Novo CPC Comentado
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Novo CPC Comentado


DisciplinaIntrodução ao Direito I88.274 materiais530.905 seguidores
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não for permitida a citação pelo correio, ou que esta restar frustrada. 
Significa dizer que a citação será cumprida pela oficial de justiça nos seguintes casos: nas ações 
de estado, quando for ré pessoa incapaz ou de direito público, quando o réu residir em local não 
atendido pela entrega domiciliar de correspondência, ou quando o autor justificadamente a requerer 
de outra forma, ou ainda, quando restar frustrada a citação pelo correio. Do mesmo modo que a 
carta citatória a ser encaminhada pelo correio, o mandado citatório a ser cumprido pelo oficial de 
justiça deverá conter os seguintes requisitos arrolados no art. 219 (que substitui o art. 225 do CPC 
vigente): nome do autor e do réu, bem como endereço dos respectivos domicílios ou residências; o 
fim da citação com todas as especificações da petição inicial, bem como a menção do prazo para 
resposta, sob pena de revelia; a cominação, se houver; a intimação do réu, se for o caso, para 
comparecimento, com a presença de seu advogado ou defensor público, à audiência de conciliação; 
a menção do dia, hora e local do comparecimento; a cópia da petição inicial, do despacho ou decisão 
que deferir a tutela de urgência ou da evidência e, a assinatura do escrivão e a declaração que a 
subscreve por ordem do juiz.
Esse art. 219 traz dois requisitos novos ao mandado citatório, são eles: a intimação do 
réu, se for o caso, para comparecimento, com a presença de seu advogado ou defensor público, à 
audiência de conciliação e; a cópia da petição inicial e da decisão que deferir a tutela de urgência 
ou da evidência. O requisito da intimação do réu para a audiência conciliatória é reflexo do 
intuito predominante do Substitutivo de estimular as tentativas de composição amigável dos litígios. 
127Artigos 205 a 228
Esse requisito decorre, portanto, da proposta da Comissão de que a citação do réu no procedimento 
comum não é para contestar o pedido, mas sim, para comparecer à audiência conciliatória, conforme 
determinam os arts. 323 e 324 do Substitutivo. Todavia, esta audiência poderá ser dispensada quando 
as partes manifestarem expressamente desinteresse na composição amigável (§5º do art. 323).
Diante disso, tendo em vista a coerência entre os arts. 219 e 323, bem como, o acerto 
do Substitutivo em estimular a composição amigável dos litígios, a inserção em comento revela-
se plenamente correta e adequada.
Do mesmo modo, acerta o Substitutivo ao acrescentar o requisito da cópia da petição 
inicial e da decisão que deferir a tutela de urgência ou evidência, uma vez que o dispositivo 
vigente (art. 225) faz alusão a peça exordial apenas no seu parágrafo único que é eliminado na 
proposta trazida pela Comissão, e não faz alusão expressa a decisão antecipatória, sendo que 
ambas as peças (inicial e decisão das tutelas de urgência e da evidência) devem obrigatoriamente 
acompanhar o mandado citatório para que o citando tenha plena ciência dos termos do processo.
No que refere especificamente a inserção do requisito da decisão que deferir a tutela de 
urgência ou evidência, esta é consequência da modificação trazida pelo Substitutivo nos institutos da 
antecipação de tutela e da cautelar. Tais institutos, portanto, são apresentados no Substitutivo como 
espécies do gênero tutela de urgência, e assim, são disciplinadas conjuntamente no art. 269 sob a 
nominação de tutela de urgência cautelar e satisfativa e tutela da evidência.
Por fim, consoante mencionado, o art. 219 do Substitutivo suprime da sua redação 
a disposição do parágrafo único do art. 225 do CPC vigente, porquanto a mesma faz referência 
ao requisito da petição inicial como peça obrigatória a acompanhar o mandado citatório, requisito 
este que já está previsto no inciso VI do art. 219. Neste sentido, acertada a supressão em comento.
O procedimento da citação por oficial de justiça é regulado no Substitutivo no art. 220 que 
repete o art. 226 do Código vigente. Dispõe, assim, que nesta modalidade de citação são deveres do 
oficial de justiça, procurar, encontrar e citar o réu. O ato citatório consiste, assim, fundamentalmente 
no seguinte: na leitura do mandado citatório e na entrega da contrafé; certificação de se o demandado 
recebeu ou recusou-se a recebe-la; e, colher a nota de ciente do réu, havendo recusa desse, tem de 
certificar que o demandado não a apôs no mandado.
Neste dispositivo a Comissão deveria ter acrescido o executado ao lado do réu como 
destinatário da citação por oficial de justiça, assim como o fez em outros dispositivos do Substitutivo.
Inserida na modalidade de citação por oficial de justiça está a citação por hora certa, que vem 
regulada no Substitutivo nos arts. 221 e seguintes, os quais repetem os arts. 227 e seguintes do Código 
vigente. Tal modalidade citatória é aplicada nas hipóteses de ocultação do réu ou do executado. Nas 
hipóteses de citação por hora certa, dispõe o art. 223 do Substitutivo, correspondente ao art. 229 do 
CPC vigente, que o escrivão enviará ao réu carta, telegrama ou correspondência eletrônica dando-
lhe ciência de tudo. A novidade trazida pela Comissão, portanto, é que esta comunicação pode ser 
feita por mensagem eletrônica, bem como não pode mais ser feita por radiograma. Mais uma vez, 
se vislumbra o acerto do Substitutivo ao trazer inovações como esta compatíveis com a tendência 
progressiva de tornar eletrônico o processo. Relativamente ao lugar e objeto da citação por oficial 
de justiça, o art. 224 Substitutivo, em substituição do art. 230 do CPC vigente, dispõe que o oficial 
de justiça poderá realizar citações, intimações, penhoras e quaisquer outros atos executivos em 
qualquer das comarcas contíguas ou situadas na mesma região metropolitana. A novidade neste 
dispositivo legal é a previsão expressa da possibilidade de o oficial realizar penhora e outros 
atos executivos em quaisquer das comarcas que se situarem em uma mesma localidade. 
Afigura-se adequada essa novidade proposta pela Comissão, porquanto o mandado a ser cumprido 
pelo oficial pode ter por objeto não só atos de comunicação (citação ou intimação), como também 
atos de constrição (penhora). 
A terceira modalidade de citação é a realizada pelo escrivão (art. 215, III) nos casos 
em que o citando comparecer espontaneamente ao cartório, caso em que a falta ou nulidade da 
citação é suprida.
128 Shana Serrão Fensterseifer
A quarta modalidade de citação é a realizada por edital, que vem disciplina no art. 225 
Substitutivo, em substituição ao art. 231 do Código vigente, e é aplicada nos seguintes casos: 
réu desconhecido ou incerto; lugar em que se encontra o réu é ignorado, incerto ou inacessível; 
nos casos expressos em lei (que vem previstos no art. 228 Substitutivo: na ação de usucapião; 
nas ações de recuperação ou substituição de título ao portador; em qualquer ação em que seja 
necessária, por determinação legal, a provocação, para participação no processo, de interessados 
incertos ou desconhecidos.).
Os requisitos da citação por edital estão arrolados no art. 226 Substitutivo (art. 232 do 
CPC vigente), são eles: a afirmação do autor ou a certidão do oficial informando a presença das 
circunstâncias autorizadoras do art. 225; a publicação do edital no sítio eletrônico do tribunal 
respectivo, certificada nos autos; a determinação, pelo juiz, do prazo, que variará entre vinte 
dias e sessenta dias, correndo da data da publicação única, ou, havendo mais de uma, a contar da 
primeira; a advertência sobre os efeitos da revelia, se o litígio versar sobre direitos disponíveis.
A novidade trazida por este dispositivo é o requisito da publicação do edital no sítio 
eletrônico do tribunal respectivo, certificada nos autos. Outrossim, dito dispositivo também inova 
ao prescrever que o juiz, levando em consideração as peculiaridades da comarca ou da seção 
judiciária, poderá determinar que a publicação do edital seja feita também em jornal local de