Novo CPC Comentado
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Novo CPC Comentado


DisciplinaIntrodução ao Direito I88.991 materiais556.874 seguidores
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processual (art. 7°); (f) contraditório (art. 7°); (g) publicidade (art. 11) e (h) motivação (art. 11) e, 
ainda, os princípios da dignidade da pessoa humana, razoabilidade, legalidade, impessoalidade, 
moralidade, publicidade e eficiência (art. 6°) e da cooperação (art. 5°). 
Como se vê, com eventuais variações, aqui ou ali, o projeto reproduz expressamente parcela 
do que consta da Constituição Federal e, por conseguinte, mais uma vez reafirma o desejo de 
estabelecer sintonia fina com o Estado constitucional, deixando claro que não há como compreender 
o processo contemporâneo senão através da incidência de valores constitucionais.
3.6 A inserção das garantias implícitas
O artigo primeiro do projeto incorpora para além das garantias expressadas nos artigos 
subsequentes, todas aquelas integrantes do Estado de direito, na medida em que aduz claramente 
que \u201co processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado conforme os valores e os princípios 
fundamentais estabelecidos na Constituição da República Federativa do Brasil\u201d.
Isso quer dizer que direitos implícitos que tenham caráter paraprocessual e/ou endoprocessual 
são incorporados à nova ordem jurídico-processual, haja vista decorrerem da compreensão 
sistemática desta.
Portanto, resta claramente fixada à supremacia dos valores constitucionais na aplicação, 
compreensão e interpretação do processo civil coevo, sejam estes expressos ou não.
Isto, por derradeiro, registre-se que em nada afeta a autonomia do direito processual civil, 
mas apenas e tão-somente estabelece a linha de compreensão que deve ser seguida, o que, aliás, 
como registrado, vem sendo sinalizado com ênfase pela doutrina moderna.
Assim, em síntese conclusiva, se pode com tranquilidade afirmar que - em sede de princípios 
instituídos pelo projeto de um novo CPC \u2013 a ideia matriz foi a de constitucionalizar a compreensão 
do processo civil contemporâneo, formalizando, portanto, modo definitivo, a existência do devido 
processo civil-constitucional.
4. A ORDEM DE PREFERÊNCIA DOS JULGAMENTOS E SUAS ExCEçÕES
O artigo 12 do projeto pretende instituir uma rigorosa disciplina na ordem dos julgamentos, 
fixando o critério objetivo do tempo de conclusão para definir a ordem cronológica das decisões, ou 
29Artigos 1 a 12
seja, aquele feito que primeiro foi concluso deverá merecer decisão em primeiro lugar. Se constitui, 
pois, em algo similar a obstrução de pauta existente no Congresso Nacional.
Máxima vênia, ainda que aparentemente adequado, por estabelecer critério objetivo e 
prestigiar a isonomia, o dispositivo fixa amarras no julgador de duvidosa eficiência no que diz respeito 
à qualidade da prestação jurisdicional e, até mesmo, embaraço, na celeridade.
Com efeito, existem processos juridicamente complexos, outros probatoriamente de difícil 
interpretação e, bem assim, aqueles que não oferecem grande dificuldade, quer por que o tema 
jurídico é conhecido, quer por que nem mesmo reclamaram dilação probatória.
Portanto existem demandas que reclamam maior tempo de meditação, outras nem tanto. O 
fato dos grilhões legais definirem qual demanda merecerá atenção em primeiro lugar, inclusive com 
a disponibilização permanente de lista para consulta pública em cartório, estabelece, ao menos em 
tese, a hipótese de que o juízo, ainda que pronto para julgamento de uma causa deva aguardar o 
amadurecimento de outra, impedindo assim a prestação jurisdicional desta última e, por decorrência, 
represando a prestação jurisdicional do feito em condições de ser decidido.
Alguém dirá que este é - justamente - o mecanismo psicológico criado para pressionar 
o julgador a proferir decisão. Resta saber se para o jurisdicionado será saudável ter decisão 
prolatada por juiz pressionado por circunstâncias objetivas e, portanto, com contaminantes 
subjetivos possivelmente indesejáveis, as quais perpassam desde a ausência do tempo necessário 
de maturação até a indisposição pessoal por praticar o ato de julgar coagido e, quiçá, até mesmo, 
em momento pessoal impróprio.
De outro lado, tanto é verdade que as demandas possuem características que as diferenciam 
que o próprio artigo 12 estabelece exceções a sua própria regra. Realmente, o parágrafo segundo 
cuida de excepcionar a regra reconhecendo àquelas hipóteses que o julgador não está adstrito ao 
critério cronológico de conclusão.
O quadro proposto certamente provocará debates, vez que atinge diretamente a liberdade 
dispositiva do julgador, na medida em que é este e apenas este que sabe quando está pronto 
para julgar.
O julgamento, sabemos, é um ato que envolve uma série de variantes subjetivas e não apenas 
critérios objetivos. Assim, se, de uma lado, parece razoável impor um controle, de outro, talvez a 
proposta provoque insatisfação e, por decorrência, gere decisões não suficientemente amadurecidas 
pela reflexão.
Cumpre registrar ainda dois temas que ensejam meditação. Primeiro quais as razões que 
determinaram a inclusão de tal dispositivo no presente capítulo. Talvez a iniciativa decorra de seu 
parentesco distante com a garantia da duração razoável do processo ou, se não isto, uma simples 
acomodação de proposta. Segundo, acaso passe a vigorar, seu descumprimento pelo magistrado 
ensejará qual consequência? O comando padece do mal de um sem número de normas da ordem 
jurídica brasileira, ou seja, não prevê sanção, criando o risco de configurar norma em branco, 
circunstância que ensejaria o esvaziamento da proposta.
Assim, posta como está a disciplina, o caminho a seguir, em caso de descumprimento, seria 
correição parcial, face à inversão da ordem de preferência.
30 Sérgio Gilberto Porto
PROJETO CÓDIGO VIGENTE/LEGISLAÇÃO 
VIGENTE
 LIVRO I 
PARTE GERAL
 TÍTULO I
PRINCÍPIOS E GARANTIAS, 
NORMAS PROCESSUAIS, 
JURISDIçãO E AçãO
 CAPÍTULO I
DOS PRINCÍPIOS E DAS GARANTIAS 
FUNDAMENTAIS DO PROCESSO CIVIL
Art. 1º O processo civil será ordenado, 
disciplinado e interpretado conforme os valores e os 
princípios fundamentais estabelecidos na Constituição 
da República Federativa do Brasil, observando-se as 
disposições deste Código.
 
Art. 2º O processo começa por iniciativa da 
parte, nos casos e nas formas legais, salvo exceções 
previstas em lei, e se desenvolve por impulso oficial.
Art. 262. O processo civil começa 
por iniciativa da parte, mas se desenvolve por 
impulso oficial.
Art. 3º Não se excluirá da apreciação 
jurisdicional ameaça ou lesão a direito, ressalvados os 
litígios voluntariamente submetidos à solução arbitral, 
na forma da lei.
Constituição, art. 5º 
xxxV - a lei não excluirá da apreciação 
do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito;
Art. 4º As partes têm direito de obter em 
prazo razoável a solução integral da lide, incluída a 
atividade satisfativa.
Constituição, art. 5º
LxxVIII a todos, no âmbito judicial e 
administrativo, são assegurados a razoável 
duração do processo e os meios que garantam 
a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Art. 5º As partes têm direito de participar 
ativamente do processo, cooperando com o juiz e 
fornecendo-lhe subsídios para que profira decisões, 
realize atos executivos ou determine a prática de 
medidas de urgência.
31Artigos 1 a 12
Art. 6º Ao aplicar a lei, o juiz atenderá aos 
fins sociais a que ela se dirige e às exigências do 
bem comum, observando sempre os princípios da 
dignidade da pessoa humana, da razoabilidade, da 
legalidade, da impessoalidade, da moralidade, da 
publicidade e da eficiência.
Lei de Introdução ao Código Civil 
(Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942)
Art. 5o Na aplicação da lei, o juiz 
atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às 
exigências do bem comum.
Art. 7º É assegurada às partes paridade de 
tratamento em relação ao exercício de direitos e 
faculdades processuais,