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DisciplinaSociedade, Tecnologia e Meio Ambiente7 materiais177 seguidores
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pontos mais afastados das janelas, ou através de aberturas laterais 
(devidamente protegidas contra o excesso de insolação) e/ou aberturas zenitais. Deve-se realizar 
estudos para conforto luminoso que priorizem iluminação natural e garantam iluminação artificial 
adequada, reduzindo efeitos de ofuscamento e desvios de níveis de iluminação ambiente. 
Iluminação artificial 
Deve-se adotar sensores de presença, especialmente nas áreas comuns, e racionalização no 
dimensionamento e composição dos circuitos. Implantar circuitos independentes, de acordo com 
a aproximação às fontes de iluminação natural (aberturas laterais e zenitais). Especificar lâmpadas 
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e luminárias de alto desempenho, que emitam pouca ou nenhuma energia na forma de calor, 
minimizando sua contribuição à carga térmica. 
Conforto acústico 
Deve-se promover o máximo de conforto acústico, através da aplicação de materiais 
e componentes adequados, da forma e disposição dos elementos arquitetônicos e de 
acordo com o tipo de atividade do espaço, garantindo o conforto do usuário e também 
a sua produtividade.
15 Informações na ABRAVA . Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, 
Ventilação e Aquecimento . www.abrava.com.br.
16 Antigamente, a altura do pé-direito dos cômodos era bem maior, de 3 metros ou mais, 
justamente para o ar quente ficar no teto, longe da altura onde as pessoas circulavam. Com 
o advento do ar-condicionado, o pé-direito foi encolhendo para caber cada vez mais andares, 
o que sacrifica demais a sensação de conforto, porque mesmo com ventilação cruzada, 
o ar quente circula em cima das pessoas, ao invés de circular o ar mais fresco que fica na 
camada inferior dos cômodos. Atualmente, as construções não respeitam a altura mínima 
de 2,70 metros, que garante melhor conforto ambiental, fazendo o pé-direito com 2,50 de 
altura de piso a laje, o que impossibilita até a colocação de ventiladores de teto. 
Realizar estudos para conforto acústico. Verificar atenuação sonora através do envelope do 
edifício, projetar barreiras acústicas e utilizar materiais de absorção e isolantes acústicos, 
atendendo aos níveis máximos de ruídos permitidos, conforme a atividade realizada.
concepção
Conforto Ambiental do Edifício
35Guia de Boas Práticas na Construção Civil 01/2011
A conservação da água, além de benefícios ambientais, pode trazer enormes benefícios 
econômicos. Já existem casos de redução de 40% no consumo de água em condomínios por 
meio de ações simples, como a instalação de registros reguladores de vazão nas prumadas 
de bacias sanitárias e lavatórios. 
O Programa PURA - Programa de Uso Racional da Água, da USP, obteve redução de 36% 
no consumo de água, reduzindo o gasto anual de 17,57 milhões para 14,66 milhões de 
reais (entre 1997 e 2005), apesar de 96% de aumento de tarifa. Para isso, foram realizadas 
detecção e eliminação de vazamentos em reservatórios, vazamentos em redes externas e 
vazamentos nas tubulações internas, bem como substituição de equipamentos convencionais 
por modelos economizadores e racionalização das atividades que consomem água. 
Existem algumas alternativas e tecnologias associadas ao aproveitamento e uso racional da 
água em edificações. 
Consumo eficiente17 
Previsão de equipamentos e sistemas detectores de vazamentos e ineficiências. Emprego 
de equipamentos hidráulicos e componentes economizadores, tais como restritores de vazão, 
bacias sanitárias de volume reduzido, arejadores, torneiras de acesso restrito, entre outros. 
As tecnologias economizadoras para os pontos de consumo podem ser controladores de 
vazão ou controladores do tempo de uso ou uma combinação dos dois. 
Aproveitamento de águas servidas 
Utilização de sistema que permite a reutilização dos efluentes dos equipamentos sanitários 
(chuveiros, lavatórios, tanques, água cinza). Concepção de pequenas estações de tratamento 
Conservação da Água
concepção
e armazenamento da água cinza para posterior utilização em pontos de consumo que não 
exijam potabilidade, tais como descargas em bacias sanitárias, lavagem de pátios, entre outros. É 
extremamente importante que os sistemas de reuso não estejam interligados com tubulações de água 
tratada e estejam rigorosamente sinalizados. 
17 Algumas tecnologias: caixa de descarga com sistema Dual, registro regulador de vazão, restritor 
de vazão. 
Aproveitamento de águas pluviais 
Utilização de sistema composto por captação, transporte, descarte, gradeamento, reservatório, 
tratamento e desinfecção, recalque e distribuição das águas provenientes das chuvas para serem 
utilizadas em pontos de consumo que não exijam potabilidade, tais como sistemas de irrigação, bacias 
sanitárias e torneiras de lavagem. Este sistema deve ser rigorosamente sinalizado. 
Caso seja feito o reuso de água de chuva e de água cinza, o sistema de distribuição para os usos não 
potáveis pode ser o mesmo e sem conexões cruzadas com o sistema de água potável. 
Sistemas de retenção de água de chuva 
Análise criteriosa de viabilidade e adequação de sistema de retenção ao local, minimizando a 
área impermeável com soluções como pavimentos permeáveis18, valas de infiltração, poços de 
infiltração, planos de infiltração, coberturas/tetos verdes ou técnicas de baixo impacto incorporado 
ao paisagismo, como jardins de chuva, lagoas pluviais, alagados construídos e biovaletas (valetas de 
biorretenção vegetadas).
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A seleção de materiais influencia diretamente no desempenho do conforto ambiental 
do edifício ao longo de seu uso e operação e também na minimização de impactos ambientais 
na fase de construção, envolvendo uma análise integrada entre os produtos disponíveis, 
a qualificação de seus fornecedores e, ainda, com relação aos sistemas e processos 
construtivos requeridos. 
Informações sobre conformidade de produtos podem ser obtidas junto ao SiMaC . Sistema 
de Qualificação de Materiais, Componentes e Sistemas Construtivos, que trata dos diversos 
aspectos do desempenho dos materiais construtivos. A conformidade dos materiais induz 
à eficiência em termos ambientais, uma vez que age na durabilidade e na eficiência dos 
sistemas construtivos, reduzindo perdas. 
Ainda temos poucos materiais de construção testados e certificados no Brasil. Depende 
também do consumidor exigir que os mesmos sejam certificados pelos órgãos competentes. 
18 Existem tecnologias de pisos drenantes feitos com fibra de coco e concreto, e piso 
intertravado com borracha, feito com borracha reciclada de pneu. 
Procedência 
Deve-se selecionar materiais e componentes dando preferência aos que provêm de fábricas 
preocupadas com questões socioambientais e procedentes de fontes renováveis ou que 
contenham componentes reciclados ou reutilizados. 
Observar as distâncias de transporte, optando por recursos disponíveis nas proximidades do 
canteiro (preferência aos materiais locais). Não utilizar madeiras constantes na lista de espécies 
ameaçadas de extinção19.
concepção
Utilizar madeira20 proveniente de fontes manejadas, certificadas ou em condições de reutilização, 
especialmente para madeiras e painéis compensados, esquadrias, pisos, acabamentos e construção 
temporária, tais como: escoras e formas para concreto, bandejões e barreiras de pedestres. 
Verificar a possibilidade de redução do volume de material consumido, escolhendo materiais e 
componentes com menos embalagens ou embalagens mais leves. Avaliar capacitação e conduta dos 
fornecedores de materiais e sistemas. 
Características do material 
Deve-se analisar no que diz respeito ao ciclo de vida, os materiais a serem utilizados, dando preferência 
aos materiais