Unid. 02 WEB AULA 1 Alfabetização e Letramento
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é linguagem e produto cultural de um grupo social que emprega os usos sociais dessa língua nas suas relações. A língua praticada por um grupo de falantes influencia, consequentemente, as maneiras pelas quais o cérebro humano armazena uma informação antiga e internaliza uma nova. A língua pode ser usada como um instrumento do pensamento, bem como um instrumento de comunicação, interação e produção de discursos, ou seja, entre os sujeitos da linguagem. Os usos e as práticas sociais que envolvem o uso da linguagem dependem intimamente das formas pelas quais a linguagem foi aprendida/desenvolvida pelo sujeito.
Smith (2003) aponta três condições para o pensamento. A ilustração abaixo indica cada uma delas.
Figura ilustrativa 4 \u2013 Condições do pensamento.
Fonte: Smith (2003).
O conhecimento prévio refere-se ao fato de que a linguagem e o pensamento sempre têm um tema, ou seja, o sujeito traz informações prévias que possibilitam a linguagem e o pensamento. A disposição refere-se às propensões do sujeito. A autoridade é o engajamento do sujeito em ato de pensamentos de natureza significativa.
SEÇÃO 2 DE APRENDIZAGEM \u2013 O PROCESSAMENTO DA LEITURA E DA ESCRITA
O que acontece no cérebro humano quando lemos? A essa questão iremos agora analisar o que ocorre por trás do cérebro. A primeira consideração é a de que os olhos somente observam e que o cérebro é que determina aquilo que vemos e como o vemos. Isso implica afirmar que \u201c[...] as decisões perceptivas do cérebro estão baseadas apenas em parte na informação colhida pelos olhos, imensamente aumentadas pelo conhecimento que o cérebro já possui (SMITH, 2003, p. 84)\u201d. Segundo Smith (2003, p. 88), \u201c[...] o fato de os olhos estarem abertos não é indicação de que a informação visual do mundo a nossa volta está sendo recebida e interpretada pelo cérebro\u201d.
Assim, na fisiologia visual há três grandes considerações importantes para serem consideradas no processamento da leitura. São elas:
Figura Ilustrativa 5 \u2013 Condições do funcionamento olhos-cérebro para processamento da leitura.
Fonte: Smith (2003).
Como você já sabe de tudo o que estudamos aqui, a leitura e a escrita constituem aspectos importantes para a construção da personalidade do sujeito, já que constituem atos especificamente humanos. Aprender a falar e a escrever constituem passos importantes na vida social e cultural do sujeito. A linguagem na sua inter-relação com o pensamento modifica os comportamentos do sujeito com o mundo, bem como também o mundo em relação ao sujeito.
Toda criança neurotípica pode aprender a ler/escrever sem nenhuma dificuldade. As dificuldades em aprender a ler/escrever ocorrem pois pode ocorrer que a forma pela qual se ensina algo não se assemelha com formas preponderantes pelas quais o sujeito aprende.
Interessante notar a questão tão discutida atualmente sobre o momento mais adequado sobre a idade ideal para alfabetizar e letrar. O que verificamos do ponto de vista da Neurociência é a de que a idade psicológica não corresponde à idade cronológica. Além disso, não há nenhum estudo recente que indica que haja prejuízos ao desenvolvimento e aprendizagem da criança à aprendizagem da leitura e escrita ao final da idade pré-escolar. O que é indicado é que são necessárias neoformações básicas, tais como: a imaginação, a capacidade de reflexão, capacidade de atenção sustentada.
Ao organizar a leitura, o cérebro humano aciona diversas áreas e mecanismos cerebrais (nível psicofisiológico) formados a partir da própria atividade da leitura e da escrita.
Conforme explicita Menegassi (1995), os aspectos neuropsicológicos envolvidos no ato da leitura e escrita são:
O ouvido fonemático;
Análises e sínteses cinestésicos-táteis;
Organização sequencial motora;
Regulação e o controle da atividade voluntária;
Análise e síntese espacial;
Retenção audioverbal;
Retenção visualverbal.
Todos esses aspectos situam-se nas áreas secundárias e terciárias do córtex cerebral e não em uma única área especializada.
A leitura se dá a partir da coordenação de informações visual e não visual. Segundo Smith (2003), a informação visual é uma parte do processo de leitura, mas não é a única. É preciso também a informação não-visual, que constitui o conhecimento sobre o assunto, ou seja, aquilo que discutimos sobre o conhecimento prévio. Por exemplo, o conhecimento sobre como ler é uma informação não visual que faz parte da leitura. Desse exemplo, podemos perceber as razões de algumas crianças sentirem muitas dificuldades em ler e escrever, ou seja, possuem poucas informações não-visuais que tornam esses atos muito complexos. Em outras palavras, a leitura é o pensamento que está direcionado sobre uma informação visual impressa. Por isso, podemos dizer que é quase impossível ler sem pensar. Isso somente é possível quando se lê algum texto no qual não há nenhum sentido.
SEÇÃO 3 DE APRENDIZAGEM \u2013 IDENTIFICAÇÃO DE LETRAS E PALAVRAS NO CÉREBRO HUMANO
O aspecto relacionado às letras revela uma das discussões acerca do processo de alfabetização e letramento. Identificar letras ou palavras individuais é um dos aspectos envolvidos na leitura e na escrita. Porém, já de início expomos que a leitura fluente não se relaciona, do ponto de vista do cérebro humano, com a leitura isolada de letras e palavras. Além disso, é diferente conceitualmente e do ponto de vista do processamento da informação os processos cognitivos de identificar e reconhecer letras. Identificar letras significa decidir se esta ou aquela letra com o qual se confronta deve ser colocada em uma determinada categoria. Reconhecer envolve a ideia de que o objeto com o qual nos confrontamos já foi visto anteriormente, mesmo que ele não tenha sido identificado anteriormente.
Assim:
A letra é composta de duas categorizações: uma categorização gráfica (design ou desenho da letra) e a categorização funcional (função da letra no contexto da palavra). Representamos essa informação por meio de um esquema. Letra é sempre uma construção simbólica do cérebro. As letras e sua identificação envolvem a discriminação visual, bem como a categorização visual. Acompanhe comigo!
Nos planos da linguagem acima exposto sempre é bom destacar que há uma unidade autêntica entre o aspecto semântico (construção do sentido/significado) e o aspecto sonoro exterior (construção da consciência fonológica, por exemplo). O aspecto semântico é guiado por um processo de análise e o aspecto sonoro é construído pelo processo de síntese.
A conclusão específica a ser extraída (...) é a de que as letras são, na verdade, compostas de um número relativamente pequeno de características. As letras que são facilmente confundidas, como ae e, ou t e f, devem ter um número de características em comum, e aquelas que raramente são confundidas, como o e wou d e y, devem ter poucas características, ou nenhuma em comum. A conclusão geral a ser extraída é a de que o sistema visual é realmente analítico de caracter\ufffd\ufffdsticas. A identificação de letras é conseguida pelo exame do olho do ambiente visual para as informações sobre as características que eliminarão todas as alternativas, exceto uma, assim permitindo que uma identificação seja feita (SMITH, 2003, p. 141).
Identificar as letras é muito diferente de reconhecer as letras. Identificar é uma decisão do sujeito em determinar se um determinado objeto com o qual o cérebro se confronta deve ser colocado em uma categoria ou não. De acordo com isso, na identificação das letras não há necessidade de ter visto a letra anteriormente. Já o reconhecimento implica em já ter visto o objeto (letra) antes. Por isso, dizemos no nosso cotidiano que reconhecemos uma pessoa sem identificar o seu nome. Lembramos também que o cérebro humano constitui redes neuronais específicas para o processamento das letras.
Além da identificação e reconhecimento das letras, outro ponto necessário para nosso estudo é o processo de como o nosso cérebro reconhece as palavras. Primeiramente, podemos entender que as palavras e sua compreensão sempre se modificam conforme