1 Bambu - Cap Ibracon
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1 Bambu - Cap Ibracon


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Instituto Brasileiro do Concreto 
Livro Materiais de Construção Civil 1 
 
 
CAPÍTULO 47 
 
BAMBU 
 
Khosrow Ghavami (1) e Normando Perazzo Barbosa (2) 
 
(1) Professor Titular, PhD, Departamento de Engenharia Civil 
Pontifícia Universidade Católica do-Rio de Janeiro, 
Rua Marques de São Vicente, 225, Gávea, 22453-900 Rio de Janeiro - RJ 
email: ghavami@dec.puc-rio.br 
 
(2) Professor Titular, Doutor, Departamento de Tecnologia da Construção Civil 
Centro de Tecnologia da Universidade de Federal da Paraíba 
Cidade Universitária, 58059-900 João Pessoa \u2013 PB 
email: nperazzo@lsr.ct.ufpb.br 
 
1 Introdução 
Os materiais industrializados mobilizam vastos recursos financeiros, consomem 
uma enorme quantidade de energia e requerem um processo centralizado para sua 
obtenção, resultando em custo elevado para grande parte da população mundial. Dentre 
as conseqüências há os problemas de desemprego e de crise habitacional em áreas 
rurais e em pequenas cidades. Somem-se a isso os resíduos dos materiais não 
renováveis que são inaproveitados, causando permanente poluição. Nesse sentido, torna-
se evidente que materiais ecológicos podem satisfazer a algumas exigências 
fundamentais dos dias de hoje, como minimização do consumo de energia, conservação 
dos recursos naturais, redução da poluição e manutenção de um ambiente saudável. 
Assim, são intensas as pesquisas em andamento sobre materiais não poluentes, como 
fibras vegetais, bambu, terra. Com base nos estudos sobre o seu comportamento e sua 
utilização, esses materiais vêm se apresentando como alternativos na construção. Por 
isso, poderiam ser muito mais aproveitados nos locais onde são encontrados em 
abundância. 
O bambu, presente constantemente na paisagem brasileira e em toda zona tropical 
e parte da zona subtropical da terra, é uma resistente gramínea ainda não devidamente 
apresentada aos povos ocidentais. Contando com mais de 1200 aplicações no oriente, 
essa espécie vegetal tem um potencial latente à espera de uso. 
Dentre as várias características favoráveis ao seu uso na arquitetura e na 
engenharia pode-se citar: 
- baixa energia de produção se comparada a outros materiais como aço, concreto e 
madeira, o que pode resultar em baixo custo da construção; 
- curto ciclo de crescimento com grande e constante produtividade por bambuzal; 
- baixo peso específico, o que reduz o custo de seu manuseio e transporte; 
- forma tubular acabada, estruturalmente estável para as mais diversas aplicações 
construtivas, inclusive como tubos hidráulicos; 
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- resistência mecânica compatível com os esforços solicitantes a que estaria 
submetido o bambu em estruturas adequadamente dimensionadas; 
- aproveitamento quase total, e os poucos resíduos gerados com seu emprego são 
biodegradáveis, reincorporando-se facilmente à natureza; 
- possibilidade de se curvar o colmo (caule); 
- superfície lisa e coloração atrativa; 
- durabilidade dentro das expectativas normais de vida dos materiais 
convencionais, relativamente às condições ambientais onde é utilizado, seja ao ar livre ou 
envolvido por outros materiais. 
Para o uso do bambu em grande escala como material de engenharia, 
economicamente viável e com possível industrialização, faz-se necessário um estudo 
científico sistemático sobre sua propagação, plantação, colheita, cura, tratamento e pós-
tratamento, além de uma completa análise estatística das propriedades físicas e 
mecânicas do colmo do bambu inteiro. A partir desses estudos, será possível criar 
critérios confiáveis de dimensionamento e fazer-se o emprego de processos industriais, 
viabilizando economicamente o uso do bambu em grande escala. 
No Brasil, os primeiros estudos científicos relativos ao bambu tiveram início em 
1979, no Departamento de Engenharia Civil da Pontifícia Universidade Católica do Rio de 
Janeiro (PUC-Rio), sob a direção do primeiro autor deste capítulo. Desde então, foram 
desenvolvidos vários programas de investigação do uso do bambu e das fibras naturais 
(sisal, coco, piaçava e polpa celulósica de bambu) como materiais de baixo impacto 
ambiental para serem empregados na construção. 
Neste capítulo, pretende-se apresentar informações gerais sobre o bambu 
resultados dos estudos das características biológicas, físicas, mecânicas e da meso e 
micro-estrutura do bambu, com a finalidade de sua aplicação na obras de engenharia. 
São mostrados os métodos de ensaios de tração, compressão de elementos curtos, 
cisalhamento interlaminar e transversal, levando-se em consideração variáveis como 
espécie, idade, teor de umidade, origem e posição do colmo de onde a amostra foi 
extraída. Para se ter maior vida útil, precisa-se levar em conta fatores como idade do 
bambu, tempo do corte, período de cura e secagem, além de tratamentos contra fungos e 
insetos. 
A utilização do bambu é bastante disseminada em todo mundo, principalmente nos 
países asiáticos. Japoneses, chineses e indianos utilizam essa extraordinária planta há 
milhares de anos. Em certas regiões, o bambu é considerado uma planta sagrada, tais 
são os benefícios que ela proporciona. Na América do Sul, a Colômbia destaca-se como o 
país que mais investe na utilização do bambu em construções. No Brasil, até agora o 
bambu não recebeu a atenção merecida, pois ainda existe uma ideologia de associar 
essa planta à pobreza, além de serem pouco divulgadas suas características 
agronômicas e tecnológicas. O bambu já é utilizado no meio rural como tutor para plantas, 
demarcação de curvas de nível, cercas, estrados, comedouros, esteiras, cestos, forros, 
proteção de terrenos, quebra-vento, controle de erosão, carvão, drenagem, condução de 
água, alimentação, vara de pescar. 
Nas Figuras 1 a 4 podem-se ver algumas obras que mostram o grande potencial do 
material: casa de show construída inteiramente com bambu, incluindo a decoração 
interna, divisórias e telhas, apresentada em Itanhangá, no Rio de Rio de Janeiro, 
concluída em 1998 (Figura 1); catedral construída em bambu na Colômbia pelo arquiteto 
Simon Veles e pelo construtor Marcelo Vilegas (Figura 2); boate Cozumel construída no 
bairro da Lagoa Rodrigues Freitas, no Rio de janeiro nos anos noventa (Figura 3); pontes 
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de pedestre de bambu construídas na Alemanha e na Colômbia (Figura 4). No Brasil, a 
Associação Brasileira de Materiais e Tecnologias não Convencionais, cujo endereço na 
internet é http/www.abmtenc.civ.puc-rio.br, vem incentivando a utilização do bambu na 
arquitetura e na engenharia através da realização de congressos, além da participação 
em projetos de engenharia e de casas populares, utilizando os dados de pesquisa sobre 
bambu do grupo de Materiais Não Convencionais da PUC-Rio. 
 
 
Figura 1 - Casa de Bambu em Itanhangá, no Rio de Janeiro 
 
 
(a) Vista frontal durante o 
dia 
 
(b) Interior da Catedral 
 
(c) Vista frontal durante a 
noite 
Figura 2 - Catedral construída em bambu na Colômbia. 
 
 
 
 
a) Em fase de construção b) Aplicação de solo argiloso c) Estrutura já concluída 
Figura 3 - Boate Cozumel na Lagoa, no Rio de Janeiro, construída em bambu em anos 90. 
 
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Pires
Pires fez um comentário
essa forma de interacção e troca de obras é muito útil na carreira estudantil
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