ERITROPOESE E ESTIMULADORES DE PRECURSORES
18 pág.

ERITROPOESE E ESTIMULADORES DE PRECURSORES


DisciplinaHematologia4.373 materiais25.773 seguidores
Pré-visualização5 páginas
(p. ex., febre de Pel-Ebstein). Contrastando com as doenças infecciosas agudas que produzem linfadenopatia sensível, a maioria dos indivíduos com distúrbios hematológicos não desenvolve sensibilidade nos linfonodos nem no baço, cujas consistências variam de lisa à semelhante à borracha. Por vezes, é mais difícil detectar a esplenomegalia do que a linfadenopatia. A maioria das doenças que produzem linfadenopatia também pode causar aumento do tamanho do baço.
 
Tabela 2. Causas de linfadenopatia29
	Infecções
	Bacterianas: estreptococos,* Staphylococcus aureus,* sífilis,*\u2020 doença da arranhadura do gato,* Mycobacterium tuberculosis e outras micobactérias,\u2020 brucelose,\u2020 leptospirose,\u2020 meliodose,\u2020 cancroide, peste, tularemia, febre da mordedura do rato
	
	Virais: adenovírus,* HIV,*\u2020 mononucleose infecciosa,*\u2020 herpes simples,*sarampo,\u2020 rubéola,\u2020 citomegalovírus,\u2020 hepatite,\u2020 doença de Kawasaki
	
	Micóticas: esporotricose, histoplasmose,\u2020 coccidioidomicose\u2020
	
	Por riquétsias: febre maculosa das Montanhas Rochosas,*\u2020 tifo rural\u2020
	
	Por clamídias: Chlamydia trachomatis, linfogranuloma venéreo
	
	Por protozoários: toxoplasmose,\u2020 tripanossomíase,\u2020 calazar\u2020
	
	Helmínticas: filariose,\u2020 oncocercose
	Causas imunológicas
	Picadas e mordidas*
	
	Reações a fármacos*\u2020: fenitoína, hidralazina
	
	Doença do soro*\u2020
	
	Doenças vasculares colágenas: artrite reumatoide,\u2020 dermatomiosite,\u2020linfadenopatia angioimunoblástica\u2020
	Malignidades
	Hematológicas: doença de Hodgkin,* leucemia aguda,\u2020 leucemia linfocítica crônica,\u2020 leucemia mielógena crônica,\u2020 linfoma,\u2020 mielofibrose\u2020
	
	Outras: carcinoma metastático, sarcomas
	Doenças endócrinas
	Hipertireoidismo\u2020
	Distúrbios histiocíticos
	Doença do armazenamento de lipídeos,\u2020 histiocitose maligna,\u2020histiocitose de Langerhans (eosinofílica)
	Diversas
	Sarcoidose, amiloidose,\u2020 doença granulomatosa crônica, granulomatose linfomatoide, linfadenite necrotizante
*Causa mais comuns na prática geral, nos Estados Unidos.
\u2020 Em geral, causa linfadenopatia generalizada.
 
Sangramento e equimoses
Sangramentos são consequentes a trombocitopenia, deficiências de fatores de coagulação ou ambos (ver Distúrbios hemorrágicos]. A trombocitopenia costuma surgir como petéquias hemorrágicas observadas primeiramente nos membros. Deficiências de fatores de coagulação constituem as causas mais frequentes de sangramentos no trato gastrintestinal ou nas articulações. O sangramento intracraniano, todavia, pode ocorrer em caso de deficiência de plaquetas ou de fatores de coagulação, podendo ser catastrófico.
 
Trombose
A trombose pode ser venosa ou arterial [ver Distúrbios trombóticos]. O indivíduo com trombose venosa apresenta inchaço, sensibilidade e dor além da região onde a obstrução geralmente ocorre. Na trombose venosa, a formação de êmbolos que seguem para os pulmões é uma preocupação constante. Esse tipo de trombose costuma ocorrer após períodos de inatividade ou em caso de obstrução do fluxo venoso, ou ainda diante de desequilíbrios de fatores de coagulação. Por outro lado, a trombose arterial costuma decorrer de anormalidades na parede das artérias associadas à aterosclerose ou lesão vascular aguda, como na púrpura trombocitopênica trombótica, ou à trombocitose, nos distúrbios mieloproliferativos.
 
Avaliação laboratorial
Os testes básicos descritos a seguir são utilizados para diagnosticar distúrbios hematológicos.
 
Contagens de células sanguíneas completas
As contagens de células sanguíneas (CCS) são rotineiramente realizadas na maioria dos laboratórios. Para tanto, utiliza-se um contador eletrônico de partículas, que determina a contagem total de leucócitos sanguíneos e a contagem de plaquetas, além de calcular o hematócrito e os níveis de hemoglobina a partir da contagem de eritrócitos e da determinação das dimensões das hemácias. As anomalias de CCS são descritas em outros capítulos da seção de Hematologia [ver seção Valores laboratoriais normais].
 
Esfregaços de sangue periférico
Os esfregaços de sangue periférico geralmente são corados pela coloração Wright. Quando examinados à microscopia de luz, revelam o tamanho e o formato das células sanguíneas, informação que permite estimar a quantidade de hemoglobina presente nos eritrócitos. As contagens diferenciais de leucócitos, que quantificam neutrófilos, monócitos, linfócitos, eosinófilos e basófilos, são realizadas por meio da contagem manual das células observadas no esfregaço sanguíneo ou com auxílio de um contador de células automático [ver seção Valores laboratoriais normais]. A morfologia dos leucócitos muitas vezes fornece indícios para o diagnóstico da leucemia e também para o reconhecimento de alguns distúrbios leucocitários que tornam o indivíduo suscetível a infecções [ver Distúrbios leucocitários não malignos].
 
Contagem de reticulócitos
As contagens de reticulócitos são úteis para avaliar a resposta medular à anemia [ver seçãoValores laboratoriais normais]. Normalmente, durante as 24 a 36 horas em que permanecem na circulação, as hemácias jovens contêm RNA ribossômico residual que é precipitado por certos corantes, como azul de metileno. Um aumento da proporção ou do número absoluto de reticulócitos é detectado poucos dias após um evento de perda de sangue significativa ou em resposta à destruição de hemácias associada às anemias hemolíticas. Contagens baixas de reticulócitos em indivíduo com anemia crônica sugerem deficiência de EPO endógena ou anormalidade medular.
 
Exame de medula óssea
As células hematopoiéticas da medula óssea podem ser removidas por aspiração ou biópsia feita com agulha. Em indivíduos adultos, o melhor sítio para realização desse procedimento é a crista ilíaca posterior. Nesse caso, o paciente fica deitado de bruços [ver Figura 4]. Em circunstâncias especiais e em crianças, podem ser utilizados outros sítios, como a crista ilíaca anterior, o esterno ou os ossos longos. Quando se utiliza anestesia e uma técnica estéril, o paciente sente apenas uma dor passageira. Raramente ocorre sangramento ou infecção no local da injeção. O aspirado fornece células para o exame morfológico, e as contagens diferenciais revelam a proporção de células mieloides e eritroides (proporção M:E) [ver seção Valores laboratoriais normais]. A biópsia revela a celularidade da medula no sítio amostrado. As biópsias são particularmente úteis para o exame da medula em busca de células infiltrantes (p. ex., em casos de linfoma ou carcinomas com envolvimento da medula) e para diagnóstico da leucemia (caracterizada por uma medula tão densamente concentrada em células que se torna impossível aspirá-la). A interpretação das biópsias é mais demorada, pois precisam ser descalcificadas e coradas antes de serem examinadas.
 
 
Clique na imagem para ampliar
Figura 4. Procedimento de biópsia e aspiração da medula óssea. (a) A crista ilíaca posterior é o sítio normal de obtenção da amostra; (b) a agulha é inserida através da pele no espaço medular; (c) a amostra de medula é aspirada; (d) a amostra da biópsia é cuidadosamente removida.