Introdução à Microbiologia
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Introdução à Microbiologia


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no mesmo vírion. A estrutura dos ácidos nucleicos nos
vírions pode ser linear ou circular.
Quanto à forma, os vírions podem ser (figura 28):
Icosaédricos: poliedro regular com 20 faces triangulares e 12 ângulos; esta
forma é determinada pelo capsídio. O poliovírus e os adenovírus são alguns exemplos.
Helicoidais: lembrando longos bastonetes, seus capsídios são cilindros ocos,
com estrutura helicoidal . O vírus do mosaico do tabaco é um exemplo.
Vírus envelopados: o nucleocapsídio interno desse vírus, que pode ser
icosaédrico ou helicoidal, é circundado por uma membrana envoltória. Tais vírions são
pleomórficos (têm formas variadas), já que os envoltórios não são rígidos. O vírus do
herpes é um vírion icosaédrico envelopado.
Vírus complexos: alguns vírions têm uma estrutura muito complicada; o vírus
da vacínia (grupo poxvirus), por exemplo, não possui capsídio claramente identificado,
mas apresenta várias camadas em torno do ácido nucleico.
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Figura 27: Estrutura geral de um vírion. Desenhos
mostram todos os principais componentes que podem
fazer parte de um vírion. Um vírion tem um cerne de
ácido nucléico envolvido por um capsídeo protéico;
esta combinação é denominada nucleocapsídeo. Um
vírion pode ter um envelope membranoso
(lipoproteína) envolvendo o nucleocapsídeo. O
envelope pode ter projeções na sua superfície
denominadas espículas (fonte: Pelczar et al.., 1996).
Figura 28: Morfologia de alguns vírus bem conhecidos. Simetria icosaédrica: [A] pólio, verruga, adeno,
rota; [B] herpes. Simetria helicoidal: [C] mosaico do tabaco; [D] influenza; [E] sarampo, caxumba,
parainfluenza; [F] raiva. Simetria incerta ou complexa: [G] poxvírus; [H] fagos T-pares (fonte: Pelczar et
al., 1996).
4. Classificação dos vírus animais e de plantas
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Os vírus têm sido agrupados ou classificados de várias maneiras. Um dos
primeiros sistemas, que ainda tem uso limitado, estabelecia subgrupos de acordo com a
espécie do hospedeiro normalmente infectado pelo vírus (animais, vegetais ou
microrganismos). Outro método de classificação dos vírus se baseava-se na afinidade
tissular dessas partículas infectantes, por exemplo, os vírus que se fixam às células
nervosas eram denominados vírus neurotrópicos. À medida que se foi desenvolvendo a
análise das características físicas, químicas e biológicas dos vírus, acumulou-se uma
informação sobre a qual era possível construir uma classificação de acordo com esses
conhecimentos. A tabela 9 resume tais propriedades.
A tabela 10 mostra a classificação dos vírus que infectam os animais, agrupados
de acordo com a simetria e a ordem decrescente de tamanho.
Tabela 9: Propriedades utilizadas para a classificação dos vírus (fonte: Pelczar et al., 1996).
CARACTERÍSTICAS PRIMÁRIAS CARACTERÍSTICAS SECUNDÁRIAS
Natureza química do ácido nucleíco:
 RNA ou DNA; fita dupla ou única;
genoma único ou segmentado; cadeia (+) ou (-);
peso molecular
Hospedeiro:
 Espécie de hospedeiro; tecido específico
do hospedeiro ou tipos de células
Estrutura do vírion:
 Helicoidal, icosaédrico ou complexo; nu
ou envelopado; complexidade; número de
capsômetros para vírion icosaédrico; diâmetro do
nucleocapsídeo para vírions helicoidais
Modo de transmissão:
 Por exemplo, fezes
Local de replicação:
 Núcleo ou citoplasma
Estruturas específicas de superfície:
 Por exemplo, propriedades antigênicas
Tabela 10: Classificação dos vírus que infectam o homem e outros animais (fonte: Pelczar et al., 1996).
Simetria do
capsídeo
Envelope
(genoma)
Diâme-
tro do
vírion
(nm)
Família Gênero típico
ou subfamílias
Vírus típicos Local de montagem
(local de envelopa-
mento)
Icosaédrico
Icosaédrico
Icosaédrico
Não (DNAfd1)
Não (RNAfd)
Não (DNAfd)
70 \u2013 90
65 \u2013 75
45 \u2013 55
Adenoviridae
Reoviridae
Papovaviridae
Mastadenovi-
rus
Reovirus
Rotavirus
Polyomavirus
Papillomavirus
Adenovírus
humano 2
Reovírus
Rotavírus
SV 40
Vírus da
verruga
Núcleo
Citoplasma
Núcleo
 Cont.da tabela 10
Icosaédrico
Icosaédrico
Não (RNAfu2)
Não (RNAfu)
30 \u2013 37
24 \u2013 30
Caliciviridae
Picornaviridae
Calicivirus
Enterovirus
Calicivírus
Poliomielite
Citoplasma
Citoplasma
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Icosaédrico Não (DNAfu) 18 \u2013 26 Parvoviridae
Rhinovirus
Parvovirus
Coxsackieví-
rus
Resfriado
comum
Vírus do rato
de Kilham
Núcleo
Icosaédrico
Icosaédrico
Icosaédrico
Icosaédrico
Sim (DNAfd)
Sim (RNAfu)
Sim (RNAfu)
Sim (DNAfd)
120\u2013200
80 \u2013 140
40 \u2013 70
42
Herpesviridae
Retroviridae
Togaviridae
Hepadnaviridae
Alphaherpesvi-
rinae
Oncovirinae
Rubivirus
Herpes
simples
Tumor RNA
Rubéola
Hepatite B
Núcleo (membrana
nuclear e/ou cito-
plasma)
Citoplasma (mem-
brana citoplasmática
e/ou citoplasma)
Citoplasma (mem-
brana citoplasmática
e/ou citoplasma
Núcleo (citoplasma)
Helicoidal
Helicoidal
Helicoidal
Helicoidal
Helicoidal
Sim (RNAfu)
Sim (RNAfu)
Sim (RNAfu)
Sim (RNAfu)
Sim (RNAfu)
130\u2013300
x50-100
100\u2013150
80 \u2013 120
75 \u2013 160
90 \u2013 120
Rhabdoviridae
Paramyxoviri-
dae
Orthomyxoviri
dae
Coronaviridae
Bunyaviridae
Vesiculovirus
Lyssavirus
Paramyxovirus
Influenzavirus
Coronavirus
Bunyavirus
Estomatite
vesicular
Raiva
Caxumba
Influenza
(Gripe)
Coronavirus
Bunyamwera
Citoplasma (mem-
brana citoplasmática
e/ou citoplasma)
Citoplasma (mem-
brana citoplasmáti-
ca)
Citoplasma (mem-
brana citoplasmáti-
ca)
Citoplasma
(citoplasma)
Citoplasma
(citoplasma)
Complexo
ou incerto
Complexo
ou incerto
Sim (DNAfd)
Sim (RNAfu)
200\u2013350
x115-
260
50 \u2013 300
Poxviridae
Arenaviridae
Orthopoxvirus
Arenavirus
Varíola
Lassa
Citoplasma
(citoplasma)
Citoplasma (mem-
brama citoplasmáti-
ca e/ou citoplasma)
1 fd = fita dupla 2 fu = fita única
4.5 Replicação do Vírus
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Antes que qualquer vírus possa infectar uma célula animal, ele primeiro deve
ligar-se a um receptor específico na membrana celular, provavelmente uma
glicoproteína. Como já foi dito, muitos vírus podem ter um envelope rico em lipídeo
envolvendo o capsídio. Do envelope de muitos vírus projetam-se "pontas" que podem
conter glicoproteínas e lipídeos. As propriedades das moléculas que constituem o
envelope estão relacionadas com a adesão do vírus à vários substratos. Se o envelope
não está presente, as propriedades do capsídio determinam as características adesivas do
vírus.
A multiplicação dos vírus se faz por replicação, no qual as porções protéica e
nucleica aumentam no interior das células hospedeiras sensíveis. Este processo pode ser
dividido em etapas, que são comuns a todas as infecções virais:
1. Adsorção: envolve a participação de receptores específicos na superfície da
célula hospedeira e das macromoléculas do vírion.
2. Penetração e desnudamento: os vírus com envelope unem-se às células
hospedeiras, levando à fusão do envoltório lipoproteico dos vírus com a membrana
citoplasmática da célula, que resulta na liberação do material nucleocapsídico no
citoplasma celular. Os vírus nús (sem envelope) parecem penetrar pelo mecanismo de
fagocitose.
Ana Sofia
Ana Sofia fez um comentário
um saco não dá pra imprimir direto do site
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daniele
daniele fez um comentário
COMO FACO PARA IMPRIMIR
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Juliana
Juliana fez um comentário
Ótimo material ..muito obrigada!
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Candida
Candida fez um comentário
o padrão na montagem direta em KOH apresentado pela espécie T.soudanense é denominado
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Eliana
Eliana fez um comentário
relatório de bactéria está floco usar áureos
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