Novo CPC Comentado
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Novo CPC Comentado


DisciplinaIntrodução ao Direito I88.321 materiais534.393 seguidores
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o Ministro Presidente do Superior 
Tribunal de Justiça concede a exequibilidade à carta rogatória, observado o seu regimento interno, e a 
Justiça Federal compete a execução da carta. O Substitutivo inova ao trazer na parte final do art. 239 
disciplina expressa sobre os casos em que a carta rogatória passiva não será cumprida, são eles: 
quando lhe faltar autenticidade ou quando a medida solicitada, quanto a sua natureza, atentar contra 
a ordem pública nacional. Embora a falta de autenticidade seja motivo de recusa de cumprimento à 
todas as espécies de carta, revela-se pertinente a ressalva de que não será cumprida quando o ato 
requisitado, quanto a sua natureza, atentar contra a ordem pública nacional.
No que refere ao cumprimento da carta de ordem, precatória, rogatória ou arbitral, o art. 
240 do Substitutivo repete o art. 212 do Código vigente dispondo que uma vez cumprida a carta será 
remetida ao juízo de origem no prazo de 10 (dez) dias, independentemente de traslado, pagas as 
custas, sendo esta última condição para a devolução.
139Artigos 229 a 250
Seção IV
Das intimações
Encerrando o Capítulo IV Das comunicações dos atos processuais, a Seção IV, a partir 
do art. 241 passa a disciplinar o ato processual da intimação. Esse dispositivo, em substituição 
ao art. 234 do Código vigente, traz a conceituação do ato da intimação, prescrevendo que: \u201cé o ato 
pelo qual se dá ciência a alguém dos atos e termos do processo\u201d. Nestes termos, o Substitutivo 
altera o dispositivo vigente ao suprimir a parte final do caput que dispõe: \u201c[...] para que faça ou 
deixe de fazer algo\u201d. 
A supressão em comento afigura-se pertinente, porquanto o trecho suprimido é consequência 
lógica do ato de intimação, e por isso, sua eliminação não retira o sentido, e assim, não altera o objetivo 
social do dispositivo legal em epígrafe. Esse mesmo art. 241 traz em seus §§1º e 2º uma novidade 
que corresponde a possibilidade de o próprio advogado promover a intimação do advogado 
da parte contrária por meio de correio, juntando nos autos a cópia do ofício de intimação e do 
aviso de recebimento. O ofício de intimação deverá ser instruído com cópia do despacho, da decisão 
ou da sentença objeto da intimação.
Caso o Substitutivo seja aprovado, pode-se antever, desde já, a absoluta inoperância desta 
inovação na prática forense. Neste sentido, será difícil se vislumbrar na prática o procurador 
destinatário da intimação viabilizar que a mesma se efetive, pois provavelmente não receberá 
e não autorizará o recebimento da intimação por terceiro. Além disso, no âmbito do exercício 
da advocacia será inviável que os advogados providenciem ou disponham de alguém para 
especificamente providenciar todas as intimações que houverem nos processos sob seu patrocínio, 
fora o custo financeiro que essa prática ensejaria para o advogado que a realizar. Por fim, se os 
advogados passarem a se responsabilizar pela comunicação dos atos processuais, acabarão por 
usurpar uma das funções que é delegada aos serventuários da justiça, isto é, aos oficiais de 
justiça que ficarão sem sua função auxiliar da justiça. Por todas estas razões, é certo que esta 
inovação proposta pelo Substitutivo não proporcionará a celeridade, tempestividade e efetividade 
da prestação jurisdicional almejada pela Comissão. Nestes termos, o Substitutivo falha ao propor 
a inovação dos §§1º e 2º do art. 241.
O substitutivo inova quanto ao meio preferencial de realização da intimação ao dispor no 
art. 242, em substituição ao parágrafo único do art. 237 do CPC vigente, que as intimações serão 
realizadas preferencialmente pelo meio eletrônico, na forma da Lei nº 11.419/2006.
Mais uma vez, vislumbra-se o reflexo da Lei nº 11.419/2006 sob as inovações e alterações 
propostas pelo Substitutivo, visando assim, a informatização do processo, e sob este aspecto revela-
se positiva para a celeridade, tempestividade e efetividade da prestação jurisdicional.
Portanto, a ordem preferencial dos meios de realização da intimação apresentam-se no 
Substitutivo da seguinte forma: por meio eletrônico (art. 242), pelo correio mediante carta (art. 246), 
pessoalmente em cartório quando a parte comparecer espontaneamente (art. 246, caput), por oficial 
de justiça (art. 247 - quando frustrada por meio eletrônico ou correio) ou por edital (art. 249, V)
Os requisitos da certidão de intimação realizada pelo oficial de justiça vêm arrolados 
no §1º do art. 247 do Substitutivo, são eles: indicação do lugar da intimação e da pessoa intimada 
incluindo nome e RG; declaração de entrega da contrafé, nota de ciente ou certidão de que o intimado 
não a apôs no mandado. O Substitutivo inova ao prever a possibilidade de intimação por oficial 
de justiça por hora certa. Esta nova modalidade vem prevista no §2º do art. 247, que dispõe que 
a mesma será realizada nos moldes da citação por hora certa, disciplinada nos arts. 221 a 223. As 
intimações podem ser feitas diretamente às partes, aos seus representantes legais ou procuradores 
judiciais, consoante prescreve o art. 246, caput do Substitutivo (art. 238 do CPC vigente).
Os atos de intimação são determinados de ofício pelo juiz em processos pendentes, salvo 
disposição em contrário, nos termos do art. 243 do Substitutivo que repete o art. 235 do Código atual.
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As intimações são consideradas feitas pela publicação dos atos no órgão oficial, consoante 
dispõe o art. 244 do Substitutivo (art. 236 do CPC vigente). O Substitutivo inova no §1º do art. 244 
ao prescrever a possibilidade de os advogados requererem que na intimação conste apenas o 
nome da sociedade a que pertencem, desde que esta tenha registro na OAB.
Essa inovação será pertinente desde que na prática seja possível operacionalizar 
a fiscalização da representação processual constando nas intimações apenas a sociedade 
de advogados. Pode ser que o fato de não constar o nome dos advogados cadastrados na 
intimação dificulte o controle da representação processual, bem como, a comunicação entre o 
procurador judicial e o seu constituinte, uma vez que este não conseguirá identificar pela informação 
processual quem é o seu procurador judicial. Nestes dois pontos pode ser que não seja tão 
conveniente esta faculdade trazida pelo §1º do art. 244. Os prazos serão contados para as partes, 
procuradores e Ministério Público a partir da intimação, assim prescreve o art. 248, caput em 
substituição ao art. 240, caput. Entretanto, ressalta o parágrafo único daquele dispositivo que as 
intimações consideram-se feitas no primeiro dia útil seguinte, se tiverem ocorrido em dia que não 
houve expediente forense. Dispõe o art. 249 do Substitutivo (art. 241 do CPC vigente) que os 
prazos passam a correr, contando-se apenas os dias úteis, a partir: da data da juntada aos autos 
do AR quando a citação ou intimação for pelo correio; da data da juntada aos autos do mandado 
de citação cumprido quando a citação ou intimação for por oficial de justiça; da data da juntada 
aos autos do último AR ou mandado cumprido quando houver vários réus; da data da juntada 
aos autos da carta devidamente cumprida quando o ato se realizar em cumprimento de carta de 
ordem, precatória ou rogatória; do dia seguinte ao da publicação única, ou havendo mais de uma 
da primeira quando a citação ou intimação por edital; e do dia seguinte ao da publicação quando 
a intimação for pela forma eletrônica. Esta última hipótese de contagem de prazo relativa a 
intimação por meio eletrônico é a novidade trazida pelo rol de contagem de prazos do art. 249 do 
Substitutivo em decorrência do disposto no art. 242, que determina a aplicação do meio eletrônico 
como modalidade preferencial de intimação.
Entretanto, a parte inicial inserida no caput do art. 249 do Substitutivo ressalva que só 
não se aplicará esta contagem de prazo nos casos em que for realizada a audiência conciliatória 
inicial