Novo CPC Comentado
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Novo CPC Comentado


DisciplinaIntrodução ao Direito I89.010 materiais558.246 seguidores
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que repete o art. 217 do CPC vigente, acrescentando 
apenas a figura do companheiro (a) ao lado da do cônjuge. Os casos de vedação da citação são: a 
quem estiver assistindo a culto religioso; ao cônjuge, companheiro ou a qualquer parente do morto, 
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consanguíneo ou afim, no dia do falecimento e nos 7 (sete) dias seguintes; aos noivos nos 3 (dias) 
seguintes ao casamento; e ao doente enquanto estiver em estado grave. Mister frisar que a infração 
desta regra proibitiva constitui causa de ineficácia da citação.
O art. 214 do Substitutivo traz mais uma hipótese de vedação da citação, que é quando for 
verificado que o réu ou o executado é mentalmente incapaz ou impossibilitado de recebê-la. Neste 
caso, o estado de incapacidade é certificado pelo oficial de justiça, sendo determinado pelo juiz a 
realização de laudo médico a fim de examinar o citando. Uma vez reconhecida a impossibilidade, o 
juiz nomeará curador ao citando, com atuação restrita à causa, perante a quem será feita a citação 
incumbindo a ele a defesa do réu ou do executado. Esse dispositivo repete o art. 218 do Código 
vigente, acrescentando apenas a figura do executado ao lado da do réu.
As modalidades de citação são disciplinadas no art. 215 do Substitutivo que acrescenta à 
disposição do art. 221 do Código vigente a citação realizada pelo escrivão nos casos em que o 
citando comparecer espontaneamente ao cartório. A citação, portanto, quanto a sua forma, pode 
ser realizada: pelo correio, por oficial de justiça, pelo escrivão, por edital ou por meio eletrônico.
Além disso, o art. 215 do Substitutivo inova também o dispositivo legal vigente ao inserir um 
parágrafo único que determina a obrigação de as empresas públicas ou privadas, excetuando-
se as micro e pequenas empresas, criarem endereço eletrônico para o fim específico de receber 
citações ou intimações, as quais se realizarão preferencialmente por este meio.
Apresentam-se adequadas ambas as inserções. Relativamente a inserção da hipótese de 
citação pelo escrivão nos casos em que o citando comparecer espontaneamente ao cartório, de 
fato, ela está faltando no rol das formas de citação do art. 221 do CPC vigente uma vez que tal 
hipótese já de verifica na prática. E a segunda, por sua vez, consoante já referido, é reflexo da 
tendência progressiva de tornar eletrônico o processo, tendência esta trazida pela Lei nº 11.419/2006 
que disciplina a informatização do processo judicial, e sob este intuito vem a favorecer a ideologia 
basilar do Substitutivo de realização de uma tutela jurisdicional adequada, efetiva e tempestiva dos 
direitos subjetivos posto em causa. Sem dúvida alguma, a realização da citação e a intimação por 
meio eletrônico ensejarão maior celeridade, economia e efetividade ao cumprimento da comunicação 
dos aludidos atos processuais. Por essa razão, revela-se acertada.
A primeira modalidade de citação, então, é a realizada pelo correio, a qual vem regulada 
no art. 216 do Substitutivo em substituição ao art. 222 do diploma processual vigente. Destarte, 
prescreve-se que a citação será realizada pelo correio para qualquer comarca do país, exceto nas 
seguintes hipóteses: nas ações de estado, quando for ré pessoa incapaz ou de direito público, 
quando o réu residir em local não atendido pela entrega domiciliar de correspondência, ou quando o 
autor justificadamente a requerer de outra forma. Nestas hipóteses a citação será realizada por meio 
de oficial de justiça.
O art. 216, entretanto, suprime uma das hipóteses em que o CPC vigente não permite a 
citação pelo correio, que é a do processo de execução. Portanto, o que o Substitutivo propõe 
é que a citação no processo de execução pode ser realizada pelo correio.
Nada obstante a modalidade preferencial de citação trazida pela Comissão seja a do meio 
eletrônico, a proposta de ampliar as alternativas de citação no processo executivo autônomo 
é uma medida acertada, pois caso a citação não possa ser realizada pelo meio eletrônico, 
poderá ser pelo correio, e caso esta alternativa reste frustrada, se realizará pelo oficial de 
justiça. Outrossim, não há qualquer empecilho concreto que inviabilize a citação no processo de 
execução autônomo pelo correio. 
Além disso, na hipótese de a citação não se realizar pelo correio em razão de o autor a 
requerer de outra forma, o art. 216 do Substitutivo acrescenta que esse requerimento deve der 
justificado, o que faz sentido porquanto a citação deve ser realizada pelo meio mais adequado 
e eficiente. Assim, caso o autor requeira meio diverso do sugerido pela lei terá que justificar 
o seu pedido.
O formato da modalidade de citação pelo correio é regrado no art. 217 do Substitutivo 
correspondente ao art. 223 do diploma processual vigente. Dispõe-se, deste modo, que a carta citatória 
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será acompanhada de cópia da inicial e do despacho do juiz e comunicará o prazo para resposta, o 
endereço do juízo e o respectivo cartório. A carta será registrada com aviso de recebimento.
Além disso, o Substitutivo insere disposição legal expressa (§2º do art. 217) de que a carta 
citatória a ser encaminhada pelo correio no processo cognitivo deverá conter os seguintes 
requisitos arrolados no art. 219: nome do autor e do réu, bem como endereço dos respectivos 
domicílios ou residências; o fim da citação com todas as especificações da petição inicial, bem como 
a menção do prazo para resposta, sob pena de revelia; a cominação, se houver; a intimação do 
réu, se for o caso, para comparecimento com a presença de seu advogado ou defensor público 
à audiência de conciliação; a menção do dia, hora e local do comparecimento; a cópia da petição 
inicial, do despacho ou decisão que deferir a tutela de urgência ou da evidência e, a assinatura do 
escrivão e a declaração que a subscreve por ordem do juiz.
Considerando que o Substitutivo propõe (art. 216) a possibilidade de citação pelo correio 
também no processo executivo autônomo, o §2º do art. 217 deveria ter disciplinado que os requisitos 
nele dispostos se aplicam tanto para a citação por carta no processo cognitivo, como, no que 
couber, no executivo autônomo. O Substitutivo elimina do caput do art. 217 a necessidade de 
constar na carta citatória a advertência referente aos efeitos da revelia do réu. Entretanto, tal 
advertência está prevista expressamente como requisito da carta citatória a ser cumprida pelo 
correio no art. 217, §2º que remete ao art. 219, II. Outrossim, os efeitos da revelia também estão 
previstos expressamente no art. 331. Por essa razão, a fim de evitar repetição nas disposições dos 
artigos, pertinente a supressão da advertência dos efeitos da revelia do conteúdo da carta citatória 
no caput do art. 217. Por fim, o §1º do art. 217 acrescenta a possibilidade de a carta citatória ser 
entregue a funcionário responsável pelo recebimento de correspondências, nos casos em que 
o réu for pessoa jurídica. Destarte, o parágrafo único do art. 223 da legislação processual vigente é 
redigido no §1º do art. 217 do Substitutivo da seguinte maneira: \u201cA carta será registrada para entrega 
ao citando, exigindo-lhe o carteiro, ao fazer a entrega, que assine o recibo. Sendo o réu pessoa 
jurídica, será válida a entrega a pessoa com poderes de gerência geral ou de administração, ou, 
ainda, a funcionário responsável pelo recebimento de correspondências.\u201d
Esta inovadora possibilidade trazida pelo Substitutivo revela-se válida na medida em que 
facilita a efetivação do ato citatório pelo correio, e com isso, imprime celeridade ao prosseguimento 
do processo em seus ulteriores termos. A segunda modalidade de citação, por sua vez, é a 
efetuada por meio de oficial de justiça, a qual vem regulada no art. 218 do Substitutivo no lugar do 
art. 224 do CPC vigente. Desta forma, prescreve-se que a citação será realizada por meio de oficial 
de justiça nos casos em que