2 Terra Cap Ibracon
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Há uma extensa variedade de blocos de terra comprimida. Desde os blocos 
paralelepipédicos a aqueles com furos e/ou com encaixes. Na Figura 29 vê-se um tipo de 
bloco feito em prensa manual, conhecido como bloco Mattone, que leva o nome de um 
professor do Politécnico di Torino. O professor idealizou um bloco com encaixes 
horizontais e verticais que permitem a execução da alvenaria com uma fina camada de 
argamassa fluida à base de terra e conduzem a paredes bem rígidas e resistentes. 
 
Figura 29- Blocos de terra comprimida com encaixes: bloco Mattone. 
 
4.1 Fatores que influem na qualidade dos blocos 
 Sendo a terra um material de composição bem variável, no qual a heterogeneidade 
é a regra e a homogeneidade a exceção, é importante definir fatores que influem no 
desempenho dos blocos prensados de terra crua. 
 O objetivo da prensagem da terra é aproximar os grãos, tentando reduzir os poros 
do material, o que lhe dará maior resistência mecânica. A compactação provoca, pois, 
uma redução do volume. A redução do índice de vazios é da ordem de 1:1,6 a 1:1,8 nas 
prensas manuais. Previamente, a terra deve ser peneirada de maneira que as partículas 
aglomeradas fiquem com até cerca de 2 mm. 
Resumidamente, pode-se dizer que, com relação à qualidade dos tijolos 
prensados, ela depende de: 
- tipo de composição granulométrica de terra; 
- umidade de moldagem; 
- tipo de prensa; 
- tipo e percentagem de estabilizante; 
- cura. 
 
 
4.2.1 Tipo de composição granulométrica da terra 
 Cada tecnologia de construção com terra tem o tipo de solo que lhe é mais 
apropriado. A terra mais conveniente para a fabricação de adobes, por exemplo, não o é 
para obtenção dos tijolos prensados. 
 
 
 
 
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 O teor de cada componente granulométrico também é importante. É conveniente 
que o solo apresente plasticidade e que seu limite de liquidez não seja excessivo, de 
preferência menor que 40% \u2013 45%. Para os tijolos prensados, pode-se dizer que é 
desejável que o solo tenha: 
- 10 a 20 % de argila; 
- 10 a 20 % de silte; 
- 50 a 70 % de areia. 
Barbosa, Souza e Mattone (1996) conseguiram excelentes resultados com um solo 
local que apresentava cerca de 11% de argila, 18% de silte e 70% de areia, sendo que 
nesta última a maior quantidade era de areia fina (grãos de 0,05 mm a 0,25 mm). Quando 
o solo não se enquadra nos citados limites, pode-se fazer uma correção granulométrica. É 
comum, por exemplo, se o solo é muito argiloso, com limite de liquidez e índice de 
plasticidade altos, misturá-lo com areia. A proporção depende do caso e pode ser um 
volume de terra para um de areia, dois volumes de terra para um de areia, etc. 
 
4.2.2 Umidade de moldagem 
A umidade de moldagem mais conveniente também é função do tipo de solo Para 
se obterem tijolos prensados de qualidade com uma determinada terra, é necessário 
estabelecer-se qual a percentagem ideal de água e quantidade de material a serem 
postas no molde da prensa, através de um processo de otimização. A umidade ótima para 
os tijolos não é a mesma obtida no ensaio Proctor. Nele, são aplicadas ao solo pressões 
dinâmicas, o que não ocorre com os blocos prensados, que sofrem muito mais uma 
compactação quase estática. De fato, um solo posto em um molde para ser prensado, 
apresenta uma resposta bastante diferente em relação a uma amostra de solo submetida 
a um choque. Enquanto no Proctor a tensão é aplicada instantaneamente, na prensa 
gastam-se alguns segundos no processo de compactação. Um exame da Figura 30 
mostra que, inicialmente, a pressão transmitida à terra é bem pequena, para depois 
crescer significativamente em um pequeno intervalo. O último trecho corresponde ao final 
do curso da prensa. Esse comportamento indicado no gráfico é sentido fisicamente por 
quem opera uma prensa manual. 
 
Figura 30 \u2013 Variação da tensão aplicada à terra no molde de prensa manual em função do tempo 
(Olivier, 1994). 
 
 A otimização é, então, feita com base na máxima densidade seca. Deixa-se a terra 
com uma determinada umidade, w. Faz-se variar a quantidade de material posto na 
prensa, Pi, pesando-se e medindo-se as dimensões do tijolo fabricado para se obterem 
seu volume e a densidade seca pela Equação 1, em que P é o peso do bloco logo após 
moldagem, ainda úmido; w é o teor de água presente; V é o volume do tijolo. 
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Faz-se variar agora a quantidade de água e repete-se o processo. Dessa forma, 
obtêm-se gráficos como os indicados na Figura 31. O pico mais elevado de todas as 
curvas indica o teor ótimo de umidade e o peso de material a ser posto na prensa. Na 
prática, converte-se o peso em volume, usando-se a massa unitária do material úmido. 
 
Figura 31 \u2013 Otimização da umidade do solo e da quantidade de material 
a ser posta na prensa 
 
Para um mesmo tipo de solo, maior densidade seca implica maior resistência, 
como se pode ver na Figura 32. 
 
 
Figura 32 \u2013 Aumento de resistência com a densidade seca (adaptado de Olivier, 1994). 
 
4.2.3 Tipo de prensa 
 O tipo de prensa é importante, pois, quanto maior a compactação imposta ao solo, 
melhor será o produto final. No mercado, encontram-se já diversos tipos de prensa 
manuais e hidráulicas. As manuais imprimem à terra pressão de compactação da ordem 
de 1 MPa a 2 MPa. As prensas hidráulicas aplicam pressões muito maiores, resultando 
em produtos muito resistentes. O inconveniente é que se trata de equipamentos pesados 
e caros. 
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4.2.4 Tipo e percentagem de estabilizante 
Estabilizar um solo, como já se tratou anteriormente, significa nele incorporar 
produtos que melhorem suas propriedades, inclusive sob a ação da água. 
A cal não promove significativos acréscimos de resistência, sendo exigida 
percentagens superiores a 6% para ser eficaz. 
A emulsão asfáltica, por seu lado, em taxas de 2% interfere pouco na resistência 
mas protege bem da ação da água. 
 Quanto ao cimento Portland, os tijolos prensados são mais sensíveis que os 
adobes à sua presença. A percentagem do estabilizante depende do tipo de solo que se 
vai empregar e também da resistência requerida. Se houver muita argila presente, vai ser 
exigido no mínimo 6 % de cimento. Se o solo é excessivamente arenoso, podem ser 
requeridas taxas maiores. Se o solo é bem graduado, 4% (e até mesmo 2%) de cimento 
já aumentam a resistência em relação ao material bruto levam a blocos de ótima 
qualidade. 
Antes de um empreendimento, o melhor é proceder a testes laboratoriais para se 
ter melhor aproximação do estabilizante ideal e de sua percentagem mais econômica que 
satisfaça à resistência desejada. 
 
Os tijolos de terra, quando estabilizados, também precisam do processo de cura 
para evitar a saída rápida da água da mistura. Se ocorrer a evaporação, não haverá 
tempo para a água reagir com todos os grãos de cimento, e a qualidade dos blocos cai. 
Superficialmente, eles ficam com baixa resistência à abrasão. Um método muito eficaz de 
cura quando se usa o cimento como estabilizante consiste em se cobrirem os tijolos com 
uma lona plástica tão logo eles sejam fabricados (Figura 33). Também se usa ficar 
molhando periodicamente os tijolos novos com um regador. No canteiro, é preferível se 
fazer a