Telejornalismo da TV Digital
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Telejornalismo da TV Digital


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sugestões, comentários. Já no outro cenário, 
alguns telejornais convencionais passaram a disponibilizar 
na rede todo o conteúdo veiculado pela televisão. Além 
disso, estes telejornais têm uma preocupação recorrente 
em oferecer algum tipo de participação à audiência e, para 
isso, frequentemente anunciam o respectivo site como um 
ambiente de contato, no qual os telespectadores podem 
\u201cchatear\u201d com um especialista sobre determinado assunto, 
buscar informações complementares que não foram 
veiculadas ou ainda sugerir pautas para outras edições. 
Assim, as sessões de \u201cjornalismo participativo\u201d consolidadas 
nos portais noticiosos passaram a ser observadas também 
no telejornalismo. Agregando vínculos participativos, as 
edições jornalísticas audiovisuais convidam a população 
a interagir por intermédio do outra mídia, enviando 
conteúdos multimídia, capturados até mesmo por celular. 
Tudo isso aplicado às telecomunicações e à melhoria 
das redações de imprensa favorece a imediaticidade na 
informação, uma vez que o intervalo de tempo entre a 
cobertura da matéria e a veiculação desta se minimiza a 
cada dia.
Partindo dessa premissa, percebe-se que quando 
o assunto é \u201ctelevisão\u201d e \u201cjornalismo\u201d, os progressos 
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técnicos têm propiciado novos caminhos para ambos e, 
atualmente, o País está prestes a inaugurar a fase de 
implantação de aparatos tecnológicos capazes de tornar 
a TV mais moderna e ofertando outras experiências 
aos telespectadores. Com melhores sons e imagens, 
variedade de canais e diversidade de recursos interativos, 
também surge a aposta na reforma na maneira de se 
assistir televisão, bem como mexe no conjunto de valores 
e interesses das emissoras. Nasce a possibilidade de um 
público mais disposto a atuar em uma direção distinta da 
que se tem hoje, estimulado a adotar uma postura ativa, 
efetivamente. Para Vera Íris Paternostro (2006, p.61), 
o avanço audiovisual \u201crepresenta um caminho para que 
todos possam ter uma televisão com tecnologia de ponta\u201d. 
Com isso, aos poucos, a TV passará a adquirir um caráter 
mais bidirecional, com propriedades que possibilitam a 
transmissão e recepção de conteúdos e, de certa forma, a 
vastidão de serviços põe em questionamento a experiência 
da massificação, haja vista que o novo sistema não só 
têm a preocupação com a disseminação em série de 
conteúdos, mas também o interesse em acentuar relações 
entre usuário-emissora e usuário-usuário.
 Esta nova televisão é a TV digital (TVD), que já opera 
comercialmente em vários países, com consideráveis 
contribuições para o telejornalismo. Nos protótipos 
interativos elaborados até então, os telespectadores têm 
acesso a informações extras sob demanda, enviam e 
recebem mensagens, participam de enquetes em tempo 
real, dispõem de variedade de vídeos com transmissão 
simultânea, mediados por um canal de retorno. 
 No Brasil, desde 1994 sinaliza-se interesse por um 
sistema próprio de TV digital, engajando variados atores: 
governo, as instituições de ensino (públicas e privadas), 
centros de P&D e as indústrias midiáticas e de equipamentos. 
No entanto, só em 2007, após testes com os principais 
padrões internacionais, é que esta TV foi implementada no 
cenário nacional, configurando-se como o mais sofisticado 
em relação aos outros modelos existentes, já que esse 
atraso possilitou a introdução de serviços aprimorados, ao 
somar a tecnologia de modulação japonesa às pesquisas 
recentes desenvolvidas em laboratórios nacionais. 
Acreditamos que, no futuro, a interatividade presente 
no telejornalismo desta TV, possibilitará tanto uma 
reorganização do quadro profissional como uma audiência 
mais interferente no fluxo das informações, influenciando 
diretamente a grade de programação, com maior poder 
de escolhas e alterando conteúdos, e por este prisma, 
esta obra revela a urgência de iniciar uma discussão sobre 
os aplicativos interativos admissíveis ao gênero, a partir 
do que já está sendo pensado na Europa, que apresenta 
um dos mais adiantados processos de digitalização dos 
sinais de TV e é onde se adotou o padrão tecnológico que 
mais privilegiou a promoção de recursos participativos. 
 Para melhor compreender esse processo de inovação 
do telejornalismo, basicamente a obra, que resulta de 
um estudo dissertativo realizado em 2010, orienta-se 
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por dois procedimentos metodológicos: levantamentos 
teórico-conceituais e pesquisa de caráter aplicado. 
Adiante, iremos constatar, em síntese, distintas etapas 
da televisão e do telejornalismo, num percurso que vai 
desde a fase inicial de ambos até a digitalização dos 
sinais. Verificaremos a instauração de um novo cenário 
televisivo com a implantação da interatividade, provocando 
impactos conjunturais na audiência e na emissora (terá 
que incorporar outros setores às redações e exigirá 
profissionais com novas habilidades). Perceberemos um 
sentido mais prático às teorias desenvolvidas, visto que: 
1) tivemos a intenção de coletar algumas plataformas 
interativas, que pudessem subsidiar nossa discussão. 
2) aproveitamos nosso engajamento no Laboratório de 
Aplicações de Vídeo Digital (LAViD)1, que permitiu-nos 
uma aproximação maior com a técnica, culminando no 
desenvolvimento de ações junto à uma emissora de TV; 3) 
procuramos apontar tendências de ambientes interativos 
para o telejornalismo no modelo brasileiro de televisão 
digital.
1 O LAViD, do Departamento de Informática (DI) da Univer-
sidade Federal da Paraíba (UFPB), trata-se de uma referên-
cia nacional e internacional em pesquisas e desenvolvimento 
de tecnologia para TV Digital. Contando com a colaboração 
de pesquisadores (graduados, graduandos, pós-graduandos 
e pós-graduados), o Laboratório, coordenado pelo professor 
doutor Guido Lemos, desenvolveu, juntamente com a Pontifícia 
Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), o middlewa-
re para o sistema nacional de TVD, responsável pela prestação 
de serviços interativos.
Sistematicamente, os capítulos estão configurados 
da seguinte forma:
No segundo capítulo, apresentamos a origem e o 
desenvolvimento do telejornalismo no Brasil, apontando as 
informações históricas dos programas e destacando como o 
avanço da tecnologia tem propiciado melhorias significativas 
tanto para a produção como para a audiência. Neste 
capítulo, advogamos que a Internet já tem influenciado na 
configuração de um novo jornalismo, atribuindo, inclusive, 
novas funções ao telespectador. Preocupamo-nos apenas 
em impor um caráter descritivo sobre o que está ocorrendo 
no cenário telejornalístico brasileiro, sem necessariamente, 
problematizar essas questões.
 No capítulo três, buscamos definir a televisão 
digital, elucidando sobre suas características, padrões, 
vantagens, detalhamento do middleware (responsável 
pela interatividade) e sua funcionalidade. Somado a isto, 
fomentamos uma discussão acerca da legislação que rege 
a radiodifusão em voga e os entraves políticos à questão.
 O capítulo quatro recupera alguns conceitos 
relacionados à interatividade, uma das principais promessas 
da TV digital. Expusemos também a categorização da 
interatividade na TVD enquanto mídia em operação, 
mostrando o que já é possível em termos de produção. 
 No capítulo cinco, buscamos descrever alguns 
protótipos de telejornais interativos desenvolvidos pelo 
sistema europeu de TV digital, já que não tivemos acesso a 
demonstrações de outros países. Da Europa, dirigimo-nos 
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