1 Bambu - Cap Ibracon
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1 Bambu - Cap Ibracon


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cura e a secagem estão sendo feitas 
ao mesmo tempo. O processo é delicado e deve ser executado cuidadosamente sob 
pena da formação de trincas ao longo dos colmos. 
 
 
 
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3.4 Secagem 
 Secagem é a operação para reduzir-se a umidade do colmo àquela de equilíbrio 
com a atmosfera. Após secagem, ela aproxima-se daquela das madeiras secas. Nas 
zonas com umidades relativas de 70% a 80%, após secagem os colmos ficam com 
umidade por volta de 14% a 16%. Nas zonas semi-áridas, esses valores podem ser de 
12% a 14 %. 
 O processo de secagem é de muita importância para a qualidade dos colmos. Se 
ele for rápido, podem ocorrer fissuras longitudinais que prejudicam a estética e a 
durabilidade do material. Por isso, a secagem não deve ser feita ao sol, mas protegida da 
incidência dos fenômenos atmosféricos. 
Outra forma de secagem é com fogo, utilizando-se uma fonte pontual de calor 
como um maçarico. Nesse processo, é importante utilizar-se fogo baixo, podendo-se obter 
uma superfície brilhante e bem resistente. Porém, é um método demorado e trabalhoso, 
por ser aplicado a cada colmo individualmente. 
Estufas são um meio muito eficaz de secar o bambu. Há estufas que aproveitam o 
calor do sol. Elas devem coletar seus raios durante o dia, sem incidência direta sobre os 
colmos e sem causar calor excessivo, e manter seu interior quente durante a noite. 
 
3.5 Tratamentos imunizantes 
 
 Apenas os processos de cura e de secagem não são suficientes para se extraírem 
todos os componentes dos colmos dos quais se alimentam os insetos. Assim, como no 
caso da madeira, é preciso que sejam aplicados tratamentos que evitem os predadores. 
Algumas espécies, como a Bambusa vulgaris, são muito mais suscetíveis a serem 
atacadas que outras, como a Dendrocalamus giganteus. 
 
 No Brasil, o principal inseto que ataca o bambu é o coleóptero Dinoderus minutos, 
conhecido popularmente como caruncho do bambu, visto na Figura 15. Trata-se de um 
inseto com 2 a 3 mm de comprimento que ataca apenas o bambu maduro. O mecanismo 
de ataque é o que segue: o inseto adulto perfura o colmo e põe os ovos no interior; ao 
eclodirem, as larvas começam a alimentar-se do vegetal, destruindo-o completamente, 
como se pode ver também na Figura 15. Uma vez atingida a idade adulta, os insetos 
voam para outro hospedeiro, recomeçando o processo. 
 
 
 
Figura 15 - O inseto Dinoderus minutos e pedaço de colmo de bambu atacado. 
 
Diversos são os tratamentos imunizantes que se podem adotar para preservação 
do bambu. Os métodos de imunização de madeira podem ser adotados. Há produtos 
naturais, como o extraído da planta Nin, que, embora consiga matar os insetos, tem efeito 
residual curto: após certo tempo, outros tornam a aparecer e atacar os colmos tratados. 
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 Na literatura, encontram-se indicados diversos produtos para serem usados nos 
tratamentos do bambu, normalmente por imersão em solução aquosa, como, por 
exemplo: 
\u2022 ácido bórico; 
\u2022 bórax (sal de boro); 
\u2022 sulfato de cobre; 
\u2022 ácido acético; 
\u2022 cloreto de zinco; 
\u2022 dicromato de sódio. 
 
Testes feitos por Barbosa (1988) na Universidade Federal da Paraíba, em Campina 
Grande mostraram que um bom resultado foi conseguido com um tratamento dos colmos 
através de imersão em óleo diesel. Apenas pintura ou aspersão do produto não é 
suficiente para uma proteção definitiva. 
Outro tipo de tratamento é o que consiste em defumar o bambu, introduzindo-o 
num compartimento com pouca saída de ar que tenha fogo e fumaça sob os colmos. Na 
Figura 16, vêem-se um forno rudimentar usado para a fumigação e também colmos 
submetidos a esse mesmo tratamento de forma industrial. 
 
 
 
 
 
 
 
 a b 
 
 a b 
Figura 16 \u2013 (a) Forno rudimentar de fumigação e (b) colmos tratados industrialmente. 
 
 
4 Propriedades físicas 
As propriedades físicas do bambu, como comprimento do colmo, distância entre os 
nós, diâmetro, espessura da parede, peso específico, etc, dependem de muitos fatores 
tais como: 
- espécie 
- fatores locais como qualidade do solo, temperatura e umidade relativa do ambiente, 
insolação, altitude, espaçamento entre touceiras, regime de chuvas, etc 
- manejo do bambuzal 
- posição ao longo do colmo 
 
 
 
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4.1 Distância internodal, diâmetro externo, espessura da parede 
 
 Na PUC-Rio, Ghavami e Marinho (2001) fizeram uma investigação sobre as 
propriedades físicas de algumas espécies de bambu. Foram medidos o diâmetro externo, 
o comprimento internodal e a espessura da parede. Para se obter esta última, foi 
desenvolvido o dispositivo indicado na Figura 17c. 
Os internós foram numerados desde a base até o topo, definindo um sistema de 
coordenadas (Figura 17) e os seus comprimentos foram medidos com trena de precisão. 
O diâmetro externo de cada internó foi determinado com paquímetro. 
A partir dos valores obtidos dos diâmetros externo (D), espessura da parede (t) e 
comprimento internodal (l) para os respectivos números de internós (n), pode-se obter a 
lei que indica sua variação ao longo da altura do colmo. 
 
Z
M = Mmax
l
internós
nós
n =1
n =2
n =3
n =4
n =5
z = 0
L
M = 0
vento
P
Z
r
t \u3c6d\u3c6D
M
 
 a b c 
Figura 17 \u2013 (a) Sistema de coordenadas, (b) posições dos furos e (c) aparelho para medições da 
espessura da parede do colmo do bambu. 
 
As curvas que representam a variação do comprimento dos internós do colmo 
inteiro do bambu das espécies Dendrocalamus giganteus, Phyllostachys heterocycla 
pubescens (Mosó), Phyllostachys bambusoides (Matake), Guadua angustifólia de São 
Paulo e do Rio de Janeiro, e Guadua tagoara são apresentadas na Figura 18. Observa-se 
um comportamento bem definido em todas as espécies estudadas: na parte basal, são 
menores; na parte central do colmo, atingem o valor máximo; na parte superior, 
decrescem. 
 A relação entre diâmetro externo com o número de internó do colmo está 
apresentada na Figura 19a. O diâmetro externo apresenta um comportamento quase 
linear, com os valores diminuindo da base para o topo, o que confere ao colmo um 
aspecto de tronco de cone. 
 Na Figura 19b pode-se ver que a espessura da parede do colmo de bambu 
também decresce à medida que se vai da base para o topo. 
 
Furos para medição 
da espessura da 
parede do bambu 
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0
100
200
300
400
500
600
0 10 20 30 40 50 60 70
Número de internó
Co
m
p.
 
in
te
rn
od
al
 
(m
m
) .
 
Figura 18 \u2013 Variação da distância internodal ao longo do colmo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Pires
Pires fez um comentário
essa forma de interacção e troca de obras é muito útil na carreira estudantil
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