Unid. 01WEB AULA 1 Alfabetização e Letramento
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as práticas sociais de leitura e escrita. O estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita e de suas práticas sociais (SOARES, 1998, p. 39).
Podemos pensar o letramento como o uso efetivo da leitura e da escrita no nosso cotidiano. É, portanto, participar ativamente das práticas sociais de leitura e escrita, colaborando com a construção de um projeto de sociedade democrática. Diante dessa colocação, o desafio contemporâneo para a escola é \u201calfabetizar letrando\u201d. Alfabetizar, na perspectiva do letramento, ou \u201calfabetizar-letrando\u201d é instrumentalizar e proporcionar às crianças os alunos com o código alfabético para que estejam aptos ao seu uso.
Mas, o que devemos fazer: alfabetizar ou letrar? Importante saber é que os processos de alfabetização e letramento são complementares e indissociáveis. Embora sejam complementares,cada um possui sua especificidade. Assim, esclarece a professora Magda Soares:
Dissociar alfabetização e letramento é um equívoco porque, no quadro das atuais concepções psicológicas, linguísticas e psicolinguísticas de leitura e escrita, a entrada da criança (e também do adulto analfabeto) no mundo da escrita ocorre simultaneamente por esses dois processos: pela aquisição do sistema convencional de escrita \u2013 a alfabetização \u2013 e pelo desenvolvimento de habilidades de uso desse sistema em atividades de leitura e escrita, nas práticas sociais que envolvem a língua escrita (SOARES, 2004, p. 14).
Aprendemos que a alfabetização é a aquisição da tecnologia da escrita, ou seja, é o domínio da leitura e da escrita e da compreensão do sistema de escrita. Mas... o que caracteriza o letramento em relação à alfabetização? Pode alguém ser letrado sem ser alfabetizado? Que tal um exemplo para ilustrar essa questão: a pessoa que não sabe ler pode saber fazer uma leitura do nome do ônibus que tem que tomar, do nome do hospital onde tem consulta ou dos nomes dos produtos que vai comprar no mercado. Pensemos ainda naquele sujeito que, apesar de não saber escrever uma mensagem, sabe assinar seu nome ou copiar o nome de um remédio que tenha que usar. Ou alguém que procura outra pessoa que leia ou escreva para ele o que lhe interessa.
A palavra letramento ainda não está dicionarizada, porque foi introduzida muito recentemente na Língua Portuguesa, tanto que quase podemos datar com precisão sua entrada na nossa língua, identificar quando e onde essa palavra foi usada pela primeira vez. Parece que a palavra letramento apareceu pela primeira vez no livro de Mary Kato \u201cNo mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística\u201d de 1986. Na verdade, a palavra letramento é uma tradução para o Português da palavra inglesa literacy; os dicionários definem assim essa palavra:
Traduzindo a definição acima, literacy é \u201ca condição de ser letrado\u201d - dando à palavra \u201cletrado" sentido diferente daquele que vem tendo em português. Em inglês, o sentido de literate é: educated; especiallyabletoreadandwrite (educado; especificamente, que tem a habilidade de ler e escrever).Literate é, pois, o adjetivo que caracteriza a pessoa que domina a leitura e a escrita, e literacydesigna o estado ou condição daquele que é literate, daquele que não só sabe ler e escrever, mas também faz uso competente e frequente da leitura e da escrita. Há, assim, uma diferença entre saber ler e escrever, portanto, ser alfabetizado, e viver na condição ou estado de quem sabe ler e escrever, isto é, ser letrado.
Assim, letramento é o resultado da ação de "letrar-se", "tornar-se letrado".  Letramento, no contexto escolar, é o resultado da ação de ensinar e aprender as práticas sociais de leitura e escrita. O estado ou condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita e de suas práticas sociais. Esse estado ou condição torna a pessoa diferente, pois ela adquire um outro estado, uma outra condição. Isso indica que o sujeito letrado passa a ter uma outra condição social e cultural, transformando o seu modo de viver na sociedade, sua inserção na cultura, sua relação com os outros, com o contexto e com os bens culturais.
Na perspectiva de Magda Soares, o que mais especifica o letramento na escola é a imersão das crianças na cultura escrita a partir da participação em experiências variadas com a leitura e a escrita, conhecimento e interação com diferentes tipos de gêneros de material escrito (SOARES, 2004, p. 13). Para Leda Verdiani Tfouni, enquanto a alfabetização se ocupa da aquisição da escrita por um indivíduo, ou grupos de indivíduos, o letramento focaliza os aspectos sócio-históricos da aquisição de um sistema escrito por uma sociedade (TFOUNI, 1995, p. 20). Outros autores, como Emília Ferreiro, por exemplo, não usam os dois termos. Para ela, os conceitos de alfabetização e letramento significam a mesma coisa, ou seja, um conceito está inserido no outro. O processo de letramento ou cultura letrada não acontece de modo espontâneo, exige mediação da professora e/ou da família, proporcionando aos alunos, de forma constante e significativa, a interação com as práticas sociais de leitura e escrita, isto é, com a cultura escrita em especial a literatura Infantil.
Alfabetização e o seu conceito:
envolve o caráter de elaboração da criança sobre si mesma: a criança é um sujeito ativo e constrói hipóteses sobre a linguagem oral e escrita.
constitui uma forma de compreender o mundo que a cerca;
é uma sintonia com este mundo, o que constituirá fundamentos para aquisições futuras dos Anos Iniciais;
alfabetização e letramento são processos que não se iniciam somente na instituição escolar;
é a integração com o meio e a percepção do que rodeia a criança;
significação: busca de sentido e relação com palavras, enunciados, textos;
o aprendizado da língua materna é uma ação anterior à entrada da criança na escola;
a sistematização de sua comunicação usando da modalidade escrita e leitura do pensamento do outro por meio de símbolos ideográficos.
Acerca do Letramento
A ação de aprender e ensinar o código alfabético (as relações entre letras e sons) deve ser anterior ao contato com o material escrito. Esse contato pode e deve ser proporcionado na Educação Infantil: folheando, manuseando, olhando ilustrações, um conhecimento e reconhecimento que se faz pelos sentidos, pela afetividade e pelo aspecto cognitivo.
Na Educação Infantil, a transição da oralidade para a escrita deve pressupor:
o contato coletivo;
a habilidade de leitura, posteriormente, será individual;
o processo de discussão e descoberta;
reconhecer letras e palavras, trocar informações com os colegas;
ganhar confiança para entrar no mundo da escrita.
os conhecimentos que as crianças possuem quando entram para a escola dependem de vários fatores.
Você recorda de como era a sua sala de aula? Como era a organização das mesas, dos materiais, dos livros... da mesa da professora? Com certeza, você deve ter muitas lembranças. Por essa razão, nossa discussão nesta aula será sobre o ambiente alfabetizador. Algumas imagens podem nos motivar para este estudo. Convido a voltar no tempo e pensar como uma criança: em qual destas salas você gostaria de estudar?
Você já ouviu falar que na escola é preciso criar um ambiente alfabetizador? Pois é. O seu planejamento, do ponto de vista metodológico, consiste em criar um ambiente no qual as crianças em fase de alfabetização pudessem usar a língua escrita, mesmo antes de dominar \u201ca primeiras letras\u201d. A organização do ambiente alfabetizador proporciona à criança o contato com a língua, sua utilização nas práticas sociais. Esse contato oportuniza significação e função à alfabetização e favorece a exploração, por parte da criança, do funcionamento da língua escrita.
Se pudéssemos resumir em algumas palavras, o ambiente alfabetizador é aquele que favorece o contato com a língua escrita e os seus usos sociais. Portanto, ele cria um contexto de cultura escrita com o objetivo de disponibilizar a familiarização com a escrita e a interação