1 Bambu - Cap Ibracon
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1 Bambu - Cap Ibracon


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Livro Materiais de Construção Civil 4 
 
 
 
(a) Ponte de bambu em Pereira, na Colômbia 
 
(b) Vista do vão de 53m 
 
(c) Ponte de bambu em Stuttgart-Alemanha 
Figura 4 - Pontes de bambu em Pereira, na Colômbia e em Stuttgart, na Alemanha. 
 
2 Os Bambus 
Os bambus são gramíneas gigantes, pertencentes à família Poaceae e à subfamília 
Bambusoide formando parte da ordem Graminales, da classe Monocotyledoneae que é 
uma divisão das Angiosprmeae. O bambu nativo pode ser encontrado em todos os 
continentes, à exceção da Europa e da Antártida, desenvolvendo-se em toda a zona 
tropical da terra e em parte da zona subtropical. De acordo com Lopéz (2003), das mais 
de 1600 espécies de bambu existentes no mundo, 440 delas são nativas da América, 
1000 espécies são da Ásia e Oceania, e uma parcela pequena vem da África. 
 
2.1 Morfologia 
Morfologia é a parte da botânica que estuda a estrutura das plantas. A estrutura 
externa do bambu é formada por: 
- rizomas e raízes 
- colmos 
- galhos 
 - folhas 
- flores e frutos 
 
2.1.1 Rizomas e raízes 
O rizoma é o órgão vital na reprodução assexuada do bambu, que armazena e 
transporta nutrientes. O rizoma pode ser considerado como uma fábrica ecológica 
subterrânea, de onde a cada ano saem novos colmos que vão se multiplicando. Ele é um 
caule subterrâneo composto de nó, internó, broto e uma ou mais raízes. Possui três 
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padrões de ramificação em geral: o primeiro, chamado simpodial, representa cada eixo 
sucessivo que se torna dominante e volta a se desenvolver; o segundo, chamado 
monopodial, consiste num eixo dominante e eixos secundários derivados dele; o terceiro, 
uma mistura dos outros dois, é conhecido como anfipodial. 
O rizoma simpodial é também chamado de determinado, pois um número limitado 
de outros eixos é produzido a partir de um eixo matriz. Já o monopodial é considerado 
indeterminado, pois o eixo principal pode se desenvolver indefinidamente e continuar a 
produzir outros eixos adicionais. Simpodial e monopodial podem descrever o padrão de 
ramificação de qualquer parte da planta e não somente do sistema de rizomas. De acordo 
com a morfologia dos rizomas, existem três grandes tipos de bambu: leptomorfo, 
paquimorfo e metamorfo, que podem ser vistos na Figura 5. 
 
 
a) Paquimorfo 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
b) Leptomorfo c) Metamorfo 
FIGURA 5 \u2013 Classificação do bambus segundo os rizomas. 
 
Paquimorfo é também conhecido como tipo moita, conglomerado, entouceirante, 
simpodial e determinado. É típico da zona tropical das Américas, Ásia, África e Oceania. 
O rizoma paquimorfo (Figura 5a) é sólido, de forma curva, curto e grosso. Seus internós 
são mais largos e com uma espessura máxima em, alguns casos, maior do que a do 
colmo (Judziewicz, Clark e Lenoño,1999). 
Leptomorfo é também conhecido pelo nome monopodial, alastrante ou 
indeterminado. O rizoma leptomorfo,conforme mostrado na Figura 5b, é longo, de forma 
cilíndrica, apresenta diâmetro menor do que o do colmo correspondente. A maioria dos 
brotos é temporária e aqueles que germinam geram colmos simples. 
O termo Metamorfo é usado para esse tipo de bambu, porque ele não se adapta 
nem ao tipo leptomorfo e nem ao paquimorfo, sendo a transformação de um em outro, 
Figura 5c. 
As raízes do bambu normalmente saem dos rizomas e ajudam a fixar a planta no 
solo, absorvendo água e nutrientes que são transportados para toda planta. As raízes 
podem até armazenar amido, embora essa função seja, na maioria das vezes, 
desempenhada pelo rizoma. 
 
 
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2.1.2 Colmos 
Os colmos formam a principal parte aérea da planta. São eles que são usados na 
Construção. O colmo nasce do ápice do rizoma e tem seu eixo segmentado, constituído 
de nó e internó. O comprimento dos colmos de bambu varia enormemente com a 
espécie. Há espécies com colmos de alguns centímetros de altura e outras nas quais eles 
podem superar os 30 metros. As Figuras 6a, 6b, 6c e 6d representam os estágios de 
crescimento do colmo da espécie Guadua angustifólia. 
 
 
 
 
a. algumas semanas b. 1-2 anos c. 2-3 anos d. 3-6 anos 
Figura 6 - Estágios do colmo do bambu Guadua angustifólia (Londoño, Camayo e Riaño, 2002). 
O crescimento do colmo ocorre muito rapidamente. Seu comprimento aumenta 
sendo de alguns centímetros por dia (de 15cm a 20 cm). A literatura reporta recordes de 
crescimento de mais de um metro em um único dia. 
O nó é o local de onde de onde saem os galhos. Internamente, o nó é representado 
pelo prato sólido horizontal de feixes vasculares denominados diafragmas. De acordo com 
López (2003), as espécies do grupo paquimorfo e leptomorfo apresentam estruturas 
anatômicas semelhante na região nodal, e algumas espécies do grupo paquimorfo 
desenvolvem raízes densas ao redor da região nodal na parte mais baixa do colmo. 
O internó é a parte do colmo entre os dois nós consecutivos. A parede do internó é 
variável, possuindo uma espessura desde muito fina (exemplo: espécie Rhipidocladum) a 
muito grossa (exemplo: espécie Guadua velutina). Nos bambus americanos, a superfície 
externa do internó é completamente lisa, mas pode apresentar aspereza com um maior 
ou menor grau de enrugamento. O diâmetro do interno decresce da base ao topo. As 
Figuras 7a, 7b e 7c representam, respectivamente, o internó do bambu, a seção 
transversal do bambu e o respectivo esquema. 
 
 
Figura 7 - Perfil macroscópico do colmo do bambu: Dendrocalamus giganteus (Fonte: Coletânea 
pessoal de Úrsula Ghavami). 
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2.1.3 Galhos 
Os galhos são originados de brotos que se alternam de um lado para outro, em nós 
sucessivos. Em algumas espécies, os galhos se desenvolvem na fase de crescimento; em 
outras, quando atingem o seu crescimento definitivo. Algumas espécies têm galhos 
relativamente grandes em relação ao colmo, como se mostra na Figura 8ª; outras os têm 
de dimensões muito menores. O número de ramificações em cada nó é importante na 
identificação dos diversos gêneros. 
 
2.1.4 Folhas 
Os bambus apresentam dois tipos de folhas: as que crescem nas extremidades dos 
galhos e as que nascem no colmo. As primeiras, conforme a Figura 8b, são as folhas 
propriamente ditas as quais efetuam a fotossíntese. As segundas são ditas folhas 
caulinares, brácteas ou bainhas (Figura 9). Nascem nos nós e protegem as gemas (partes 
da planta que originam os galhos) de danos mecânicos e insetos nocivos. A face interna 
da bainha é lisa e brilhante, mas, quando jovem, a parte externa é coberta com pelos 
irritantes que possuem coloração variada, como branca, cinza marrom ou preta. A forma e 
geometria das folhas caulinares variam com a espécie. 
 
 
 a b 
Figura 8 \u2013 (a) Galhos e (b) folhas de bambu 
 
 Esquema da Bainha do bambu 
 
 Bainha do bambu 
Figura 9 - Folha caulinar ou bainha do bambu Dendrocalamus giganteus (Fonte: 
Coletânia pessoal de Úrsula Ghavami). 
 
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2.1.5
Pires
Pires fez um comentário
essa forma de interacção e troca de obras é muito útil na carreira estudantil
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