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ART3 LLEI 9099-95

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UNIVERSIDADE DA REGIÃO DE JOINVILLE – UNIVILLE
DEPARTAMENTO DE CIENCIAS JURIDICA - DIREITO
DA COMPETENCIA DO JUIZADO NOS CASOS ENUMERADOS NO ARTIGO 3° DA LEI 9099/95
SOLUÇOES EXTRAJUDICIAIS E JUIZADO ESPECIAL CIVIL
ROSSANA CAVESSINI DE MATTOS
PROFESSOR
ADELAINE KREHNKE
JOINVILLE
2013
Lei 9099 /95
A Lei 9099/95 é uma das leis que rege em nosso país e dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais, órgãos da Justiça Ordinária, criados pela União, no Distrito Federal e nos Territórios, e pelos Estados, para conciliação, processo, julgamento e execução, nas causas de sua competência.
 A Lei 9099 Juizados especiais foi aprovada no Planalto pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, com data de 26 de Setembro de 1995, e após sua publicação no Diário Oficial da União, a Lei começou a reger o sistema de Juizados Especiais Cíveis e Criminais, sua organização, composição e competência.
 O art. 3º da Lei 9.099/95 enumera em seus incisos os critérios determinantes de sua competência sendo que, nos incisos II e III não estão limitados aos quarenta salários mínimos fixados no inciso I. 
Nelson Nery Júnior, em sua obra “Código de Processo Civil Comentado e Legislação Extravagante”, ensina que as causas enumeradas no inciso II são de menor complexidade pelo critério material, e, independentemente de seu valor, o Juizado é competente para julgá-las, ainda que sejam de valor superior a quarenta salários mínimos (neste sentido I ENJE 2). 
 Quisesse o legislador limitá-las ao valor de 40 salários mínimos o teria feito expressamente, como o fez nos incisos I e IV. Assim, se o legislador não restringiu aquelas causas a teto de 40 salários mínimos, não poderá também o intérprete restringir (regra básica de hermenêutica jurídica). 
 Realmente, para efeito de se determinar o que é causa cível de menor complexidade, a Lei 9.099/95 usou critérios diferentes. Ou seja, nos casos dos incisos II e III do art. 3º, o legislador considerou apenas a matéria, independentemente de valor. Portanto, as causas mencionadas nos incisos II e III não estão limitadas ao valor de 40 salários mínimos, conforme Enunciados unificados dos Juizados Especiais Cíveis e doutrinas. 
Art. 3º. O Juizado Especial Cível tem competência para conciliação, processo e julgamento das causas cíveis de menor complexidade, assim consideradas:
I - as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo; 
II - as enumeradas no artigo 275, inciso II, do Código de Processo Civil; 
III - a ação de despejo para uso próprio; 
IV - as ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente ao fixado no inciso I deste artigo. 
 As causas cíveis enumeradas no artigo 275, inciso II, do CPC, ainda que de valor superior a quarenta salários mínimos, podem ser propostas no Juizado Especial. 
 As causas cíveis enumeradas no art. 275, II, do CPC admitem condenação superior a 40 salários mínimos e sua respectiva execução, no próprio Juizado. 
Pretende essa matéria, sinteticamente, dispor das regras do Procedimento dos Juizado Especial Cível:
. CAUSAS DE MENOR COMPLEXIDADE NO ÂMBITO CIVIL – JUIZADO – CAUSAS DE MAIOR COMPLEXIDADE (ART. 3º)
Matérias que podem ser debatidas no Juizados Especiais (art. 3º):
I - as causas cujo valor não exceda a quarenta vezes o salário mínimo;
II - as enumeradas no art. 275, inciso II, do Código de Processo Civil;
“Eis as causas incorporadas pelo inc. II do art. 3º da lei 9.099/95 e ainda vigentes para fins de análise da competência do novo sistema:
a) que versem sobre a posse ou domínio de coisas móveis e de semoventes;
b) de arrendamento rural e de parceria agrícola;
c) de responsabilidade pelo pagamento de impostos, taxas contribuições, despesas e administração de prédio em condomínio;
d) de ressarcimento por danos em prédio urbano ou rústico;
e) de reparação de dano causado em acidente de veículos;
f) de eleição de cabecel
g) que tiverem por objeto o cumprimento de leis e posturas municipais quanto à distância entre prédios, plantio de árvores, construção e conservação de tapumes e paredes divisórias;
h) oriundas de comissão mercantil, condução e transporte, depósito de mercadorias, gestão de negócios, comodato, mandato e edição;
i) de cobrança da quantia devida, a título de retribuição ou indenização, a depositário e leiloeiro;
j) do proprietário ou inquilino de um prédio para impedir, sob cominação de multa, que o dono ou inquilino do prédio vizinho faça dele uso nocivo à segurança, sossego, ou saúde dos que naquele habitam;
l) do proprietário do prédio encravado para lhe ser permitida a passagem pelo prédio vizinho, ou para restabelecimento de servidão de caminho, perdida por culpa sua;
m) para a cobrança dos honorários dos profissionais liberais, ressalvado o disposto na legislação especial.
Parágrafo único. Esse procedimento não será observado nas ações relativas ao estado e à capacidade das pessoas”
A Súmula 11 das Turmas Recursais do Rio Grande do Sul dita que “ Mesmo nas causas cíveis enumeradas no art. 275 do CPC, quando de valor superior a 40 salários mínimos, não podem ser propostas perante os Juizados Especiais”.
III - a ação de despejo para uso próprio;
IV - as ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente ao fixado no inciso I deste artigo.
§ 1º
I - dos títulos executivos extrajudiciais, no valor de até quarenta vezes o salário mínimo, observado o disposto no § 1º do art. 8º desta Lei.”
Entretanto, muitas vezes, as causas de valor inferior a 40 mínimos e aquelas previstas nos incisos II a IV do art. 3º da lei 9.099/95 podem apresentar alta complexidade jurídica. Outras vezes, grande complexidade probatória. Assim, as questões de direito mais complexas e difíceis, que para a solução do litígio envolva questões de fato que realmente exijam a realização de intrincada prova, após a tentativa de conciliação o processo deve ser extinto e as partes encaminhadas para a justiça comum. Dessa forma, a real complexidade probatória que afasta a competência dos Juizados Especiais.
Não obstante, o procedimento do Juizado não afasta por total a produção de provas, a 9.099 confere ao julgador do sistema especial ampla liberdade e admite a adoção de regras da experiência comum (art. 5º) e autoriza a inquirição de técnicos e a realização de inspeções (e mesmo pequenas perícias), instrumentos que na maior parte das vezes são suficientes para a solução das controvérsias
Temos que ter em mente, que a dificuldade trazida pelo legislador diz respeito a matéria de fato e não a matéria de direito, critério que aliás também é adotado para a conversão do procedimento sumário em procedimento ordinário (§ 7º do art. 275 do CPC), devendo o Juiz colher todas as provas disponíveis antes de reconhecer a incompetência do Juizado .
Matérias que não podem ser debatidas Juizados Especiais (art. 3º)
“ Art. 3º § 2º Ficam excluídas da competência do Juizado Especial as causas de natureza alimentar, falimentar, fiscal e de interesse da Fazenda Pública, e também as relativas a acidentes de trabalho, a resíduos e ao estado e capacidade das pessoas, ainda que de cunho patrimonial.”
Observação: Caso o autor tenha um credito de R$ 30.000,00 a receber e entre pelo Juizado, importará em renúncia ao crédito excedente ao limite estabelecido no art. 3º este artigo, excetuada a hipótese de conciliação.
Em relação às causas de procedimento especial (ação monitória, consignação em pagamento, etc) também estão excluídas do Juizado Especial após a fase da conciliação ( artigo 51, II, da lei 9099/95 ).
Isto exposto, a interpretação extensiva do rol especificado no artigo 3º da lei 9099/95 pode gerar riscos a própria sobrevivência do Juizado Especial Cível, que possui rito específico para o processamento de suas causas. O procedimento previsto na lei 9099/95 é incompatível, por exemplo, com o rito da ação de adjudicação compulsória de imóvel, da ação monitória, da ação

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