Introdução à Microbiologia
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Introdução à Microbiologia


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em cultura
pura, dos animais experimentalmente infectados.
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1.5 Caracterização e Classificação dos Microrganismos
A caracterização e a classificação dos organismos vivos são o principal objetivo
em todos os ramos da Ciência Biológica. A partir do momento em que um organismo é
completamente conhecido, torna-se possível fazer comparações com outros,
determinando semelhanças e diferenças. As comparações das características de grande
número de microrganismos resultam, eventualmente, num sistema de agrupamento das
espécies semelhantes. Por fim, cria-se um grupo com características muito semelhantes,
que é considerado como uma espécie e recebe um nome específico, isto é, o
microrganismo adquire um nome.
Por serem individualmente tão pequenos que não podem ser visualizados sem
ajuda de um microscópio, não é prático trabalhar com um único indivíduo. Por esta
razão estudam-se culturas, que contêm milhares, milhões e até mesmo bilhões de
indivíduos. Uma cultura que consiste em uma única espécie de microrganismo (uma
espécie viva), independentemente do número de indivíduos, num ambiente livre de
outros organismos vivos, é chamada de cultura axênica. Os microbiologistas usualmente
se referem a tais culturas como culturas puras, embora, no sentido técnico estrito, a
cultura pura seja aquela que se origina do crescimento de uma única célula. Se dois ou
mais tipos (espécies) crescem juntos, como normalmente ocorre na natureza, passam a
constituir uma cultura mista.
Antes de identificar e classificar um microrganismo, suas características devem
ser determinadas com detalhes adequados. As principais incluem as seguintes:
1. Características culturais: os nutrientes exigidos para o crescimento e as
condições físicas do ambiente que favorecem o desenvolvimento.
2. Características morfológicas: as dimensões das células, seus arranjos, a
diferenciação e a identificação de suas estruturas.
3. Características metabólicas: a maneira pela qual os microrganismos
desenvolvem os processos químicos vitais.
4. Características da composição química: a identificação dos principais e típicos
constituintes químicos da célula.
5. Características antigênicas: a detecção de componentes especiais da célula
(químicos) que fornecem evidências de semelhança entre as espécies.
6. Características genéticas: a análise da composição do ácido
desoxirribonucleico (DNA), assim como a determinação das relações entre o DNA
isolado de diferentes microrganismos.
A maioria das características acima citadas é determinada através de testes
laboratoriais, que incluem o uso de diferentes meios e diferentes reações químicas. No
entanto, um dos instrumentos mais poderosos na investigação é o microscópio. A tabela
1 resume as características essenciais e aplicações dos diferentes tipos de microscopia.
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Tabela 1 : Comparação de diferentes tipos de microscópios (fonte: Pelczar et
al.,1996).
Tipo de
microscópio
Ampliação máxima
útil
Observação do espécime Aplicações
Campo claro 1.000 \u2013 2.000 Espécimes corados ou
descorados; as bactérias,
geralmente coradas,
aparecem com a cor do
corante
Características morfológicas
grosseiras de bactérias,
leveduras, bolores, algas e
protozoários
Campo escuro 1.000 \u2013 2.000 Geralmente descorados;
aparecem brilhantes ou
iluminados\u201d sobre um
campo escuro
Microrganismos que exibem
algumas características
morfológicas especiais quando
vivos e em suspensão fluida; por
exemplo, os espiroquetas
Fluorescência 1.000 \u2013 2.000 Luminoso e corado; cor do
corante fluorescente
Técnica de diagnóstico em que o
corante fluorescente fixado ao
organismo revela a sua
identidade
Contraste de
fase
1.000 \u2013 2.000 Graus variáveis de
iluminação
Exame de estruturas celulares em
microrganismos maiores e vivos;
por exemplo, leveduras, algas,
protozoários e algumas bactérias
Eletrônico 200.000 \u2013 400.000 Observado em tela
fluorescente
Exame de vírus e das ultra-
estruturas das células
microbianas
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2 BACTÉRIAS
2.1 Morfologia e Ultra-Estrutura das Bactérias
Entre as principais características das células bacterianas estão suas dimensões,
forma, estrutura e arranjo. Estes elementos constituem a morfologia da célula (figura 3).
Embora existam milhares de espécies bacterianas diferentes, os organismos
isolados apresentam uma das três formas gerais: elipsoidal ou esférica, cilíndrica ou em
bastonete e espiralada.
As células bacterianas esféricas ou elipsoidais são chamadas de cocos e podem
apresentar os arranjos vistos na figura 4.
As células bacterianas cilíndricas ou em bastonetes (bacilos) comumente
apresentam-se isoladas e ocasionalmente ocorrem aos pares (diplobacilos) ou em
cadeias (estreptobacilos) (figura 5).
As bactérias espiraladas (singular = spirillum; plural = spirilla) ocorrem,
predominantemente, como células isoladas. As células individuais de espécies diferentes
exibem, contudo, nítidas diferenças no comprimento, número e amplitude das espirais e
na rigidez das paredes celulares. As bactérias curtas com espiras incompletas são
conhecidas como bactérias comma ou vibriões (figura 6).
A unidade de medida das bactérias é o micrômetro, que equivale a 10-³ mm. As
bactérias mais freqüentemente estudadas em laboratório medem, aproximadamente, 0,5
a 1,0 µm por 2,0 a 5,0 µm. Os estafilococos e estreptococos, por exemplo, têm
diâmetros variáveis entre 0,75 e 1,25 µm. As formas cilíndricas, tais como o bacilo da
febre tifóide e da disenteria, apresentam uma largura de 0,5 a 1,0 µm e um comprimento
de 2 a 3 µm. Algumas formas filamentosas podem exceder os 100 µm de comprimento,
mas seu diâmetro está, de modo característico, entre 0,5 e 1,0 µm.
A figura 7 mostra o tamanho comparativo de uma célula de uma bactéria, um
vírus e um protozoário. 
Figura 3: Principais estruturas celulares que ocorrem em células bacterianas. Certas estruturas,
como por exemplo, grânulos ou inclusões, não são comuns a todas as células bacterianas (fonte: Pelczar et
al, 1996).
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Figu
Diplo
(esca
perm
divid
tetra
coco
um p
ra 4: Arranjos característicos dos cocos, com ilustrações esquemáticas dos padrões de multiplicação. [A]
cocos: as células se dividem em um plano e permanecem acopladas predominantemente em pares
neamento por micrografia eletrônica de varredura). [B] Estreptococus: as células se dividem em um plano e
anecem acopladas para formar cadeias (micrografia eletrônica de varredura). [C] Tetracocos: as células se
em em dois planos e caracteristicamente formam grupos de quatro células. As espécimes mostradas são Gaffkya
gena. [D] Estafilococos: as células se dividem em três planos, em um padrão irregular, formando cachos de
s. As espécimes mostradas são Staphylococcus aureus. [E] Sarcinas: as células se dividem em três planos, em
adrão regular, formando um arranjo cúbico de células (fonte: Pelczar et al., 1996).
Figura 5: Bactérias tipicamente cilíndricas
(bacilos). Observar as variações de
comprimento e de largura. (A) Clostridium
sporogenes; (B) Pseudomonas sp; (C)
Bacillus megaterium; (D) Salmonella typhi
(fonte: Pelczar et al., 1980).
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Figura 6: Bactérias espiraladas. (A) célula de Leptospira mostrando
o filamento axial típico. Micrografia eletrônica, x 71.526.
Ana Sofia
Ana Sofia fez um comentário
um saco não dá pra imprimir direto do site
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daniele
daniele fez um comentário
COMO FACO PARA IMPRIMIR
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Juliana
Juliana fez um comentário
Ótimo material ..muito obrigada!
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Candida
Candida fez um comentário
o padrão na montagem direta em KOH apresentado pela espécie T.soudanense é denominado
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Eliana
Eliana fez um comentário
relatório de bactéria está floco usar áureos
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