1 Bambu - Cap Ibracon
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1 Bambu - Cap Ibracon


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Flores e frutos 
Há espécies de bambu, como a Bambusa vulgaris, que nunca floresce. Em outras, 
o florescimento apresenta-se, em geral, em períodos mais ou menos regulares, que 
variam, segundo a espécie, de 3 a 160 anos e debilita a planta, determinando a morte dos 
colmos e ramos. De acordo com Salgado e Azzini (1994), se um novo colmo brota de um 
rizoma que teve o seu colmo florescido, este novo colmo produz flores em seu primeiro 
ano de crescimento e logo, geralmente, morre. Segundo os mesmos autores existem três 
tipos básicos de florescimento: o anual, o esporádico e o gregário. O florescimento anual 
ocorre nos bambus herbáceos, os quais apresentam pouca importância econômica e não 
são usados na engenharia. O florescimento esporádico e o gregário ocorrem nos bambus 
lenhosos. O florescimento esporádico apresenta-se em colmos isolados e numa mesma 
touceira. O florescimento gregário ocorre quando floresce a totalidade dos colmos de uma 
touceira ou mata, ocorrendo a morte do colmo e também do rizoma. 
As flores do bambu se transformam em sementes. Na Figura 10, vêem-se 
sementes de bambu e a nova planta originária delas. 
 
 
Figura 10 - Sementes de bambu e nova planta gerada a partir de uma delas. 
 
2.2 Micro-estrutura 
Microscopicamente o bambu pode ser considerado um material compósito formado 
por feixes de fibras fortemente aderidas a uma substância aglutinante, a lignina. 
Devido à forma tubular, podem-se adotar como referência as direções longitudinal, 
radial e circunferencial, mostradas na Figura 11. As propriedades físicas e mecânicas do 
bambu são diferentes, segundo essas três direções. 
 A direção longitudinal é dita direção paralela às fibras. A direção radial é aquela ao 
longo da espessura da parede do colmo. A direção circunferencial é aquela circular, 
paralela ao perímetro da seção transversal do colmo. 
As fibras têm uma direção preferencial, orientando-se longitudinalmente ao longo 
do colmo. Elas são praticamente paralelas e lineares ao longo do internó, porém, no nó, 
elas sofrem desvios. 
No sentido radial, as fibras não se distribuem homogeneamente na matriz de 
lignina: há uma maior concentração delas nas proximidades da face externa, como se vê 
na Figura 12. As camadas externas do colmo são as mais solicitadas pela ação do vento 
no bambuzal. Como as fibras são responsáveis pela resistência à tração do bambu, 
sabiamente a Natureza as concentra nas zonas mais tracionadas. 
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 Já ao longo das direções circunferencial e longitudinal tem-se uma distribuição 
praticamente uniforme, embora nesta última haja redução na quantidade de fibras à 
medida que se afasta da base. 
 
 
Figura 11 - Direções a serem consideradas nos colmos de bambu. 
 
 
Figura 12 - Distribuição das fibras ao longo da espessura da 
parede do colmo (direção radial). 
 
Os vasos ou veios têm como função o transporte de nutrientes da raiz às demais 
partes da planta. Como os colmos de bambu são bastante esbeltos, os vasos ou veios 
são reforçados por um tecido (esclerênquina) que lhes dá resistência (Figura 13). 
 
3 Obtenção dos colmos 
 A obtenção dos colmos para uso na engenharia passa pelas seguintes etapas: 
- seleção 
- corte 
- cura 
- secagem 
- tratamentos imunizantes 
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 mesoestrutura com aumento de 6X 
 
 
 microestrutura com aumento de 50X. 
FIGURA 13 - Conjuntos vasculares do bambu da espécie Dendrocalamus giganteus. 
 
3.1 Seleção 
 A escolha dos colmos adequados é fundamental para se conseguirem construções 
duráveis. O primeiro aspecto a observar é a idade do bambu: muito jovem, não 
desenvolveu ainda suas propriedades de resistência, tem mais seiva, será mais suscetível 
ao ataque de insetos e de fungos; muito maduro, pode já apresentar diminuição das 
propriedades mecânicas! 
 Assim, a idade de colher os colmos é de três a sete anos, variando com a espécie. 
No caso de se ter exploração racional de plantações de bambu, como já ocorre em muitas 
partes de Colômbia, por exemplo, a idade do material é bem conhecida e colhe-se no 
tempo adequado. Já quando se tem de obter bambu sem conhecimento de sua idade, 
devem-se observar algumas diferenças entre os colmos verdes e os maduros. 
 Os colmos ainda verdes apresentam coloração mais intensa, podendo apresentar a 
superfície cerosa, e brácteas nos nós, nenhum ou poucos galhos, como se vê na Figura 
14a. 
 Os colmos maduros têm cor menos brilhante, superfície dura, sem brácteas alguns 
galhos nos nós, como indicado na Figura 14b. 
Não se devem colher colmos muito maduros que apresentem fissuras nas paredes, 
sinais de ataque de insetos ou de fungos, nem com sinais de apodrecimento. 
 
3.2 Corte 
 O corte deve ser feito de forma a não prejudicar o bambuzal. É preferível o uso de 
serra elétrica. Nos bambuzais entouceirantes que não foram manejados corretamente 
essa operação de corte é bastante trabalhosa, sobretudo se não se dispuser do 
equipamento citado. Os colmos maduros normalmente estão no interior da touceira, o que 
dificulta ainda mais o acesso ao corte. Na falta de serra elétrica, pode-se usar machado 
ou facão. 
 O corte deve ser feito à altura do segundo nó, logo sobre ele, evitando-se deixar 
possibilidade de acúmulo de água dentro do pedaço do colmo que ficou no solo, para que 
não apodreça a raiz. 
esclerênquima 
parênquima 
veios 
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 a b 
Figura 14 \u2013 Aspecto de colmos de bambu (a) jovem e (b) maduro (Crouzet, Starosta e Brouzet, 
1998). 
 
3.3 Cura 
 Chama-se cura dos colmos de bambu ao processo para minimizar quantidade de 
seiva no seu interior. A seiva atrai insetos e, por isso, é preferível reduzir sua quantidade. 
 Quando de tempo se dispõe, pode-se usar a cura na própria touceira: cortar o 
colmo e deixá-lo apoiado sobre uma pedra para a seiva ir escorrendo. Esse processo é 
benéfico porque o bambu vai perdendo seiva e umidade no próprio ambiente do 
bambuzal, que não é muito seco e assim não ocorre secagem rápida, diminuindo o risco 
de rachaduras. 
Recomendam-se duas a três semanas de cura na touceira. Porém, em certas 
espécies muito suscet\ufffd\ufffdveis ao ataque de insetos, como é o caso do Bambusa Vulgaris, 
pode ser que esse tempo seja já o suficiente para o ataque. Assim, em se tratando da 
referida espécie, é mais prudente deixar os colmos apenas alguns dias na mata, ou 
mesmo transportá-los logo para secagem. 
Outra maneira de proceder à extração da seiva dos colmos é por imersão. 
Colocados sob água, esta penetra no interior dos colmos, dissolvendo a seiva e 
transferindo-a para a água. O tempo requerido é de aproximadamente duas a quatro 
semanas, devendo-se ter o cuidado de trocar a água na metade dele: pode ser exalando 
um cheiro bastante desagradável. Nesse processo, também há a dificuldade de se 
manterem os colmos submersos. Por serem ocos e de densidade inferior à da água, a 
tendência é emergirem. Assim, tem de ser adotado um sistema que permita a imersão 
total. 
 Outro processo de cura é ao calor: parte da seiva é expulsa do colmo por 
exposição a temperaturas elevadas. Nesse caso, a
Pires
Pires fez um comentário
essa forma de interacção e troca de obras é muito útil na carreira estudantil
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