1 Materiais nao convencionais final
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1 Materiais nao convencionais final


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constitui-se numa verdadeira 
reserva de mercado de votos, visto a mais fácil manipulação política pelos abutres 
que tomam conta do poder. 
 
 
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Considerações finais 
 
 A casa é um bem básico para todos os seres viventes. Pouco adianta dar escola às 
crianças se ao dela saírem não têm um ambiente higiênico e saudável para conviver com a 
família, estudar, alimentar-se e dormir. A crescente falta de habitação digna gera o que se 
está a ver hoje em todos os paises em desenvolvimento: promiscuidade, avanço crescente 
da marginalidade e da violência, mesmo nas cidades pequenas, outrora tidas como seguras. 
Se não tem casa, vai o ser humano praticamente viver na rua, e para sobreviver no 
monstruoso sistema capitalista neo-liberal, passa a se valer de tudo para conseguir dinheiro. 
Aumentam, então, o tráfico de drogas, os roubos e assaltos, que inquietam a todos nos dias 
de hoje. 
 
A eliminação do problema da casa no Planeta geraria enorme impacto ambiental se 
fossem ser empregados apenas os materiais industrializados, pelas razões que aqui foram 
apontadas. Mas monopólios a nível internacional do aço e do cimento não permitiriam que a 
casa chegasse para todos. Assim, apesar das dificuldades apresentadas, o futuro da 
humanidade vai requerer que os materiais não convencionais tenham uma participação 
muito maior no mundo da construção. É preciso desfazer o mito de que representam 
materiais de pobre, e, pelo contrário, possam ser valorizados pela sustentabilidade que 
podem dar às engenharia e arquitetura. A introdução de disciplinas sobre eles nos cursos 
técnicos e universitários é imprescindível. 
 
 Não se quer aqui de nenhuma maneira descartar os materiais de construção 
industrializados. O mundo não anda para trás! Muitos deles podem, perfeitamente, serem 
aliados. O que interessa é que se reduzam os problemas ambientais. Assim, quando 
possível, engenheiros e arquitetos devem procurar usá-los, mesmo que em associação com 
os materiais convencionais. Veja-se o exemplo da Figura 27, uma igreja nas proximidades 
de Lyon, França. Foi utilizada a terra crua nas paredes, mas há também estrutura em 
concreto armado, telhas cerâmicas, vidros, etc! Então, tem-se um material tradicional como 
a terra, aliando-se aos materiais industrializados! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 27 \u2013 Igreja na França associando materiais convencionais e não convencionais 
 
 Na Figura 28 vê-se agora que o mínimo de tecnologia pode transformar realidades. 
O mesmo material, a terra, usado sem tecnica apropriada conduz a um produto sem 
qualidade (à esquerda), ao passo que ela usada na forma de blocos prensados, associados 
com cimento em pequenas quantidades, com os devidos cuidados, mesmo fazendo-se uso 
de mão de obra iletrada, gera uma habitação saudável (à direita). 
 
 
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Figura 28 \u2013 Casa de terra sem e com tecnologia em favela na Paraíba 
 
 Na Figura 29 vê-se agora a associação do bambu, um dos materiais não 
convencionais de maior potencial, com materiais industrializados como concreto, tijolos 
cerâmicos, cobertura metálica, argamassa de cimento portland. À esquerda tem-se uma 
construção rural no Equador, à direita protótipo de casa, em Maceió, onde foi criado o 
Instituto do Bambu, com apoio do SEBRAE, Alagoas. Nota-se então que passos estão 
sendo dados na direção correta, sendo necessária sua divulgação e disseminação. 
 
 
 
Figura 29 \u2013 Bambu associado a materiais convencionais (à esquerda obra 
do arquiteto Jorge Moran, Equador) 
 
 Felizmente o sistema dominante não consegue se apossar da mente de todos os 
seres humanos: sempre há aqueles que pensam diferentemente, e isto traz um alento de 
esperança. Veja-se a notícia que segue, mostrando já a valorização de ações \u201cnão 
convencionais\u201d: 
 
\u201cEn la última edición de los Premios Aga Jan de Arquitectura, uno de los más importantes del mundo 
y con mayor dotación, 500.000 $, dos (2) de los siete premios son humildes construcciones con 
tierra: la humilde escuela que en su pueblo Gando, en Burkina Fasso realizó con bloques de tierra 
comprimida el arquitecto Diebedo Francis Kere (la primera persona que salió fuera de su aldea para 
estudiar), y los refugios con sacos rellenos de tierra y alambre de espino hechos por Nader Khalili. 
Junto a otros premios concedidos por ejemplo a la restauración de las Torres Petronas y a la 
regeneración urbana del barrio palestino en la ciudad vieja de Jerusalén. \u201d ( De 
http://www.arquitecturaviva.com/Noticias.asp#el%20islam) 
 
 Na Figura 30 podem ser vistas as duas obras premiadas que têm a terra crua como 
material base. 
 
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Figura 30 \u2013 Obras \u201cnão convencionais\u201d premiadas: escola à base de terra crua e prototipo 
de refugio construído com sacos de areia. (Foto: Nader Khalili/ Cal-Earth Institute) 
 
 O tipo de construçao da direita da Figura 30 já é usada pelas Nações Unidas em 
zonas de conflito armado, para proteção das populações pobres da insensatez humana. 
 
 Quando necessário, é benéfica a associação do material não convencional ao 
industrializado, daí porque necessário é conhecer a ambos. Isto com o fim de explorar 
conscientemente todas as suas potencialidades, e para que todos das futuras geraçoes 
possam ter seu futuro assegurado. Todos, repete-se, e não apenas os cidadãos à esquerda 
da Figura 31, mas também o desesperançado garoto à direita! Para tanto é preciso a 
conscientização de todos de que não existe poluiçao maior que a extrema pobreza e é 
possível erradicá-la, podendo os materiais de construção não convencionais, a engenharia e 
a arquitetura darem sua parcela de contribuição. Porém, para essa mudança é necessáio 
que também surja com força um \u201csistema econômico não convencional\u201d. O que aí está, 
baseado no lucro máximo, nas \u201cleis de mercado\u201d manipuladas pelos poderosos, no 
consumo, na concentração de riquezas, na especulaçao, no capital, na indiferença e no 
desrespeito à pessoa humana, embora levando para muitos a ilusória impressão de que 
bem vivem porque possuem um aparelho de telefone celular ou um DVD, mesmo morando 
em condições sub-humanas, está disseminando a pobreza, o desemprego, a violência, o 
terrorismo e o medo, que reina soberano nos dias atuais. 
 
 
Figura 31 \u2013 Nova geração que espera viver na Terra sem problemas ambientais e sem a 
terrível poluiçao da pobreza 
 
Referências 
 
1- Salvadori, M (1990) \u2013 Perché gli edifici stano in piedi. Ed. Fabbri, Etas SPA, Milano, Itália. 
 
2- Fundação Calouste Gulbenkian (1993) \u2013 Arquitecturas de Terra. Lisboa, Portugal. 
 
3 \u2013 Time-Life (1995) \u2013 Ciência e Natureza, Ecologia. Abril Livros, São Paulo. 
 
4 \u2013 Time-Life (1995) \u2013 Ciência e Natureza, Tempo e Clima. Abril Livros, São Paulo. 
 
5- Minke, G - Earth Construction Hanbook (1999) \u2013 Wit Press, Southampton, England 
 
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6- Centre George Pompidou \u2013 Interni: Architettura di terra, Gruppo Editoriale Electra, Itália. 
 
7 - Barbosa, N P (1996) \u2013 Construção com terra crua: do material à estrutura. Monografia para 
concurso de Prof. Titular do DTCC, Centro de Tecnología da UFPB. 
 
8 \u2013Fathi, H (1973) \u2013 Construindo com o povo. Ed. Brasileira Ed. Forense Universitária, Rio de Janeiro, 
1982. 
 
9 \u2013 Politécnico di Torino (1998) \u2013 Terra incipit vita nova. Anais de Seminário L´architettura di terra 
cruda dalla origini al presente. 16,17-abbil 1997, Turim, Itália. 
 
10 \u2013 Proterra (2002) \u2013 Anais do I Seminário Ibero-americano de Construção com Terra. Salvador, Ba, 
16-18 set 2002. 
 
11 - Houben, H; Guillaud, H (1989) - Traité de construction en terre. Edition Parenthèses, Marseille, 
França, 1989.