Telejornalismo da TV Digital
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Telejornalismo da TV Digital


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de programas para todo o Brasil. Foi 
no que se destacou o Jornal Nacional (1969), o primeiro 
noticiário veiculado, ao vivo, para todo País, iniciando às 
operações em rede e, conseqüentemente, sinalizando um 
novo estilo de jornalismo, chegando a liderar a audiência 
e se tornar referência. Via satélite (Intelsat III), os 
telespectadores obtinham informações, em tempo real, 
do que estava acontecendo no exterior, introduzindo-se 
uma era da comunicação instantânea.
A partir de 1965, os preços dos aparelhos de TV 
começaram a despencar, favorecendo a ampliação do 
mercado. E, à proporção que a televisão conquistava a 
audiência, com uma programação mais popular, eram 
instituídas diretrizes e órgão regulador da Comunicação, 
como o Ministério das Comunicações, em 1967, 
conglomerando a Empresa Brasileira de Correio de 
Telégrafos, a Embratel e a Radiobrás.
Entre os anos de 1970 e 1980, o jornalismo 
conquistou maior espaço e relevância no veículo, não só 
pelas coberturas nacionais de grande repercussão social 
como também pelos avanços tecnológicos. Diante do 
encaminhado progresso e do apoio governamental, por 
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meio de créditos e contratos, a tevê passou a nacionalizar 
sua programação, substituindo as produções estrangeiras 
por produções brasileiras.
Em 1971, tem início a adequação de equipamentos 
e o treinamento de profissionais para a execução dos 
sinais em cores e, no ano seguinte, a realização da 
primeira transmissão colorida, o que para alguns autores 
da Comunicação representou a segunda fase da televisão 
brasileira, ou o maior avanço tecnológico da TV até os 
anos 2000. Também na apresentação das reportagens 
em cores, o pioneirismo foi do Jornal Nacional. Tendo o 
PAL-M como o sistema adotado, o novo padrão colorido 
implicou em uma melhoria de qualidade nos cenários, 
nos figurinos, nas vinhetas e nas propagandas. Na TV 
Globo, especialistas da iluminação tiveram que realizar 
uma série de eventos, de orientação técnica, para 
conduzir os profissionais da TV, do figurino ao uso de 
chromakey. 
No começo, empolgados com a novidade, os apresentadores 
ousavam nas cores e nas padronagens dos ternos. Cid Moreira 
lembra que chegou a usar paletós verdes, cor-de-abóbora e 
quadriculados. Mas a euforia do colorido logo passou: em 1975 
a direção de jornalismo da Globo designou um profissional 
especializado para escolher as roupas que os locutores e 
repórteres deveriam usar para aparecer na tela (MEMÓRIA 
GLOBO, 2004, p. 52).
 Entre 1975 e 1985, têm-se a \u201cfase do 
desenvolvimento tecnológico\u201d3. Intitulada por Mattos 
3 Mattos (2002) segmenta a história da televisão brasileira em 
(2002), diz respeito à época em que novos investimentos 
foram destinados às emissoras televisivas, incentivando, 
principalmente, à produção de conteúdos nacionais. Entre 
essa década, o Bom Dia São Paulo (TV Globo) introduziu 
a veiculação matinal. Neste mesmo telejornal obteve-
se a primeira experiência com uma unidade móvel de 
jornalismo, na qual os repórteres que se deslocavam pela 
cidade, transmitiam informações ao vivo sobre o tempo, 
o trânsito e os flagras.
 Em 1988, ia ao ar pelo SBT o primeiro telejornal 
comentado. Recuperando o padrão norte americano de 
apresentação, o TJ Brasil, estabelecia a figura do âncora 
(Bóris Casoy), que se aproximava mais do público e 
assinalava uma nova fase dos noticiários, libertando-se 
das amarras oficiais e expandindo seu universo temático 
(HOINEFF, 1996). Pouco tempo depois, no início dos anos 
90, surge um outro formato de telejornalismo, direcionado 
à audiência das camadas mais populares. O Aqui e Agora 
(1991) transformava a notícia em um espetáculo. Era um 
telejornal policial e as matérias tinham uma tendência 
a divulgar conteúdos com um tom excessivamente 
escandaloso, muitas vezes com repórteres testemunhando 
assassinatos, ao vivo. O Aqui Agora destacou-se por: fazer 
uso de uma linguagem coloquial; apresentador e repórter 
seis fases: 1) Elitista (1950-1964); 2) Populista (1965-1974); 
3) Do desenvolvimento tecnológico (1975-1985); 4) Da transi-
ção e da expansão internacional (1985-1990); 5) Da globaliza-
ção e da TV paga (1990-2000); e, por fim, 6) Da convergência 
e da qualidade digital (2000- ...).
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podiam aparecer numa postura destemperada, exigindo 
justiça; pela primeira vez, utilizava gerador de caracteres 
com textos intencionalmente chocantes ou irônicos; e, 
principalmente por usar imagens que conquistavam a 
atenção do telespectador, antes pela emoção, que pela 
informação em si.
 Além de propagar o surgimento de novos estilos, 
a década de 90 foi apontada como a da \u201cmultiplicidade 
da oferta\u201d, devido à pluralidade dos canais de informação 
na televisão paga (narrowcast). Ao telespectador era 
oferecido acesso a um maior número de canais e eram 
disponibilizadas programações que respondessem 
aos interesses específicos dos diversos segmentos da 
audiência. Com o aparecimento das concessões dessas 
TVs fechadas, teve origem o primeiro canal fechado do 
País, o Canal Plus (Canal +)4.
 Em 1995, foi promulgada a Lei de TV a Cabo, N° 
8.977. Em meados desta data, a TV por assinatura ainda 
era praticamente embrionária em virtude do número 
restrito de cidades onde era ofertado esse serviço. 
Mesmo destinada a uma minoria, também pelos altos 
custos das assinaturas, a popularização gradual deste 
segmento audiovisual celebrou significativas mudanças. 
Ao problematizar o sistema pago, Nelson Hoineff (1996, p. 
4 De acordo com Paternostro (2006), antes do Canal Plus, ainda 
em 1988, a Key TV experimentou a transmissão via satélite de 
uma corrida de cavalos para os Jóqueis-Clubes (SP e RJ) e al-
guns assinantes. Em 1990, o Grupo Abril comprou o Canal Plus, 
passando a chamar-se TV Abril.
15) afirma que, nessa conjuntura, morria a velha televisão 
e uma nova acabava de nascer:
(...) Os responsáveis pela morte de uma e pelo nascimento 
de outra são os mesmos: a revolução nas tecnologias de 
distribuição de sinais e o desenvolvimento de digitalização. (...) 
A segunda abriu espaço para que todos os canais pudessem 
trafegar; reestruturou os mecanismos de produção e criou 
condições para que a televisão respondesse efetivamente ao 
comando do espectador, passando a ser programada por ele, 
em vez de programá-lo. 
 Quase quatro anos após a criação da GloboSat5, 
entrou no ar o Globo News (1996), originando mais um 
novo formato de telejornalismo brasileiro, o de notícias 
24 horas. O Em Cima da Hora, veiculado pelo canal, é 
caracterizado pelo dinamismo e agilidade. A cada edição, 
reportagens são adicionadas e aquelas informações 
difundidas anteriormente recebem pequenas atualizações. 
Além disso, o canal foi instituindo maior envolvimento 
com seus assinantes, na medida em que estes, ao longo 
da programação, tinham acesso a uma cobertura mais 
profunda, das notícias.
A cada jornal, os temas principais do dia são ampliados, 
atualizados e, quando necessário, comentados, de forma 
que o assinante receba sempre uma informação a mais, com 
5 A GloboSat é uma das emissoras via satélite pioneira. Hoje é 
maior programadora de TV por assinatura da América Latina, 
pertencente às Organizações Globo, em São Paulo e no Rio de 
Janeiro. Quatro canais faziam parte desta TV: Telecine, o Top 
Sports, o GloboSat News Television (GNT) e o Multishow.
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vários enfoques e visões diferenciadas. Algumas reportagens 
são reapresentadas propositalmente em todos