Novo CPC Comentado
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Novo CPC Comentado


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do CPC: críticas e propostas.. São 
Paulo: Revista dos Tribunais, 2010, p. 91.
[2] MARINONI, Luiz Guilherme; MITIDIERO, Daniel. O projeto do CPC: críticas e propostas.. São 
Paulo: Revista dos Tribunais, 2010, p. 94-95.
[3] MARINONI, Luiz Guilherme; MITIDIERO, Daniel. O projeto do CPC: críticas e propostas.. São 
Paulo: Revista dos Tribunais, 2010, p. 79.
[4] Ibidem, p. 79.
 
ARTIGOS 229 A 250
Shana Serrão Fensterseifer
Na Seção III, o projeto trata Das cartas, a qual no Código vigente corresponde a Seção II.
A segunda forma de cumprimento dos atos processuais, conforme já salientado 
alhures, são as cartas a serem utilizadas nos casos em que os atos necessitem ser cumpridos fora 
dos limites territoriais da comarca ou seção judiciária onde tramita o processo.
Os requisitos das cartas de ordem, precatória e rogatória vem tratados nos arts. 229, 
230 do Substitutivo, em repetição aos arts. 202, 203 do Código vigente), são eles: indicação do juízo 
deprecante e deprecado; cópia da inicial, do despacho e das procurações outorgadas; indicação 
do ato processual que lhe constitui objeto; prazo em que deverão ser cumpridas e assinatura do 
juiz deprecante.
Além disso, o art. 233 do Substitutivo (art. 206 do CPC atual) determina que também são 
aplicadas às cartas de ordem e precatória os requisitos do mandado citatório a ser cumprido pelo 
oficial, os quais vem previstos no art. 219 do Substitutivo, são eles: nome do autor e do réu, bem como 
endereço dos respectivos domicílios ou residências; o fim da citação com todas as especificações da 
petição inicial, bem como a menção do prazo para resposta, sob pena de revelia; a cominação, se 
houver; a intimação do réu, se for o caso, para comparecimento, com a presença de seu advogado 
ou defensor público, à audiência de conciliação; a menção do dia, hora e local do comparecimento; 
a cópia da petição inicial, do despacho ou decisão que deferir a tutela de urgência ou da evidência e, 
a assinatura do escrivão e a declaração que a subscreve por ordem do juiz (nas cartas de ordem ou 
precatória por meio eletrônico, telefone ou telegrama).
O Substitutivo no §3º do art. 229 altera o CPC vigente ao estabelecer que o meio preferencial 
de expedição das cartas é o meio eletrônico. Assim, o aludido dispositivo dispõe que as cartas 
deverão ser expedidas preferencialmente por meio eletrônico, ao passo que o Código atual apenas 
diz que as mesmas poderiam ser expedidas por meio eletrônico.
Consoante já se destacou, acerta a Comissão ao instituir este novo meio preferencial de 
expedição das cartas, pois em absoluta sintonia a tendência trazida pela Lei nº 11.419/2006 de 
informatização do processo judicial, bem como ao propósito de o sistema processual disponibilizar aos 
operadores do direito meios adequados, tempestivos e céleres a efetiva prestação da tutela do direito.
Entretanto, a Comissão deveria ter incluído neste art. 229 a nova modalidade da carta 
arbitral inserida no Substitutivo no art. 206, IV, a fim de manter a coerência do sistema processual.
Do mesmo modo, o art. 232 do Substitutivo, em substituição ao art. 205 do CPC vigente, 
também inova ao dispor que havendo urgência na carta de ordem ou precatória, estas serão 
transmitidas por meio eletrônico ou telegrama. Absolutamente correta esta inovação, pois em 
consonância com o art. 229 do Substitutivo que institui o meio eletrônico como meio preferencial de 
expedição das cartas. No que refere a modalidade de expedição de carta de ordem ou precatória 
por telefone, o art. 234 do Substitutivo em substituição art. 207 do CPC atual, dispõe que a carta 
de ordem ou precatória poderá ser transmitida por telefone, observando-se os requisitos dos arts. 
229, 230 e 233 do Substitutivo. No §1º do art. 234 o Substitutivo traz a novidade de que no mesmo 
dia ou dia seguinte da transmissão da carta por telefone, o escrivão do juízo deprecado enviará 
mensagem eletrônica (ou telefonará) para confirmar os termos da carta. Sendo confirmada a carta, 
o escrivão a submeterá a despacho. Mais uma vez, vislumbra-se o reflexo da Lei nº 11.419/2006 
sob as inovações e alterações propostas pelo Substitutivo, visando assim, a informatização do 
processo, e sob este aspecto revela-se positiva para a celeridade, tempestividade e efetividade da 
prestação jurisdicional.
Os atos processuais requisitados via carta de ordem, precatória, rogatória ou arbitral são 
praticados de ofício pelo juízo deprecado devendo a parte requerente depositar no juízo deprecante 
as despesas referentes ao ato solicitado (art.253 do Substitutivo em substituição ao art. 208 do 
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Código atual). As hipóteses de recusa pelo juízo deprecado ao cumprimento da carta precatória ou 
arbitral são disciplinadas no art. 236 do Substitutivo, correspondente ao art. 209 do CPC vigente, 
são elas: falta dos requisitos legais das cartas; falta de competência do juízo deprecado em razão da 
matéria ou hierarquia; existência de dúvida acerca da sua autenticidade.
Aqui a Comissão acerta ao inserir a carta arbitral ao lado da carta precatória. Além disso, 
o Substitutivo inova ao inserir um parágrafo único ao art. 236, prescrevendo que, havendo recusa 
em razão de incompetência pela matéria ou hierarquia, dependendo do objeto da carta, o juízo 
deprecado incompetente poderá remeter a carta ao juízo competente.
Tendo em vista que um dos principais ideais trazidos pelo Substitutivo é o da simplificação 
do processo civil, a possibilidade expressa de o juízo deprecado incompetente remeter a carta 
precatória ou arbitral ao juízo competente, é uma inovação acertada pela Comissão em prol da 
aludida simplificação. A carta rogatória divide-se ainda em duas subespécies: a ativa e a passiva.
A carta rogatória ativa consiste na carta que é expedida de órgão jurisdicional nacional para 
que órgão jurisdicional estrangeiro cumpra determinado ato processual. O seu procedimento está 
disciplinado no Substitutivo no art. 237 (art. 210 do Código vigente), ao dispor que sua 
admissibilidade e modo de cumprimento obedecerão ao disposto em convenção internacional, e 
na falta desta, serão remetidas à autoridade judiciária estrangeira por via diplomática, uma vez 
traduzida a carta ao país rogado. A novidade trazida por este dispositivo está em seu parágrafo 
único que determina que o requerimento da carta rogatória deverá estar acompanhado da 
tradução dos documentos que se fizerem necessários para o seu cumprimento ou de protesto 
por sua apresentação em prazo razoável.
Considerando que a inserção deste novo requisito facilita a admissão e o processamento da 
carta rogatória, acerta o Substitutivo com esta inovação.
A carta rogatória passiva consiste na carta que é expedida de órgão jurisdicional 
estrangeiro para cumprimento de determinado ato processual em órgão jurisdicional nacional. O 
Substitutivo inova ao trazer no art. 238 uma disciplina expressa sobre os possíveis objetos das 
cartas rogatórias passivas, são eles: comunicação (citação e intimação); instrução (produção de 
provas); atos executivos (medidas de urgência e execução de decisões estrangeiras).
O Substitutivo acerta com esta inovação, uma vez que o Código vigente não prevê em 
dispositivo algum os atos processuais que podem ser objetos de cartas rogatórias e das demais 
espécies de carta. Entretanto, justo por esta ausência de disciplina expressa sobre o objeto das 
cartas, deveria a Comissão ter elaborado um dispositivo legal genérico para todas as espécies 
de cartas com a previsão dos atos que podem ser objetos de cumprimento. Sob este prisma, tal 
dispositivo deveria ser inserido nas disposições gerais na sequência do artigo que dispõe 
sobre as espécies de cartas.
O procedimento de execução das cartas rogatórias passivas vem regulado no art. 239 do 
Substitutivo (art. 211 do CPC vigente), consistindo no seguinte: