Novo CPC Comentado
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Novo CPC Comentado


DisciplinaIntrodução ao Direito I88.321 materiais534.393 seguidores
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aos meios de defesa, aos ônus, 
aos deveres e à aplicação de sanções processuais, 
competindo ao juiz velar pelo efetivo contraditório.
Art. 8º As partes e seus procuradores têm 
o dever de contribuir para a rápida solução da lide, 
colaborando com o juiz para a identificação das questões 
de fato e de direito e abstendo-se de provocar incidentes 
desnecessários e procrastinatórios.
Art. 9º. Não se proferirá sentença ou decisão 
contra uma das partes sem que esta seja previamente 
ouvida, salvo se se tratar de medida de urgência ou 
concedida a fim de evitar o perecimento de direito.
 
Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum 
de jurisdição, com base em fundamento a respeito do 
qual não se tenha dado às partes oportunidade de se 
manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual 
tenha que decidir de ofício.
Parágrafo único. O disposto no caput não se 
aplica aos casos de tutela de urgência e nas hipóteses 
do art. 307 (Vide comentário ao art. 307, do Projeto de 
Lei n. 8046/2010).
 
32 Sérgio Gilberto Porto
Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do 
Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas 
as decisões, sob pena de nulidade.
Parágrafo único. Nos casos de segredo de 
justiça, pode ser autorizada somente a presença das 
partes, de seus advogados ou defensores públicos, ou 
ainda, quando for o caso, do Ministério Público.
 
 
Constituição, art. 5º
Ix todos os julgamentos dos órgãos 
do Poder Judiciário serão públicos, e 
fundamentadas todas as decisões, sob pena de 
nulidade, podendo a lei limitar a presença, em 
determinados atos, às próprias partes e a seus 
advogados, ou somente a estes, em casos nos 
quais a preservação do direito à intimidade do 
interessado no sigilo não prejudique o interesse 
público à informação; (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 45, de 2004)
Código de Processo Civil
 Art. 165. As sentenças e acórdãos serão 
proferidos com observância do disposto no art. 
458; as demais decisões serão fundamentadas, 
ainda que de modo conciso.
Art. 458. São requisitos essenciais da 
sentença:
I - o relatório, que conterá os nomes das 
partes, a suma do pedido e da resposta do réu, 
bem como o registro das principais ocorrências 
havidas no andamento do processo;
II - os fundamentos, em que o juiz 
analisará as questões de fato e de direito;
III - o dispositivo, em que o juiz resolverá 
as questões, que as partes Ihe submeterem.
 Art. 12. Os juízes deverão proferir sentença e 
os tribunais deverão decidir os recursos obedecendo à 
ordem cronológica de conclusão. §1o A lista de processos 
aptos a julgamento deverá ser permanentemente 
disponibilizada em cartório, para consulta pública.
§2o Estão excluídos da regra do caput:
I \u2013 as sentenças proferidas em audiência, 
homologatórias de acordo ou de improcedência liminar 
do pedido; II \u2013 o julgamento de processos em bloco para 
aplicação da tese jurídica firmada em incidente de resolução 
de demandas repetitivas ou em recurso repetitivo;
III \u2013 a apreciação de pedido de efeito suspensivo 
ou de antecipação da tutela recursal;
IV \u2013 o julgamento de recursos repetitivos ou de 
incidente de resolução de demandas repetitivas;
V \u2013 as preferências legais. 
ARTIGOS 13 A 15
José MariaRosa Tesheiner
Frederico L. de Carvalho Freitas
Das normas processuais e da sua aplicação no Anteprojeto do 
Código de Processo Civil
A regra é que se aplique, quanto ao processo, a lei local, diferentemente do direito material, 
que pode ser estrangeiro. O Anteprojeto ressalva, porém, a aplicação de tratados ou convenções 
internacionais aplicáveis no território nacional.
É regra, também, a aplicação imediata da lei processual nova aos processos em curso, 
respeitados os efeitos dos atos já praticados. Observa Galeno Lacerda que há direitos adquiridos 
processuais, oriundos dos próprios atos ou fatos processuais, que emergem, em cada processo, 
do dinamismo desse relacionamento jurídico complexo. \u201cExistem direitos adquiridos à defesa, à 
prova, ao recurso, como existem direitos adquiridos ao estado, à posse, ao domínio. Acontece que 
os direitos subjetivos processuais se configuram no âmbito do direito público e, por isto, sofrem 
o condicionamento resultante do grau de indisponibilidade dos valores sobre os quais incidem\u201d.1 
Regida a matéria por princípios, e não por regras, é inevitável certo casuísmo no tratamento do 
tema. Contudo, algumas questões podem ser respondidas a priori, entre elas, a que diz respeito 
aos recursos, que se regem pela lei do tempo em que proferida a decisão. Assim, embora extintos, 
deverão ser processados e julgados segundo a lei antiga os embargos infringentes de julgados 
anteriores à entrada em vigor da lei nova.
Resta evidente a opção do legislador infraconstitucional, que inseriu diretrizes relativas 
às disposições transitórias do Código de Processo Civil no Capítulo II do Título I do Anteprojeto 
do Novo Código de Processo Civil em tramitação na Câmara dos Deputados, em especial nos 
artigos 14 e 15. A opção adotada não reflete grande evolução, nem representa contribuição 
efetiva para o sistema processual.
O artigo 14 do Anteprojeto tem conteúdo similar ao disposto nos artigos 962 e seguintes, do 
mesmo diploma legal. Porém, no capítulo das Disposições Finais e Transitórias, o legislador optou 
por ressaltar a aplicação do diploma revogado em casos específicos (extensão da coisa julgada, 
publicação de editais, questões referentes ao direito probatório), sob pena de, aos desavisados, a 
norma causar desorganização nos processos já em andamento, o que iria de encontro às intenções 
e objetivos da Comissão, que priorizou na reforma a busca da celeridade da tramitação processual e 
a diminuição do formalismo exacerbado. 
O artigo 15 do Substitutivo contém disposição que poderá causar algum problema. Suponha-
se que seja editada nova lei processual penal ou eleitoral, omissa quanto à aplicação subsidiária do 
Código de Processo Civil. Como lei nova, a regular inteiramente a matéria, derrogará as disposições 
em contrário, inclusive esta, do artigo 14. Mas isso poderá não ser claro para todos. O normal é 
que sejam as leis específicas que determinem a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil, 
havido para este efeito como lei processual comum.
 A experiência atual já ilustra situação similar que gera enormes controvérsias, tanto na esfera 
acadêmica quanto forense. É o caso do processo trabalhista, regulado pela CLT. O CPC é aplicado 
subsidiariamente às normas da Consolidação Trabalhista, inclusive com regra expressa no artigo 
769 do diploma laboral. No entanto, há divergências sérias sobre a aplicação subsidiária. Não parece 
que o proposto artigo 15 irá resolvê-las. Ao contrário, é de se acreditar que o embate de posições irá 
se agravar na medida em que interesses diversos estiverem em rota de colisão. 
1 LACERDA. Galeno. O Novo Direito Processual Civil e os feitos pendentes. Rio de Janeiro: Forense, 1974.
34 José Maria Rosa Tesheiner e Frederico L. de Carvalho Freitas
PROJETO CÓDIGO VIGENTE
CAPÍTULO II
DAS NORMAS PROCESSUAIS E 
DA SUA APLICAçãO
Art. 13. A jurisdição civil será regida 
unicamente pelas normas processuais brasileiras, 
ressalvadas as disposições específicas previstas 
em tratados ou convenções internacionais de que o 
Brasil seja signatário. 
Art. 1º. A jurisdição civil, contenciosa e 
voluntária, é exercida pelos juízes, em todo o 
território nacional, conforme as disposições que 
este Código estabelece.
Art. 14. A norma processual não retroagirá 
e será aplicável imediatamente aos processos em 
curso, respeitados os atos processuais praticados e 
as situações jurídicas consolidadas sob a vigência 
da lei revogada.
. Art. 1211. Este Código regerá o processo 
civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em 
vigor, suas disposições