1 Bambu - Cap Ibracon
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1 Bambu - Cap Ibracon


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a absorção, mas dificilmente 
eliminá-la. 
 
Quadro 4 \u2013 Absorção de água em porcentagem de duas espécies de bambu no estado 
natural e com tratamentos. 
Espécie Produto de 
tratamento 
Tempo de imersão 
 24 h 48 h 72 h 96 h 
Dendrocalamus 
giganteus 
 
 - 
 
 21,2 
 
 25,0 
 
 27,7 
 
 31,7 
 \u201c A 11,0 15,2 16,1 18,5 
 \u201c B 9,9 14,0 18,5 21,4 
 \u201c C 4,4 6,0 7,7 10,3 
 \u201c D 2,4 5,0 7,7 10,0 
 
Bambusa 
vulgaris 
 - 25,7 30,2 32,4 34,3 
 \u201c A 15,9 18,9 20,9 22,3 
 \u201c B 14,6 20,0 23,6 27,3 
 \u201c C 3,8 7,2 9,4 10,9 
 \u201c D 8,1 17,5 22,1 25,6 
 
 Uma das conseqüências da absorção de água é o fato de o bambu apresentar 
variações dimensionais: ao absorver água, aumenta suas dimensões; ao perdê-la, 
diminui. Essas variações dependem da direção em que se está medindo. No Quadro 5, 
vê-se que, na direção longitudinal, é mínima a variação de dimensão. Já na direção radial, 
o acréscimo é da ordem de 6%. Note-se que, apesar de absorver menos água, o bambu 
da espécie Dendrocalamus giganteus apresenta maiores variações dimensionais que o da 
espécie Bambusa vulgaris. Isso pode ser explicado pelo fato de o primeiro ter uma 
microestrutura mais compacta; assim, as tensões capilares são maiores, provocando 
maior expansão do material quando a água penetra. 
 
4.3 Massa específica 
 
 A massa específica das paredes do colmo de bambu é inferior à da água, variando 
entre 0,8 kg/dm3 e 0,95 kg/dm3 nas espécies mais apropriadas para a construção. 
 
 
Quadro - 5 Variações dimensionais de corpos-de-prova de bambu após imersão em água. 
Instituto Brasileiro do Concreto 
Livro Materiais de Construção Civil 20 
 
 
Espécie Direção Variações dimensionais (%) 
 
Dendrocalamus 
giganteus 
24 h 48 h 72 h 96 h 168 h 
circunferencial 1,6 2,8 2,8 2,8 3,3 
longitudinal 0,0 0,3 0,3 0,3 0,5 
radial 2,2 4,8 5,7 5,9 6,6 
Bambusa 
vulgaris 
circunferencial 3,0 3,2 3,5 3,6 3,7 
longitudinal 0,4 0,4 0,4 0,4 0,4 
radial 3,8 4,2 4,7 5,3 5,6 
 
5 Propriedades mecânicas 
As propriedades mecânicas do bambu variam com os mesmos parâmetros que 
interferem nas suas propriedades físicas. Como a busca por materiais de menor impacto 
ambiental está se difundindo, necessário é que sejam criadas normas para seu uso 
seguro e também sua aceitação no meio técnico. Com base resultados obtidos em 
pesquisas sobre bambu desde as últimas três décadas em várias partes do mundo, 
incluindo no Brasil, foi possível criarem-se as primeiras normas para o uso de bambu nas 
obras de Engenharia. 
 O International Network for Bamboo and Rattan, INBAR, 2000, cujo primeiro autor 
foi um dos membros principais do Comitê de Normas de Bambu, elaborou propostas de 
normas que foram analisadas pelo International Conference of Building Officials (ICBO). 
Tais normas foram publicadas no relatório AC 162: Aceptance Criteria for Strucutral 
Bamboo (ICBO, 2000). Desta forma, já é permitida oficialmente a aplicação do bambu na 
construção nos Estados Unidos da América. Esta norma será traduzida para língua 
portuguesa pelo grupo de Materiais Não Convencionais da PUC-Rio, permitindo seu uso 
por engenheiros, arquitetos, técnicos e leigos de toda parte do país, que utilizam o bambu 
nas construções. 
As propriedades mecânicas do bambu de maior interesse para a engenharia são: 
resistência à tração paralela às fibras, resistência à compressão paralela às fibras e 
resistência ao cisalhamento paralelo às fibras. Pode também ser de interesse a 
resistência à flexão, mas, quase sempre, em peças fletidas, mais importantes são as 
deformações. 
 
5.1 Resistência à tração paralela às fibras 
A resistência à tração paralela às fibras do bambu é alta, podendo chegar ao redor 
de 300 MPa. Em INBAR,2000, sugere-se o corpo-de-prova com a geometria indicada na 
Figura 23. A espessura pode ser de 3 mm até praticamente a espessura da parede do 
colmo. 
 Como o bambu é muito resistente, é conveniente colar, nas suas extremidades, 
placa de alumínio, de forma a evitar o esmagamento que as garras da máquina de ensaio 
pode causar naquelas regiões. Deve-se utilizar cola à base de epóxi. 
 A resistência é dada pelo valor da força máxima lida na máquina de ensaio dividida 
pela área da seção transversal do centro do corpo-de-prova. 
Instituto Brasileiro do Concreto 
Livro Materiais de Construção Civil 21 
 
 
 Instrumentando-se o corpo-de-prova, pode-se obter o diagrama tensão-deformação 
e o módulo de elasticidade do bambu. Na Figura 24 têm-se curvas típicas relativas ao 
comportamento tensão-deformação. Note-se que o comportamento é próximo do linear 
até a ruptura. Quando o corpo-de-prova é elaborado incluindo a parte do nó no seu 
centro, a resistência e a inclinação da curva tensão-deformação diminuem. 
 
 
 
Figura 23 - Dimensões do corpo-de-prova indicado pelo INBAR para ensaio de resistência à 
tração paralela às fibras de bambu e ensaio em realização. 
 
 
 
 
Figura 24 \u2013 Curvas típicas tensão de tração-deformação do bambu sem e 
com nó, até carga máxima (Lima Jr.,Dalcanal, Willrich e Barbosa, 2000). 
 
 
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18
Deformação (\u2030)
0
50
100
150
200
250
300
350
400
Te
ns
ão
 
(M
Pa
)
Bambu sem nó
 Sem nó 
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18
Deformação (\u2030)
0
50
100
150
200
250
300
350
400
Bambu com nó
Com nó 
Deformação (por mil) 
Instituto Brasileiro do Concreto 
Livro Materiais de Construção Civil 22 
 
 
5.2 Resistência à compressão paralela às fibras 
 A resistência à compressão é, em geral, 30% menor que a resistência à tração, 
estando entre 20 MPa a 120 MPa, variando muito com a espécie. 
 O corpo-de-prova recomendado pelo INBAR é cilíndrico com altura igual ao 
diâmetro, conforme se vê na Figura 25. 
A resistência é dada pela força máxima obtida no equipamento de teste e dividida 
pela área da seção transversal do corpo-de-prova cilíndrico, que pode ser determinada 
pela expressão: 
( )tDtA \u2212×= pi 
 onde A é área da seção transversal; t a espessura da parede; D, o diâmetro externo 
 
h=D
D
 
 
 
Figura 25 - Dimensões do corpo-de-prova indicado pelo INBAR para ensaio de resistência à 
compressão paralela às fibras de bambu e ensaio em realização. 
 Na Figura 26, podem-se ver curvas tensão-deformação típicas até o valor de carga 
máxima, obtidas a partir do ensaio de compressão, em corpos-de-prova sem nó. No caso 
de o corpo-se-prova ter um nó no seu centro, o aspecto dos diagramas obtidos é muito 
semelhante. Também aqui se percebe um comportamento linear para o material até a 
tensão máxima. 
0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 3.5 4.0 4.5 5.0
Deformação (\u2030)
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Te
n
sã
o 
(M
Pa
)
Bambu sem nó
 
Figura 26 \u2013 Curvas típicas tensão de compressão-deformação do bambu com e sem nó até carga 
máxima (Lima Jr.,Dalcanal,
Pires
Pires fez um comentário
essa forma de interacção e troca de obras é muito útil na carreira estudantil
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