeitos da citação válida são tratados no art. 209 do Substitutivo. Esse dispositivo em 
seu caput modificou o art. 219 do CPC vigente ao suprimir a previsão expressa da prevenção como 
efeito da citação. Assim, o caput prevê que a citação válida produz apenas os seguintes efeitos: 
litispendência, litigiosidade da coisa, constituição em mora do devedor e interrupção da prescrição.
Essa supressão da prevenção da redação do dispositivo que disciplina os efeitos da 
citação válida propõe a nova regra de que não é a mais a citação que torna prevento o juízo nos 
casos de ações conexas tramitantes perante juízos de competência territorial distinta, mas sim a 
distribuição da petição inicial, consoante determina o art. 59 do Substitutivo em substituição ao art. 
106 do Código atual.[3]
A prevenção, portanto, é uma forma de fixação de competência do órgão jurisdicional em 
atenção ao critério de anterioridade temporal. No CPC vigente, havendo duas ou mais ações conexas 
tramitando perante